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Duas perguntas desagradáveis

por José António Abreu, em 29.05.11

Assaltam-me duas perguntas quando vejo as notícias acerca das iniciativas do Banco Alimentar contra a Fome. Não gosto do que elas revelam sobre mim e sobre a minha relação com este país mas recuso fugir-lhes. São muito simples:

1. Quantas destas pessoas que vejo na televisão a entregar, imbuídas de genuína e louvável boa vontade, pacotes de bolachas e de cereais aos voluntários do Banco Alimentar fogem aos impostos sempre que podem? Por exemplo: quantas aceitam não pagar IVA ao contratar serviços ou não o cobrar, ao prestá-los? Sendo certo que uma coisa não substitui a outra, quantas percebem o conceito de caridade mas não o de responsabilidade?

2. Com o Estado que temos, especialista em malbaratar recursos, será essa a atitude mais sensata?

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21 comentários

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De Javali a 30.05.2011 às 04:57

2 perguntas verdadeiramente sem sentido, a meu ver. Questionar a integridade daqueles que contribuem para o BAcF com base numa premissa bastante vulgar (senão insultuosa), parece-me demasiado aleatório para constituir uma dúvida respeitável, mais a mais sabendo que a dita instituição não é gerida nem interferida pelo Estado.
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De José António Abreu a 30.05.2011 às 08:42

Não estou a questionar a integridade de todos. E de modo nenhum estou a questionar a integridade da instituição. Se quiser, estou a questionar aquilo que fazemos porque achamos justo (e também para sentirmos que fizemos uma boa acção e também para "não ficarmos mal vistos" - há de tudo e é tudo humanamente compreensível) e aquilo que também devíamos fazer mas a que alguns (quantos? Não faço ideia) acham normal fugir. E depois estou a questionar se, num país em que o Estado é incapaz de aplicar devidamente os montantes que extrai da sociedade, fazê-lo não será afinal a melhor opção: em vez de entregar recursos para serem desperdiçados, entregá-los a uma instituição que os utiliza bem. É insultuoso? Não sei, talvez. Posso contar-lhe aquilo que gostaria de ver: um país em que toda a gente, do canalizador ao banqueiro, pagasse devidamente os impostos, em que o Estado se preocupasse em fazer (ou simplesmente deixar) crescer a economia e usasse o dinheiro dos impostos com sensatez, e em que estas instituições cumprissem um papel supletivo tornado quase desnecessário.

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