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Sherlock Holmes, a criatura, foi sempre mais popular do que o criador, Conan Doyle. O mesmo se passou com Perry Mason, que ultrapassou largamente o seu criador, Erle Stanley Gardner, em reconhecimento público. Ou Nero Wolfe (criado por Rex Stout) e O Santo (por Leslie Charteris). Até Poirot e Maigret gozam hoje de maior notoriedade do que os seus autores, Agatha Christie e Georges Simenon. Com Mickey Spillane (1918-2006) era ao contrário: sempre foi mais popular do que Mike Hammer, o detective que criou. Ao ponto de não faltar quem pensasse que o detective era o próprio Spillane. Um detective muito diferente dos demais: forjado nos abismos da guerra, formado no auge do terror atómico, surgido depois de Auschwitz e Hiroxima, quando já nenhuma utopia era credível. Violento, amoral, Hammer odiava o compromisso com o mundo do crime. Ao ponto de, em obras como O Juiz Sou Eu e A Minha Arma não Perdoa, se confundir ele próprio com um criminoso pelos métodos que empregava. Foi esta a originalidade de Spillane, que não tardou a ter imitadores de quinta ordem, iniciando um repugnante subgénero no policial - o do detective-vingador a qualquer preço.