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A questão é esta, bom povo eleitor. A deputada do 112, Joana Barata Lopes, tem 26 anos e, antes de ser eleita, frequentava uma licenciatura em direito e exercia como Assistente Notarial. Saber se uma chamada para a linha de emergência médica constitui ou não crime é uma questão que deve ser discutida em Juízo. Se lá chegar. Mas, está ao alcance de qualquer pessoa com um mínimo de juízo concluir que utilizar os dados de um telefonema como argumento numa discussão sobre a qualidade do serviço revela uma certa imbecilidade. Quem o faz desconhece por completo os princípios básicos de auditoria de qualquer sistema, as mais elementares regras estatísticas e, eventualmente, algum artigo do Código Penal. E prescinde, imagino que involuntariamente, do mais elementar bom senso. Confirma-se que colocar uns cartazes em campanha eleitoral, dizer umas palavras de ordem e envergar umas t-shirts aparvalhadas em comícios não é preparação adequada para o cargo de deputado da nação. Embora possa ser suficiente para se chegar a Primeiro-Ministro ou a candidato ao cargo pelo principal partido da oposição. É claro que é igualmente condenável o aproveitamento político por parte de quem tem os gravadores da Sábado na mão. E que o episódio não deve ser utilizado como manobra de diversão face à indispensável auditoria de um serviço de importância crítica. Todavia, o que fica no final disto tudo é,  mais do que uma situação de emergência, um estado de indigência. Que não se resolve  com uma chamada para o 112, mas impõe uma reflexão profunda sobre os métodos de eleição.

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31 comentários

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De Sérgio de Almeida Correia a 04.08.2011 às 15:59

Rui,

Não percebo qual seja a tua admiração. Está dentro da média.
Apesar do currículo não esclarecer se a frequência é do 1º ano ou do 5º de Direito, quase que apostava que quando a senhora chegar aos 40 há-de inscrever-se numa qualquer licenciatura em Economia, Gestão ou Relações Internacionais, numa dessas Universidades criadas por Cavaco Silva, para assim poder aspirar a ser ministra ou, quem sabe, líder do partido.
Os exemplos chegam de cima e ela limita-se a seguir os passos do seu entusiasmante líder.

P.S. A "cunha" para entrar nas listas foi do Relvas ou do próprio Passos Coelho?

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De Rui Rocha a 04.08.2011 às 16:34

Sérgio, sei que percebes. E que sabes que o mal não está circunscrito a pastos laranja.
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De Sérgio de Almeida Correia a 04.08.2011 às 16:39

É evidente.
Há pastos de várias cores. Os ruminantes é que são sempre os mesmos e às vezes saltitam de pasto em pasto.
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De manuelpcoelho@hotmail.com a 04.08.2011 às 16:23

De uma " Barata " tonta , não se pode esperar muito mais ...
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De João Carvalho a 04.08.2011 às 16:33

Barata entre aspas e com inicial maiúscula indica que V. quer dizer exactamente o quê?
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De P.C. a 04.08.2011 às 17:07

Forget it ...essa barata voou para aí por engano !

Mas se o incomodou, pise-a ...
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De João Carvalho a 04.08.2011 às 21:03

Não piso. Nem chegou cá. Mas vá aprendendo a conter-se. Para seu bem.
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De P.C. a 04.08.2011 às 23:21

.... " Mas vá aprendendo a conter-se. Para seu bem." ....

Essa do " para seu bem " é uma ameaça ?

Já estou a tremer de medo !








