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Um funeral e dois casamentos

por Rui Rocha, em 31.05.11

José Sócrates está a afundar-se. Será, provavelmente, um momento doloroso. Para ele e para um ou outro apoiante incondicional. Temos pena. Pensando bem, nem por isso. Este é um processo que Sócrates deve enfrentar sozinho. Com toda a indignidade que corresponde ao caminho do desastre que ele próprio quis trilhar. Sabe-se que os náufragos, em desespero, podem arrastar para o fundo aqueles que se aproximarem. Sócrates antecipou-se. Submergiu o país antes de se afogar. Agora, enquanto segue o seu destino solitário, o pouco Portugal que resta não pode perder tempo a dar-lhe atenção. O tempo é dinheiro e há muito que Sócrates esgotou as reservas que permitiriam comprar uma bóia para lhe atirar. A emergência impõe agora duas prioridades para o país. Antes de mais, a constituição de um governo de mudança, com uma base tão abrangente quanto possível, integrado pelos melhores de entre nós ao nível técnico e político. Indispensável um casamento por interesse. Sendo que o interesse só pode ser o do país. A segunda é a renovação do PS, como força política fundamental na democracia portuguesa. Através de uma nova liderança que encerre, definitivamente, a página socrática. Inadiável um casamento por amor entre o aparelho socialista e uma proposta séria (por uma vez) que agite algumas bandeiras legítimas da esquerda. Visto pelo ângulo do PS, o Estado Social não pode continuar a ser o rebuçado que adoça a boca dos incautos como contrapartida pelo regabofe de boysgirls socialistas.  É nestes  tabuleiros que o futuro imediato, e não só, começa a jogar-se na noite eleitoral de 5 de Junho. Até lá, mais uns dias de foguetório nas ruas da campanha eleitoral. Aproveitemos então a fanfarra para, em festa, acompanharmos a caravana que faz as vezes de cortejo fúnebre de José Sócrates. Depois de 5 de Junho não vai sobrar tempo nem disposição para celebrar.

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6 comentários

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De O Rural a 31.05.2011 às 14:58

Socrateou o país o PS e até o Bloco, pois deste muitos estão apoiando com seu voto a aprovação do casamento homo.
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De Rui Rocha a 31.05.2011 às 15:05

Socrateou sim, Rural. Mas, a crítica que lhe faço não é ao nível dos "costumes". É, sobretudo, ao facto de a todos os "outros" costumes ter dito nada.
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De Alberto Cunha a 31.05.2011 às 20:25

Se o PSD e o CDS tiverem, juntos, maioria absoluta (pelo menos maioria de deputados na AR: 50% +1), não sei de que serviria fazer o PS participar no governo.
Por um lado, seria desrespeitar a vontade popular.
Por outro lado, o resultado não seria menos do que desastroso, a avaliar pelos antecedentes históricos de um governo do "bloco central".
Em todo o caso, poderia ser muito positivo para outros partidos, tal como o BE, desde que este passasse a adoptar uma postura "de Estado", podendo vir a revelar-se uma verdadeira alternativa ao PS.
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De Rui Rocha a 31.05.2011 às 23:25

Percebo o seu ponto, Alberto. Mas, é importante que tenhamos um PS arejado. Com Sócrates a liderar a oposição o ambiente de gurrilha iria tornar-se insuportável.
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De Alberto Cunha a 01.06.2011 às 14:53

O próprio Almeida Santos já disse que, se o PS não ganhar as eleições:
- O Sócrates não será ministro num governo liderado por outro partido; e
- O Sócrates demitir-se-á.
(Creio que li isto algures no "Económico").

Não que o autor dessas declarações seja muito de fiar, mas acredito que esteja a par da matéria em causa.

Deste modo, junta-se o útil ao agradável:
- um PS mais arejado;
- um PS na oposição.
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De Rui Rocha a 01.06.2011 às 17:21

Sem dúvida, Alberto.

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