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PES ≠ Programa de Exclusão Social

por Cláudia Köver, em 07.08.11

O PES (Programa de Emergência Social) foi por alguns apelidado como uma caminhada rumo ao “trabalho gratuito para desempregados” e como um incentivo à “distribuição de restos”, causando assim uma clara “divisão entre cidadãos de primeira e de segunda”. Mas, infelizmente, muitos portugueses são já obrigados a viver uma vida de segunda e os alegados “restos” são para muitos a sua primeira e única solução.

 

Enquanto que alguns questionam e bem a operacionalidade do programa (como garantir a qualidade dos medicamentos distribuídos ou quais os critérios para os apoios na área dos transportes) outros, preferem atirar cegamente pedregulhos para as já turvas águas da crise.

 

Caros, a pobreza existe, não foi o PES que a inventou. E, se fornecer bens essenciais aos mais carenciados e procurar formas de incentivo para situações familiares dramáticas não for o seu objectivo, deveriam ter deixado as páginas em branco e ter-lhe chamado Programa de Exclusão Social.


21 comentários

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De JgMenos a 07.08.2011 às 17:52

A palhaçada dialéctica de quem se diz de esquerda é um asco; quem lhe seguiu o discurso dos direitos e garantias e agora, chegados ao tempo da miséria, até as ajudas lhe são servidas como insultos.
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De IsabelPS a 07.08.2011 às 18:07

Os medicamentos não parecem causar engulhos a ninguém do sector, nem ao Infarmed (consultado, tanto quanto percebi), nem à Apifarma (que já disse publicamente que acha bem). Não deve ser mais complicado do que escoar excedentes alimentares que não seriam colocados no circuito alimentar, tal como fazem os Bancos Alimentares que servem de modelo a este Banco dos Medicamentos. Só parecem causar problemas a analfabetos deste jaez:

http://jugular.blogs.sapo.pt/2797560.html

(peço desculpa, mas passo a vida a esquecer-me de como se fazem hyperlinks)

Digo analfabetos, porque não é assim tão difícil ler o PES na íntegra, em vez dos Reader's Digest da comunicação social, e perceber que NÃO se trata de medicamentos fora do prazo. Aliás, estou à espera de ver quem é que se atreve a atacar os Bancos Alimentares com base neste "argumento". Quem tem tomates, quem tem?
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De Cláudia Köver a 07.08.2011 às 20:30

Cara Isabel, agradeço a leitura e o pertinente comentário. Estou totalmente de acordo com o que acrescentou.

O vídeo do link é, das duas uma: uma demonstração de analfabetismo ou uma incapacidade de admitir a possibilidade de as medidas sugeridas serem válidas. Neste último caso seria uma diarreia de queixume que vem sem sugestões construtivas e que -mesmo que todas as medidas fossem opostas às apresentadas-, nunca teria fim. Isto porque, nesse caso, o fundamento do discurso é só e apenas a crítica e não uma opinião.

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De Carlos Alberto a 07.08.2011 às 20:52

Normalmente não costumo referir a minha vida pessoal mas vou dar um exemplo que gostaria que o Sr. Jerónimo de Sousa ou o Dr. Louçã pudesse usar nos seus discursos ideológicos:

Estou longe (felizmente e por enquanto) de me enquadrar nessa condição de exclusão social mas, sempre que eu ou a minha mulher vamos ao Supermercado temos em atenção umas etiquetas que dizem assim: "Fim de Prazo em Aproximação" que são produtos, normalmente yogurtes cujo prazo acaba uns dias depois e têm 50% de desconto.

Poderá algum comuna ao meu lado olhar de soslaio para o meu carrinho e desdenhar dos meus produtos em 'Fim de Prazo' mas é por isso é que ele é comuna e eu não, sou capitalista!!!
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De Cláudia Köver a 07.08.2011 às 22:50

Caro Carlos,

agradeço muito a leitura e especialmente a partilha de um bom exemplo de poupança que não se deve desdenhar.

Gostava de acrescentar algo: Felizmente somos também cada vez mais um país que desmistifica o estigma dos "cupões". Infelizmente, tal sucedeu mais por necessidade do que por princípio. Em tantos países desenvolvidos e muito "admirados" (como a Suécia, a Alemanha ou a Dinamarca), "poupar", - mesmo que não se precise, - não é vergonha nenhuma. E poupar é exactamente isso: algo que deve ser feito sem necessidade, para que nunca seja realmente necessário.
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De carmo a 08.08.2011 às 09:28

por acaso, ia responder ao seu comentário Srº Carlos Alberto, mas verifiquei que o senhor respondeu a si mesmo

"mas é por isso é que ele é comuna e eu não, sou capitalista!!!"