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De João Carvalho a 05.08.2011 às 00:08

Ameaça? O mundo para si faz-se com mau humor e ameaças? Contenha-se, já lhe disse, ou começa a ir directamente para o arquivo e nem chega a ver o que tiver escrito. A alternativa é ter modos e aceitar o que lhe respondermos, como nós aceitamos o que nos mandam. Ou então faça uns descanços e afaste-se da blogosfera quando os humores forem pouco recomendáveis. E não se arme em engraçadinho: não gostamos do desperdício, como seja esse espaço todo por baixo do comentário. Estamos agora entendidos? Ainda bem.
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De Pedro Correia a 04.08.2011 às 16:47

O roubo dos gravadores foi aos jornalistas da 'Sábado', Rui. Abraço.
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De Rui Rocha a 04.08.2011 às 16:53

Pois foi, Pedro. Vou corrigir. Abraço.
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De bluesmile a 04.08.2011 às 17:03

Excelente post!
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De Rui Rocha a 04.08.2011 às 17:35

Obriagado, Bluesmile.
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De Carlos Alberto a 04.08.2011 às 17:07

Crime não será, porque parvoice não é (ainda crime) mas de facto achar que com um chamada provaria que o serviço funcionava mal...
O problema é que ela é uma deputada da nação o que deveria elevar a exigência mas a moça ao que parece é suplente lá na comissão, se fosse titular era pior.
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De Rui Rocha a 04.08.2011 às 17:36

É titular noutra comissão, Carlos Alberto. Igualmente importante.
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De Carlos Alberto a 04.08.2011 às 17:09

Olhei agora com mais atenção para o 'focinho da bicha' e percebi qual a parte do curriculum que está omitido: GIRAÇA
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 04.08.2011 às 17:09

Este "caso" é apenas mais um exemplo do histerismo que tomou conta dos media e da esquerda em geral. Uma deputada numa reunião do Parlamento que discutia o assunto, fez um telefonema para o INEM para verificar se o que estava a ouvir do responsavel pelo serviço fazia sentido. Não fez uma chamada de carnaval. Caiu o Carmo e a Trindade. Uns exigem um pedido de desculpas formal ao INEM; outros exigem a demissão da deputada. Outros dizem que podem ter morrido pessoas porque a linha esteve ocupada uns segundos pela chamada da deputada. O que disse isto até foi secretario de estado da saude! Não se enxergam, tá tudo maluco!
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De Rui Rocha a 04.08.2011 às 17:37

Concordo totalmente consigo na desproporção da reacção. Rídicula. Mas, não deixa de me preocupar a qualidade das pessoas eleitas para decidirem sobre as questões do país, Alexandre.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 04.08.2011 às 17:51

Rui, quando se tratam na praça publica pessoas com reputações profissionais acima de qualquer suspeita, e que não precisam da politica para nada, como temos assistido nos ultimos dias a diversos casos, deputadas como a jovem em causa é o que há. E cada vez mais no futuro.
Por outro lado o serviço publico devia ser visto como uma participação civica para o bem comum. Mas infelizmente a politica transformou-se num trampolim para o enriquecimento rapido e ilicito, para quem não quer correr riscos. E como temos abundantemante verificado nos ultimos 30 e tal anos, muitos entram para a politica com uma mão à frente e outra atrás, e saiem de lá a viver na Quinta da Marinha. E ainda não prenderam nenhum!
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De Rui Rocha a 04.08.2011 às 18:18

Tudo isso é verdade, Alexandre. Mas, insisto, correndo o risco de ser muito injusto. A senhora não aparenta ter as condições mínimas para assegurar a função para que foi eleita. Alguém votaria nela pelo seu valor intrínseco? Sei, entretanto que não é caso único. Longe disso.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 04.08.2011 às 18:44

Tem toda a razão, mas o sistema foi concebido assim mesmo: tudo ao molho e fé em Deus. E depois sai-nos disto, que não é exclusivo do PSD: há-as(os) em todos os partidos.
Por estas e por outras até mais graves, Ricardo Rodrigues p. ex., a lei eleitoral devia ser rapidamente revista, e os candidatos a deputados serem eleitos por aquilo que são, e pelas propostas que apresentam aos eleitores, e não por pertencerem a determinados partidos. Por isso, este simulacro de Democracia que temos, levou-nos ao beco sem saida em que nos encontramos.
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De Rui Rocha a 04.08.2011 às 18:46

