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O Jardim socialista

por José António Abreu, em 16.08.11

Este texto de Teresa Ribeiro salientando a reacção temerosa do Ministro das Finanças às perguntas de Judite de Sousa sobre a situação da Madeira faz todo o sentido. Eu também me senti incomodado. A direita, e em especial o PSD, sempre recusou enfrentar Alberto João Jardim (excepto, até certo ponto, Cavaco, e por isso Jardim o detesta). A Madeira é o mais óbvio e escandaloso feudo existente no país. O epítome do caciquismo. Mas o poder de Jardim resulta de duas vertentes. Por um lado, temos os métodos autocráticos. O desprezo pelas opiniões adversas, a colocação de sequazes, as perseguições políticas. São inegáveis e deviam ser inaceitáveis. Quem os denuncia, da esquerda à direita, tem toda a razão em fazê-lo. Mas há outra parte da questão. As vitórias eleitorais de Alberto João Jardim resultam em grande medida do investimento público e da distribuição de benesses. Da forma como ele tem ignorado os constrangimentos da dívida pública para continuar a construir estradas e túneis. Da forma como tem usado os sistemas de subsídios públicos para fazer depender do seu governo milhares de madeirenses. Ora é neste ponto que eu não percebo a esquerda. Partido Comunista e Bloco garantem-nos que a austeridade não resulta; que é indispensável relegar défice e dívida para segundo plano e (vá-se lá saber com que dinheiro) continuar a apostar no investimento público e nas transferências sociais. Ou seja, fazer exactamente o que Jardim tem feito. Ainda que atacando estilo e métodos (mas são assim tão diferentes dos de Hugo Chávez, por exemplo?), PC e Bloco deviam antes elogiar a obra de Alberto João Jardim. Ele não faz mais do que aplicar as «soluções» que preconizam. Jardim devia ser um símbolo para a esquerda e não um embaraço para a direita.


19 comentários

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De Carlos Faria a 16.08.2011 às 13:31

Confesso que eu próprio me senti mal com a tentativa do Ministro das Finanças fugir à questão dos desvios na Madeira.
Critico os defeitos de César (que numa versão mais sonsa é uma réplica que passa despercebida no Continente) mas não deixo de ver os de AJJ e equidade de tratamento é algo que exijo aí em Lisboa.
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De José António Abreu a 16.08.2011 às 14:30

Completamente de acordo, Carlos, incluindo com a apreciação sobre Carlos César. Na verdade, quase todos os governantes nacionais, a nível central, regional ou local, são adeptos da "obra" e da criação de lugares.

Mas, já agora, "aí em Lisboa" é mais "lá em Lisboa" porque eu moro no Porto (ou, mais exactamente, em Gaia). :)
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De Carlos Cunha a 16.08.2011 às 14:04

outro post de outro blogger que não tem a coragem de dizer que os actuais governantes não têm coragem de fazer o que prometeram aos que os elegeram (tal qual os eleitos que os antecederam) e ainda tem o displante de chamar corajoso ao cavaco, que enquanto presidente, no anterior mandato, se sujeitou às regras que o ajj lhe impôs, quando visitou a madeira.
credibilidade deste blogger chamado de jaa: ZZZZero.
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De José António Abreu a 16.08.2011 às 14:41

Zero é bom. Gosto de números redondos.

Quanto ao "displante" de chamar corajoso ao Cavaco, reli o post três vezes e ainda não vi lá a palavra "coragem" ou qualquer outra remotamente parecida. Mas a história da relação Cavaco - Jardim não começou em 2006. Cavaco foi Primeiro-Ministro, numa época (há vinte anos, em números redondos - já lhe disse que gosto de números redondos?) em que Jardim já era Presidente do Governo Regional há mais de dez anos. Quanto à recente visita, tem toda a razão, Carlos. Mas isso também mostra o quanto Jardim gosta de Cavaco. Por que será? E, já agora, eu nem gosto particularmente de Cavaco, como poderá constatar nos posts abaixo (segundo parágrafo em cada caso) ou em vários outros que encontrará se se der ao trabalho de pesquisar pela tag "cavaco" no meu blogue.
http://escafandro.blogs.sapo.pt/250169.html
http://escafandro.blogs.sapo.pt/235194.html
Por fim, quanto às promessas deste governo: há indícios que não me agradam mas dou sempre o benefício da dúvida. Dei-o a Guterres, a Barroso e a Sócrates, não vou mudar agora. Ingenuidade, talvez. Mas pode chamar-lhe "falta de coragem" que eu não me chateio.
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De Ana Vidal a 16.08.2011 às 15:41

Carlos Cunha, o seu sonho é ser convidado por um canal de televisão para dar notas às pessoas, como o professor Marcelo? Talvez tenha sorte um dia, mas para isso tem de perder algum displante e deixar de dizer desparates.
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De Carlos Cunha a 16.08.2011 às 16:07

