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Todos os dias há quem entre e saia de blogues: nada mais normal. Jorge Palinhos fez o que entendeu: desvinculou-se do 5 Dias por já estar farto de ver alguém por lá chamar "carrasco do povo líbio" ao eurodeputado Rui Tavares, aliás antigo membro do mesmo blogue. Levou logo ali o troco, desta forma elegantíssima, da parte de um dos fãs assumidos do verdadeiro carrasco do povo líbio: Muammar Kadhafi, que prometeu entrar em Bengazi como Franco fez em Madrid no fim da guerra civil 1936/39. Com a prestimosa ajuda do 'Comité de Não-Intervenção', cuja passividade funcionou como estímulo adicional ao ditador espanhol na sua ofensiva bélica.
Não consigo dissociar Kadhafi de Franco enquanto verifico a forma entusiástica como o coronel é acolhido e as operações da NATO na Líbia, a coberto do direito internacional, recebem ferozes críticas naquele mesmo blogue. Talvez por lá preferissem um novo 'Comité de Não-Intervenção' para facilitar o esmagamento dos líbios pelo tirano pró-nazi que há 42 anos oprime o seu povo, tal como pormenoriza a Amnistia Internacional.
Diz-me que modelo tomas, dir-te-ei quem és. Se no 5 Dias há quem ponha em dúvida a existência de um regime democrático em Espanha e associe com beata reverência Fidel Castro à miraculosa descoberta da "vacina contra o cancro do pulmão", nada mais natural que também ali se considere a Líbia um modelo de liberdade. Isto enquanto os patriotas anti-Kadhafi resistem em Misrata e outras cidades expostas à fúria demente do carniceiro. Entretanto, Jorge Palinhos pode considerar-se um indivíduo com sorte. Noutros tempos, noutro local, arriscava-se a ser brindado com algo mais do que palavras insultuosas: era também capaz de receber um golpe de picareta.