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Legislativas (21)

por Pedro Correia, em 06.06.11

A SUBIR

 

Pedro Passos Coelho. Venceu as legislativas suplantando todos os vaticínios e contrariando até o que alguns companheiros de partido antecipavam. A sua clara vitória no frente-a-frente com José Sócrates, como aqui logo se sublinhou, foi vital para que os portugueses acreditassem nele. O seu discurso de vitória, contido e sóbrio, contribuiu ainda mais para se perceber que entrámos num novo ciclo.

 

Paulo Portas. O CDS cresceu em número de votos e número de deputados, consolidando-se em áreas urbanas como Lisboa e Setúbal. Mais importante que isso: fará parte da próxima solução governativa. Um momento alto na carreira política de Portas.

 

Jerónimo de Sousa. A CDU ganha apenas um deputado mas é a única força de esquerda que resiste nestas legislativas. E alcança sobretudo um saboroso triunfo sobre um rival de estimação: o Bloco de Esquerda. A personalidade do secretário-geral comunista desempenhou um papel importante neste resultado.

 

Debates. Não há campanha sem debates. Esteve mal, portanto, um jornal que titulava recentemente em manchete "O povo não vai em debates". Pelo contrário, nestas legislativas os debates televisivos tiveram nível, substância e uma influência determinante. Com destaque natural para aquele que opôs Sócrates a Passos Coelho. Porque o povo vai mesmo em debates.

 

Fernando Nobre. Foi uma aposta arriscada de Passos Coelho para encabeçar o distrito de Lisboa. Aposta ganha: Nobre contribuiu para reforçar a votação social-democrata no principal círculo eleitoral do País (mais cinco deputados e mais 9% dos sufrágios), onde o PSD obtém o melhor resultado desde 1991, depois de ter vencido claramente um debate televisivo na TVI 24 com o cabeça-de-lista do PS em Lisboa, Ferro Rodrigues.

 

Cavaco Silva. Estaria agora a ser alvo de todas as críticas se o PS voltasse a ganhar as legislativas. A clara derrota eleitoral dos socialistas, menos de dois anos após o anterior escrutínio, confirmou que a maioria parlamentar já não correspondia à maioria sociológica do País. A dissolução do Parlamento foi, portanto, a melhor decisão que havia a tomar.

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6 comentários

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De Carlos Faria a 06.06.2011 às 09:35

Fui dos que temeu o evoluir da situação desde a demissão de Sócrates, sentia que o elogio da mentira era mais favorável à reeleição do PM do que a crítica à coragem de tentar dizer a verdade por parte de Passos Coelho.
Assumo que o Pedro Correia sempre me chamou à atenção que aqueles elogios à mentira e a falta de soluções só conduziriam à derrota de Sócrates.
Aqueles que alimentaram os post de "um partido sem emenda", sem dúvida neste momento devem estar demasiado confusos alimentam apenas questiúnculas e nunca dão a mão a uma solução.
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De Pedro Correia a 06.06.2011 às 11:24

Eu não dizia, Carlos? Mas reconheço que a barreira de alguns comentadores/as foi fortíssima. Alguns com palco e púlpito telediário. A escolha de Fernando Nobre como cabeça de lista por Lisboa, por exemplo, serviu de mote às mais diversas previsões catastrofistas: não faltou quem nos apresentasse provas quase científicas de que o PSD acabara de perder a eleição. Por mim, vaticinei o contrário - lembrando a própria história do partido e a sua antiga vocação de abertura aos independentes. Os textos estão aí para quem quiser (re)lê-los.
Todo esse alarido televisivo a que fiz referência acaba de ser transformado em coisa nenhuma pelos resultados eleitorais de ontem. Virou-se a página. Agora há outras coisas para comentar.
Um abraço.
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De João Espinho a 06.06.2011 às 12:51

Na minha Praça considerei Cavaco Silva como um dos derrotados da noite eleitoral. Pode ser um exagero, mas também não faço coro com os que dizem que o sonho de Sá Carneiro se cumpriu. Cavaco Silva esteve sempre muito mais interessado no empate técnico, uma solução que aproximaria PSD e PS numa solução governativa. CS terá feito os possíveis para que o PSD não atingisse a maioria absoluta ou, sendo vencedor, não o fosse de forma tão clara. E CS preferiria ver o CDS num governo tipo salada russa do que ter que nomear Paulo Portas como Ministro de Estado (Vice-Primeiro ou MNE???). CS não é um homem de rupturas, preferindo o satus quo do bloco central. O tempo dirá como CS vai gerir os solavancos de um governo com Paulo Portas.
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De Pedro Correia a 06.06.2011 às 14:53

Essa visão é interessante, João. Também não dou importância a essa história de se ter 'cumprido o desígnio de Sá Carneiro', que aliás já se tinha cumprido à esquerda, com Sampaio em Belém e Guterres em São Bento. Os tempos são outros, as preocupações reais dos portugueses são outras, essas fronteiras ideológicas muito nítidas e exacerbadas deixaram de constituir tema de mobilização para a esmagadora maioria das pessoas.
O facto é que, independentemente das suas motivações pessoais, Cavaco tinha tudo a perder se o PS revalidasse a maioria: todos o apontariam como um dos derrotados da noite eleitoral. Seria o primeiro Presidente a dissolver o parlamento sem consequente mudança de cor política. Aconteceu antes com Eanes, Soares e Sampaio. Acaba de acontecer com ele. É, objectivamente, uma vitória política.
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De singularis alentejanus a 06.06.2011 às 23:41

Caro Pedro, esqueceu-se do verdadeiro vencedor das eleições, vitória que em cada acto eleitoral, sobretudo nos últimos, me deixa cada vez mais preocupado e inquieto: a abstenção.
Primeiramente porque creio que a quantidade de eleitores inscritos não é verdadeira, o que a ser verdade me permite concluir que mais uma vez, apesar de Magalhães, Simplex e quejandos, o Estado não funcionou.
Secundariamente mesmo estando aquele valor errado, é enormíssíma a quantidade de pessoas que não se quiseram manifestar, o que considero uma falta de respeito para com Portugal e também para com muitas gerações que lutaram, muitas delas sofreram na pele por isso, para que dias como Domingo passado possam existir, dia de eleições democráticas.
Daí eu ser apologista da obrigatoriedade da presença das pessoas na assembleia de voto, não da obrigação de votar pois isso iria interferir com o direito e liberdade de cada um. A ausência não devidamente justificada seria punida com perda de benefícios sociais, fiscais ou de outro tipo.
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De Pedro Correia a 07.06.2011 às 01:07

Aí estamos em desacordo, Singularis. O sistema português já provou funcionar bem sem o recurso ao voto obrigatório que vigora na Grécia, na Bélgica e no Brasil - três países que, por motivos diferentes, não são dos mais modelares nesta matéria. Depois, como refere, a abstenção real é muito menor do que os números oficiais indicam. Haverá cerca de um milhão de pessoas a mais nos cadernos oficiais.

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