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Será que percebi bem?

por José Maria Gui Pimentel, em 29.06.11

Os dirigentes das duas televisões privadas (quem diria) queixam-se da entrada da RTP 1 no mercado, sob o argumento de que “não há espaço” para um terceiro canal privado, o qual fará repartir o bolo das receitas publicitárias, já de si diminuto, por mais um conviva. Isto porque a RTP 1 não compete livremente com os outros canais, uma vez que está limitada pelas regras a intervalos de 7 minutos.

Não o manifestando abertamente, estes dirigentes estão, se bem percebo, a defender que a RTP 1 permaneça na esfera estatal não porque o considerem do interesse público, mas sim por interesse próprio, porque não querem perder espaço no mercado. Trocado por miúdos, o argumento é o seguinte: os senhores não querem ter de repartir o mercado com a RTP 1 e, por conseguinte, defendem que o contribuinte deverá continuar a financiar os prejuízos da televisão pública. Mas, claro, dito assim não soava tão bem nas televisões.

O facto de ser necessário recorrer a este argumento falacioso demonstra, já de si, um reconhecimento implícito da bondade da medida. Com efeito, nada na programação da RTP 1 justifica que o canal continue a ser financiado pelos contribuintes (ao contrário do que sucede com a RTP 2).

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10 comentários

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De Luís Ferreira a 30.06.2011 às 11:16

Nem mais.
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De Francisco Castelo Branco a 30.06.2011 às 18:08

Balsemao e a Media capital estão naturalmente preocupados, pois se houver um terceiro canal....vão ter de deixar de passar a tribo perdido, os pesos pesados ou os idolos na minha aldeia.

O que os dois bosses ainda não perceberam é que os portugueses há muito que deixaram de ocupar o serão vendo telenovelas.

Para isso é bem melhor ver um joguito de bola na Sport tv.

Que venha um novo canal ...
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De José Maria Gui Pimentel a 30.06.2011 às 23:55

Do joguito de bola pelo menos não se pode dizer que é cada vez de menor qualidade...
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De Teresa Ribeiro a 30.06.2011 às 21:05

Não podia estar mais de acordo, José Maria.
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De José Maria Gui Pimentel a 30.06.2011 às 23:56

É quase falta de pudor...
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De sampy a 01.07.2011 às 10:48

Bem, nesta questão é importante ter em conta um pressuposto: a venda da RTP1 significa, a médio prazo (se não mesmo a curto prazo), a extinção de um canal generalista.

Facto: o mercado português não comporta 3 canais generalistas privados.

Nota: é verdade que o panorama televisivo está em evolução acelerada, com o cabo e a web. Mas as generalistas ainda vão continuar a imperar por mais alguns anos.

Portanto, a pergunta decisiva não é se o país ganha com a venda da RTP1, mas sim o que significa para o país a perda de um canal generalista.
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De José Maria Gui Pimentel a 01.07.2011 às 12:20

Os contribuintes não têm obrigação de financiar um canal generalista que não faz serviço público. Por isso, tal canal generalista deve simplesmente competir com os outros canais, no privado. Se for forçado a encerrar, então é porque não há mesmo espaço para três. Mas espaço para um canal financiado por todos nós que nada acrescenta ao país é que não há, definitivamente.
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De sampy a 01.07.2011 às 16:18

Os contribuintes não têm obrigação, nem, actualmente, capacidade para financiar um canal generalista. Mesmo que preste serviço público. E muito menos com a estrutura de custos dos últimos anos (apesar de estar, diz-se, em restruturação há já algum tempo).

O problema é que, insisto, a venda da RTP1 levará ao encerramento de um dos canais generalistas. Ora, quando falamos de estações televisivas, não estamos a falar de fábricas de calçado. Os media são o quarto poder. E isso é especialmente verdade no caso das televisões em Portugal (como se constata, por exemplo, quando se analisa a duração e o alinhamento dos telejornais). Acrescendo que as televisões privadas estão em mãos de grupos económicos com propriedade transversal no universo dos media (televisão, rádio, imprensa...)

Sabendo que um dos canais não sobreviverá, as estações envolver-se-ão numa luta sem quartel; mas sobretudo, escolherão como alvo preferencial o governo, a quem será atribuída a culpa da situação.
Num tempo de vacas gordas, o governo até que podia comprar essa luta, visto que manteria uma certa capacidade de dissuasão perante campanhas que incontornavelmente lhe seriam movidas; mas em tempo de vacas magras, em que o governo vai ser atacado de todos os lados, em que o anúncio de uma única medida já deixou em alvoroço o país inteiro, arriscar pôr as televisões contra si era equivalente ao suicídio político. E se este governo morre antes de tempo, o país definitivamente estoura.

Estamos, portanto, num dilema: o país não tem dinheiro para manter um canal generalista público; mas também não suportará as consequências de uma batalha até à morte por parte das estações de televisão privadas.
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De José Maria Gui Pimentel a 03.07.2011 às 23:59

Esses são argumentos válidos. No entanto, deixe-me dizer que mal estaríamos (se calhar mal estaremos) se um Governo deixar de agir por esses motivos.

Se não há espaço para três canais, muito bem, feche um. Quando a economia voltar à tona não faltarão certamente empreendedores prontos a criar um ou mais novos canais.

É assim que funciona a economia de mercado.

Se o Governo - como parece - deixar cair esta medida, estará a fazer aquilo que os partidos de esquerda chamam "neo-liberalismo", mas que, na prática é precisamente o contrário, pois mantém uma situação anti-concorrencial.

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