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A nossa obsessão por discutir os pequenos casos da campanha é já mais cansativa do que exasperante. Com o país à beira do colapso financeiro, com a soberania significativamente limitada, com medidas muito duras e ainda mal compreendidas no horizonte, entretemo-nos com uma pletora de «factos» acessórios. Não deixa de ser curioso reparar como quase todos os que adquirem relevância noticiosa, dos «pintelhos» ao «querem proibir o aborto», são negativos para o PSD. Os socialistas parecem nada dizer de inconveniente. Por não dizerem mesmo? Não, apenas por ninguém estar a usar com o PS a táctica que o PS está a usar com o PSD (de vez em quando há quem tente mas falta a convicção que só experiência e dissociação da realidade permitem) e por, como já foi dito e redito, o PS ser insuperável no uso dos meios de comunicação social. Sócrates, esse, transmutado em menos de dois anos de vendedor de ilusões em instigador de medos, livre de ter de defender ideias concretas por obra e graça de um programa eleitoral em que elas não existem, mostra-se chocado três dúzias de vezes por dia, acusando de cada uma delas o PSD de pretender acabar com tudo o que de bom tem o Estado Social (numa versão anterior àquela que ele mesmo amputou). É compreensível. Ao fazer propostas ou ao rebatê-las, Sócrates sempre operou com base em chavões e ideias simples. De resto, sempre foi elogiado por isso – não é uma das críticas que fazem a Passos Coelho, ser demasiado palavroso, não apresentar apenas uma ou duas ideias fortes? Claro que o facto desta táctica ter resultado antes diz muito acerca dos portugueses e claro que dirá ainda bastante mais se resultar novamente. E diz também imenso acerca do papel que a comunicação social, com a inestimável ajuda de dezenas de comentadores, aceita desempenhar, ao dedicar horas à discussão destas minudências (para fugir ao termo de Eduardo Catroga) em vez de focar as atenções nos pontos realmente importantes: as medidas constantes do memorando de entendimento com FMI, UE e BCE e a forma como cada partido se propõe (ou não) implementá-las. Mas, como Philip Roth escreveu em O Animal Moribundo a propósito de algo totalmente diferente, a TV está a fazer o que faz melhor: o triunfo da banalização sobre a tragédia. Com o PS a orquestrar e muita gente a dar uma mãozinha.

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2 comentários

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De Ze Irra a 31.05.2011 às 15:23

PS insuperável no uso dos meios de comunicação social?
Diga antes, os media nacionais, insuperáveis em terceiro-mundismo, analfabetismo e sabujice.
Qualquer jornalismo televisivo e tradicional com um mínimo de qualidade em termos europeus teria desfeito as alarvidades do ainda primeiro-ministro
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De José António Abreu a 31.05.2011 às 16:23

Ou isso. :)

Mas, na verdade, não sei se os media poderiam ser de outra forma. Por cá, as coisas dependem tanto do governo que ninguém se pode permitir hostilizá-lo. Ou aos grupos privados que se dão bem com ele.

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