Ana Vidal: se é tudo o que tem a dizer sobre este assunto, que já cansa e coragem para o resolver nem vê-la, também merece nota zero (aqui, sem necessidade de ir à tv).
porque o post acima é uma rallye paper, com alguns zigue-zagues, para fugir ao essencial: ir a eito.
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De José António Abreu a 16.08.2011 às 16:18

Ó Carlos, ainda não percebi se você é a favor ou contra o investimento público e as transferências sociais como método para sair da crise, que são o ponto fulcral do post. Ou seja, você gosta das políticas de Alberto João Jardim ou não?
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De Carlos Cunha a 16.08.2011 às 16:51

mais zigue-zagues do jaa, para entontecer o pessoal.
jaa diz no seu post que "as vitórias eleitorais de Alberto João Jardim resultam em grande medida do investimento público e da distribuição de benesses... Da forma como tem usado os sistemas de subsídios públicos para fazer depender do seu governo milhares de madeirenses...".
agora pergunta-me "se você é a favor ou contra o investimento público e as transferências sociais como método para sair da crise, que são o ponto fulcral do post. Ou seja, você gosta das políticas de Alberto João Jardim ou não?"
associa investimento público e transferências sociais, com distribuição de benesses e dependência das populações de subsídios públicos?
não, não sou a favor das políticas do ajj, porque não sou a favor da distribuição de benesses e da dependência subsidiária das populações, e não sou a favor de regedores do tipo "quero, posso e mando".
e só compreendo este género de posts com o objectivo de desviar as atenções do essencial: a incapacidade e a resignação de quem está no poder central para combater as políticas do ajj.
esta é a minha opinião, nada mais que a minha opinião.
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De José António Abreu a 16.08.2011 às 20:17

Você não leu o início do post, onde eu reconheço que a reacção do Ministro das Finanças foi inadequada, pois não? Mas deixe lá: uma excelente forma de evitar os ziguezagues é ter uma ideia fixa.
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De Ana Vidal a 17.08.2011 às 02:46

Com esses ziguezagues entre o jaa e o ajj você já me baralhou, Carlos. Paciência, de zero já não passo.
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De Leonor Barros a 16.08.2011 às 14:13

AJJ não é apenas um embaraço para a direita, é uma vergonha para todos nós. Grosseiro e malcriado, ofende tudo e todos e mostra desprezo por todos os que não fazem parte da sua 'pandilha'.
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De José António Abreu a 16.08.2011 às 14:46

Certíssimo, Leonor. Mas é verdade que, enquanto a esquerda sempre o atacou (e bem), o PSD pactuou frequentemente com Jardim. É também por isso que gosto do facto da actual maioria parlamentar não depender dos deputados da Madeira. Desta vez, não há desculpas.
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De Leonor Barros a 16.08.2011 às 14:55

Sim, é saudável que assim seja. Não há mais desculpas, se bem que nada pode desculpar as ofensas e o desprezo que ele nutre por nós todos e que às vezes receio aplicar-se também a uma parte da população. Nunca percebi essa subserviência e acho que não fica bem a ninguém, de esquerda ou de direita.
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De torcato guimaraes a 16.08.2011 às 15:58

Quando se dá fontanários ou rebuçados a população vibra e vai tudo atrás, como nas revoluções, e junte-se a manteiga da inveja...
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De José António Abreu a 16.08.2011 às 20:18

Certíssimo. Mas há quem continue a defender a construção de fontanários.
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De Pedro Correia a 16.08.2011 às 18:27

Tal como já aconteceu com a reflexão da Teresa a propósito da Madeira, relembro aqui dois textos que publiquei no DELITO - e em relação aos quais, naturalmente, não retiro uma só palavra:

delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/813517.html
e
delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/1465814.html
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De José António Abreu a 16.08.2011 às 20:32

Pedro: só espero que, chegada a hora da verdade, Passos tenha a firmeza que pareceu revelar na altura em que escreveste o segundo post.
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De lucklucky a 16.08.2011 às 19:31

Estranho Escândalo...
A Madeira não é mais que a replica - e como replica um pouco pior- de Lisboa e da sua elite político-jornalista.

As injurias que sofre o "Continente" às mãos de AJJ são as injurias que sofre a senhora Merkel, o BCE, as agências de rating pelos mesmo que criticam AJJ.

Todos querem viver da dívida, pois os subsídios europeus não chegam para comprar suficientes votos.
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De José António Abreu a 16.08.2011 às 20:27

Perfeitamente de acordo. Por isso escrevi que a Madeira é o caso mais óbvio e escandaloso mas não que é o único. Há, de facto, muitos outros, começando pelo governo central. O que torna o caso da Madeira mais chocante são os métodos de Jardim, mais 'Chavistas', digamos, do que os da maioria dos restantes.

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