Certíssimo.
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De Ana Lima a 05.08.2011 às 00:52

Muitas das coisas que aqui foram escritas fazem muito sentido. Não discuto o caso em causa pois não percebo se a asneira foi fruto de inexperiência ou de falta de inteligência. Mas acrescento só mais duas questões: em termos gerais, uma licenciatura completa ou uma idade mais avançada não são sinónimos de uma conduta impoluta, o que este post (que gostei de ler) pode dar a entender; por outro lado a escolha de deputados pode estar inquinada pelos motivos já apontados mas a verdade é que existe uma crise também ao nível daqueles que estão disponíveis para exercer o cargo, podendo condicionar as escolhas obrigando a escolher não os melhores mas os que têm essa disponibilidade.
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De Rui Rocha a 05.08.2011 às 22:14

Estamos de acordo, Ana. Permanece a questão do método de eleição.
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De Mário Cruz a 05.08.2011 às 02:25

Bom, ia fazer um tipo de comentário, mas depois de ver os comentários já por aqui feitos, vou tocar no assunto de outro modo, se o Rui Rocha me permite.
Das diferentes e copiosas declarações que hoje ouvi, sobre o assunto "telefonema ao 112/INEM" o que menos me incomodou foi exactamente a acção e a sua imediata e transparente informação à comissão, feita pela deputada do PSD. Alguma juventude, algum arreganho, alguma ingenuidade. Nada disto é crime ou pecado incorrigível.
Mau, muito mau, foi o aproveitamento "bacoco" feito, de imediato, pelo presidente do INEM, pelos deputados do PS e pela comunicação social.
Não perceber que aquele tipo de teste é natural, vulgar e até demonstrativo de razoável capacidade de iniciativa, sendo absolutamente legítimo a um Deputado da Nação que, entre outras capacidades e direitos, tem o de questionar tudo e todos os que neste país devem ser confrontados com o interesse nacional, explica o grau de ignorância e impreparação de muita gente, neste país.
Não é o CV da jovem deputada do PSD que eu gostaria de ver, mas sim, gostaria de ver o CV do senhor do INEM que disse que a deputada se devia demitir (ele saberá o que é um Deputado da Nação eleito?), gostaria tb de ver o CV da deputada do PCP que disse que a "colega" devia ser presa (sendo deputada, parece não saber o que é imunidade parlamentar nem porque existe e para o que serve).
Enfim, parece que tem de vir um economista careta como eu, não militante em nenhum partido, nem jornalista especializado em política nacional, explicar que andou um país inteiro durante um belo dia de Verão, a perder o tempo com a sua ignorante prosápia.
Que belo país este, cheio de Doutores e sábios polivalentes.
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De Rui Rocha a 05.08.2011 às 22:16

Não ponho em causa nada disso, Mário. Referi no posto o aproveitamento político que não faz sentido. Isto dito, permanece a questão da escolha dos representantes do povo.
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De Armando Jorge a 05.08.2011 às 22:38

Sendo eu um quase iliterado, só posso dizer que se chamam "deputada" à miúda que puseram no parlamento a debitar baboseiras (e que, depois do que fez, já devia ter voltado ao infantário), chamam assobio a uma "coisa" que aqui tenho...
E ter no parlamento um deputado que ROUBA gravadores a jornalistas, só honra o "Poor"tugal a que chegámos... que saudades dos velhos tempos!!!
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De Pedro Coimbra a 05.08.2011 às 08:57

Caro João,
Apetecia-me entrar na discussão dos requisitos mínimos para exercer o cargo de deputado - idade, habilitações literárias, experiência profissional,....mas, como diz o poeta, "não sei por onde vou, sei que não vou por aí".
Um abraço
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De Rui Rocha a 05.08.2011 às 22:15

Abraço, Pedro.

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