Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Delito de Opinião

Vontade de rir

Adolfo Mesquita Nunes, 12.01.09

Ter o comentário a um texto de José Sócrates como parte integrante de um processo de concurso para o preenchimento de vagas na função pública não pode passar, ainda que a coisa seja tentadora, por mais um sinal do narcisismo socialista ou, quase pior, do excesso de zelo do funcionalismo público.

 

A situação é muito mais grave do que isso, não só porque se soma a umas quantas outras, mas também porque evidencia uma absoluta confusão entre a máquina estadual e a máquina partidária, como se os funcionários públicos fossem funcionários do Governo e não funcionários do Estado e, portanto, ao que se supõe, de todos nós.

 

Progredir na carreira da função pública não deveria significar, como pelos vistos significa, louvar as Novas Oportunidades ou o Magalhães. Assim como não deveria significar, e pelos vistos significa, a impossibilidade de criticar em público aqueles que nos governam.

 

E já é altura de deixarmos de nos rir destas situações, coisa que temos vindo a fazer desde o episodio Charrua, passando pelo episódio das criancinhas contratadas para fingir que estavam numa aula e pelo episódio da licenciatura de José Sócrates.

 

Não estamos a falar da vaidade ou do narcisismo da Elsa Raposo. Estamos a falar do Governo de Portugal. O mesmo Governo que impediu a liberdade de imprensa na Lusa está agora a impedir a liberdade de pensamento no funcionalismo público. E se nos continuarmos a rir, pode ser que um dia até isso seja visto, e noutras zonas do país já o é, como algo de indesejável.

9 comentários

Comentar post