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De João Carvalho a 07.08.2011 às 22:18

Nem mais, Cláudia.
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De Cláudia Köver a 08.08.2011 às 10:14

Agradeço a leitura João =) Beijinho
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De José Alberto a 08.08.2011 às 11:37

Caríssima Claudia e todos os leitores, é só para dizer que é falando e dialogando que se chegalá...ao problema. É preciso ter "tomates" para dizer , antes de sonhar em ser Ministro, que se um dia chegasse a sê-lo, investigaia esse rendimentos mínimos e de reinserção social, pois meus caros, venham para o terreno e vão ver para onde vão esses rendimentos na maioria dos casos...para as tascas e vaidades e nem sequer nada chega a boquinha dos filhos...a miséria é muita mas é mental e espiritual, pois tem-se andado a dar o que é de todos a quem afirma que trabalhar é só para quem não sabe fazer mais nada, pois o trabalho mata e ter dinheiro sem precisar de trabalhar "dá saúde". Continue Sr. Ministro, pois 2/3 dos protugueses já o admiram, pela coragem de simplesmente dizer e fazer o que pensa mesmo nas alturas menos favoráeis.
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De Eduardo Firmino a 07.08.2011 às 23:00

Com os governos liberais do sec. XIX, a assistência passa a ser assunto de Estado. Com o XIX Governo Constitucional (neo-liberal) volta a ser um acto de piedade particular.
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De Cláudia Köver a 07.08.2011 às 23:16

Para mim nada disto tem a ver com ser ou não liberal, neoliberal, etc. (até porque não me considero de todo uma liberal - pelo menos no sentido económico do termo).

Mas, independente de um governo ter ou não ideias liberais, reconheço-lhe sempre mérito nas medidas - quando concordo com elas, claro. Acima de tudo quero que este país seja bem governado, independentemente por quem seja.
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De Reboredo a 08.08.2011 às 10:34

"(até porque não me considero de todo uma liberal - pelo menos no sentido económico do termo)" Isso já eu sabia! É mais uma mistura de musa e estro (na época do cio). Uma espécie de Libertina. E, libertina que é libertina, não se abstém de nada.

Reboredo
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De Cláudia Köver a 08.08.2011 às 10:50

O seu comentário deu-me vontade de rir! Não, também não sou libertina, nem vivo numa comuna de artistas. Cresci num meio "germânico" e considero-me muito grata por ter tido alguma influência dinamarquesa na minha educação. Essa herança fez com que visse o papel do estado de uma determinada forma que, infelizmente, por cá não se encontra muito.

Quanto à arte e aos "libertinos" (como lhes chama). Desde que a comuna fosse muito limpinha (sim, não acredito que para ser artistas se tenha que ser boémio até não mais e encharcar-se em vinho todos os dias) poderia contar comigo.
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De João Carvalho a 08.08.2011 às 11:21

Ó Reboredo, mesmo nas polémicas mais acesas o ambiente nesta casa é sempre bom. Não será V. a entrar aqui sem saber dirigir-se a uma senhora que irá estragá-lo. Garanto-lhe que não, porque não seria o primeiro a tentar sem sucesso. Capice?
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De s o s a 07.08.2011 às 23:20

áparte essa questão de medicamentos, que como é elementar vai custar uma pipa de massa, mais nos favores que o estado concede aos envolvidos como contrapartidas, algém sabe dizer rápidamente quantos milhões vao directamente para os carenciados, entram mesmo no bolso de cada um, e quantos milhões são canalizados para as IPSS ? Obrigado.
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De m_sts a 07.08.2011 às 23:24

A pobreza existe sim senhor e apesar da fome, a dignidade dos pobres também existe e deve ser preservada de tanta investida liberal.
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De João Carvalho a 08.08.2011 às 00:31

Desculpe lá: que ideia mais estapafúrdia. O pouco que se consegue retirar dela é que o melhor modo de preservar a dignidade dos pobres é começar por preservar... os próprios pobres.
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De Anónimo a 08.08.2011 às 11:01

Dar esmolas aos pobres, nao e soluçao , o que estao a fazer e por 90% de pobres e o resto muito ricos e daqui a muito pouco tempo nao ha esmolas para todos
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De M. João Bastos a 08.08.2011 às 11:12

Já não entendo nada, se se faz é porque se faz, se não se faz é porque não se faz, o que é que estamos há espera?, de descobrir a ilha do tesouro?, já lá vai o tempo em que os portugueses enriqueceram a roubar o que era dos outros, hoje somos os restos da Europa, não produzimos para os subsídios que damos, não geramos riqueza sustentada, simplesmente vivemos de serviços e de uma lógica de consumo desenfreado em que se não consumirmos não temos trabalho, se não temos trabalho não temos dinheiro para consumir, será que vamos a algum lado?
O que vimos das medidas do Ministro é a distribuição de alguns desperdícios e de alguma forma uma redistribuirão dos poucos recursos que ainda temos, com uma grande novidade no que toca à habitação, ainda vou ver muitos dos que hoje criticam estas medidas, como medidas para portugueses de segunda, a se aproveitarem delas, e quem sabe, mais tarde reivindica-las como direitos dos quais não podem abdicar.

