Luz e sombra
Estivemos ontem a minutos de Auschwitz. Hesitámos até ao último momento. Praticamente nos portões, decidimos não fazer a visita. Não com os meninos. A educação que lhes procuramos dar assenta na ideia de confiança nos sentimentos e nas intenções dos outros seres humanos. Sentimos que entrar ali lhes arrasaria qualquer ideia de confiança. Podemos tentar prepará-los para as dificuldades da vida. Mas, ninguém é capaz de preparar os filhos para a barbárie. Abordámos o assunto com eles, claro. E voltaremos ao tema. Há todavia uma diferança de grau entre as palavras que evocam as sombras da história e as sombras que ainda hoje são projectadas por edifícios, muros e vedações de carne e osso. Eles decidirão um dia, quando tiverem autonomia e maturidade para isso, se estarão então em condições de enfrentar lugares como este e de pôr em causa as suas convicções sobre a natureza humana.