Haja senso comum!
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De Cláudia Köver a 08.08.2011 às 11:35

Cara Maria João,

Agradeço o comentário com o qual - à parte da questão dos portugueses terem andado a pilhar o mundo - concordo ;)

Cumprimentos,

Cláudia
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De e agora? a 08.08.2011 às 13:22


O ministro da "Solidariedade" e (in)Segurança Social para tantos (depende da perspectiva, por isto coloquei o "in"), ao invés de fiscalizar as novas formas de contratação - as ofertas que são feitas e como são feitas por muitos ditos empresários e até mesmo por interpostas empresas de recrutamento -, vem dizer que a prioridade é colocar pessoas desempregadas, detentoras de vários tipos de subsídios (ou subsídio de desemprego ou RSI), a fazer trabalho socialmente "útil".
Esquece o ministro que fazer trabalho socialmente útil é exercer uma forte acção fiscalizadora, e até mesmo penalizadora, contra todas as formas de contratação que pretendem transformar essas pessoas também em "agentes empreendedores" à força, mas empreendedores em benefício desses que os querem contratar e usam o fait-diver do "empreendedorismo" a seu favor. Resumindo, estes "empreendedores" suportariam até mesmo aquilo que esses outros deviam suportar. Feitas as contas, em muitas situações ou quase todas, será necessário pagar para trabalhar por conta de outro, mas com os encargos e todos os riscos por sua própria conta. É assim a vida de "empreendedor" em Portugal.

Quanto ao microcrédito: tendo em conta a dimensão do mercado nacional (e a escala de negócios), este será útil a um número muito restrito de pessoas e só se aplica a áreas (actividades) muito específicas. Todos sabemos que em média 80% dos investimentos feitos por grupos económicos a nível mundial são perdidos; em regra é o sucesso dos 20% restantes que cobre tais prejuízos (quando há capital suficiente para poder reinvestir e cobrir as perdas). Ora, esta equação, tendo em conta o volume e o "espartilho" do microcrédito, não se aplica a esta modalidade. Significa isto que o risco de insucesso pode ser maior tendo em conta as circunstâncias e características do mercado nacional e também do valor de investimento disponível.
Faço uma leitura relativamente pacífica sobre o uso dos medicamentos ainda em validade, (espero que haja cuidado no tipo de medicamento que se distribuirá e que se verifique se o medicamento nas mãos do utente não será usado para além do prazo de validade).
Considero que o programa do governo sobre o "trabalho socialmente útil", a ser praticado, deverá ser objecto de denúncia à Amnistia Internacional e outras entidades que lutam pelo respeito e pela dignidade do ser humano.
Li num outro blog sofre o facto do ministro ser "mui católico", e não gostei (lembro que estas atitudes não são exclusivas de um grupo social ou religioso).
Eu não me revejo numa "caridadezinha" que pretende retirar a dignidade de quem já se sente excluído pela condição que carrega e que nos transporta ao feudalismo.
Espero que o ministro se aplique num combate às novas formas de contratação/escravidão que alastram, que se lance numa cruzada para que a banca, que está a ser suportada pelos cidadãos (dizem também que a intervenção no BPN foi para salvar o sistema financeiro), pague mais impostos e que todas as mais valias sejam tributadas (entre outras medidas).
Já agoro deixo uma pergunta em tom irónico: O que fazer com os milhares de desempregados que não recebem subsídio de desemprego nem RSI? Será que estes, pelo facto de não receberem apoios, não entram nas equações do "trabalho socialmente útil" e das ajudas que lhes são devidas? Eu percebo, só pagamos impostos para os que deles beneficiam (quantas entidades não beneficiam dos impostos dos cidadãos e até nem fazem trabalho socialmente útil?).

Trabalhar é importante, tanto quanto quanto o é receber o fruto desse mesmo trabalho. Creio que exercitar a atitude de todos neste princípio já é por si mesmo um trabalho socialmente útil. Não me venham com a desculpa da crise para instaurar a imoralidade!

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