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Legislativas (8)

por Pedro Correia, em 16.05.11

 

 

DEBATE JERÓNIMO DE SOUSA-JOSÉ SÓCRATES

 

José Sócrates, como é costume, levava a estratégia bem montada. Pretendeu fazer do frente-a-frente desta noite na SIC, com Jerónimo de Sousa, uma espécie de ensaio geral para o decisivo debate de sexta-feira com o presidente do PSD. E atacou o secretário-geral comunista como fará certamente com Pedro Passos Coelho: utilizando o programa eleitoral do seu antagonista como arma de arremesso. Isto permitiu-lhe, durante alguns minutos, marcar o tom e o ritmo da contenda. "Já debati aqui com dois líderes que não tinham programa. Hoje estou a debater com um líder que tem o mesmo programa de há dois anos", ironizou o líder do PS, reduzindo as propostas comunistas a três grandes ideias-força: a reestruturação da dívida ("igualzinha à do Bloco de Esquerda"), sair do euro ("isto nem o Bloco de Esquerda!") e um amplo programa de nacionalizações. Rematando em bom estilo: "Onde iria buscar dinheiro para comprar estas empresas [a nacionalizar]? São mais de 50 mil milhões de euros."

Esta tirada do líder socialista teve o condão de acicatar Jerónimo. Que não tardou a dar-lhe o troco: "José Sócrates, quando ouve falar em nacionalizações, fica com urticária. Mas foi lesto a nacionalizar o BPN, ficando os milhões de milhões de custos para o povo português." Isto assinalou uma certa viragem no debate - e raras vezes, a partir daqui, voltámos a ver Sócrates na ofensiva. Pelo contrário, o secretário-geral do PCP conseguiu ultrapassar Paulo Portas e Francisco Louçã na capacidade de forçar o líder do PS a justificar o seu controverso currículo governativo. Lembrou o abortado cheque-bebé de 200 euros acenado por Sócrates na campanha legislativa de 2009, o "corte de mais de 600 mil abonos de família", o congelamento de salários e de pensões, e"uma política fiscal que carrega sempre contra os mesmos". Curiosamente, ao invocar a obra feita, o secretário-geral socialista limitou-se a mencionar medidas assumidas entre 2005 e 2009 - do complemento solidário para idosos à reforma da segurança social.

O debate foi vivo e pelo menos num sentido também foi esclarecedor: a unidade da esquerda portuguesa continua a ser um sonho adiado. O PCP persiste em manter as portas fechadas a qualquer entendimento com os socialistas. "Os três partidos - PS, PSD e CDS - têm um programa comum", justificou Jerónimo. Sócrates, se vencer a 5 de Junho, tem um problema sério pela frente: nenhuma força política, à esquerda e à direita, parece disposta a coligar-se com ele. "Deve haver um governo maioritário", sublinhou o líder socialista, que em resposta à moderadora, Clara de Sousa, deixou um recado ao Presidente da República lembrando uma enraizada "tradição" na política portuguesa: "Quem ganha as eleições é que vai para o Governo." Mas a sensação que transmitiu neste debate é que para ele isso será um quebra-cabeças. O que sucede, em boa verdade, por culpa própria: em nenhum momento do frente-a-frente Sócrates fez um esforço mínimo para cativar um voto comunista. Pelo contrário, chegou a revelar - por palavras e esgares - alguma arrogância, nomeadamente quando acusou Jerónimo de ser "incapaz de compreender" a lógica do sistema fiscal português.

São pormenores. Mas que ajudam a perceber por que motivo José Sócrates é hoje a figura mais solitária da cena política nacional.

 

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FRASES

Jerónimo - «O candidato José Sócrates tem uma forma esquisita de defender o estado social.»

Sócrates - «O PCP cometeu um erro de análise ao aliar-se à direita para provocar uma crise política.»

Jerónimo - «O ónus está sempre nas costas de quem trabalha.»

Sócrates - «Reestruturar a dívida significa calote. Pagar-se-ia com pobreza, desemprego, miséria e falências.»

Jerónimo - «Ainda havemos de assistir a José Sócrates a defender a reestruturação da dívida.»

Clara de Sousa - «Porque é que este memorando [com a Comissão Europeia e o FMI] não foi traduzido oficialmente em versão portuguesa para que os portugueses o percebam?»

José Sócrates - «Estou convencido que essa tradução existe. (...) Se não há, devia haver.»

 

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ADENDA

Por curiosidade, recordo o que escrevi sobre o debate Manuela Ferreira Leite-Paulo Portas da campanha legislativa de 2009.

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5 comentários

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De a.marques a 16.05.2011 às 23:25


Caros Amigos,

Acabei de ler e assinar a petição online: «HAJA DECORO»
[Error: Irreparable invalid markup ('<br [...] <a>') in entry. Owner must fix manually. Raw contents below.]

<BR>Caros Amigos, <BR><BR>Acabei de ler e assinar a petição online: «HAJA DECORO» <BR><BR class=incorrect <a name="incorrect">http</A> </A>:/ www.peticaopublica.com / pi =P2011N9947 <BR><BR>Eu pessoalmente concordo com esta petição e acho que também podes concordar. <BR><BR>Subscreve a petição e divulga-a pelos teus contactos.<BR><BR>Obrigado, <BR>A. Marques
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De O Rural a 17.05.2011 às 00:24

O Jerónimo não estudou inglês ao Domingo!

O Jerónimo não tinha vagar porque trabalha desde os 12 anos!

O Sócrates estudou inglês técnico podia ter traduzido ao Domingo.

Se Sócrates não oferecer já amanhã uma tradução do acordo ao Jerónimo, façamos uma manif contra o Sócrates.
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De Francisco Castelo Branco a 17.05.2011 às 16:48

O momento do debate foi sobre a tradução.

estou como catroga.... estamos a discutir coisas inuteis....

aposto que vai ser tema de campanha
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De Pedro Correia a 17.05.2011 às 20:14

Clara de Sousa confirmou ser a melhor moderadora de debates políticos da televisão portuguesa.
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De Alberto Cunha a 18.05.2011 às 17:51

SÓCRATES (em geral): O PSD originou a crise política por ter sede de poder.
SÓCRATES (no debate): "Quem ganha as eleições é que vai para o Governo." (referindo-se à hipótese de o PS ter maioria não absoluta e não ter com quem se coligar para constituir um governo estável).
COMENTÁRIO: Afinal quem tem sede de poder?

SÓCRATES (em geral): O PSD é oposição há 6 anos e só agora apresentou o seu programa eleitoral.
SÓCRATES (no debate): "Já debati aqui com dois líderes que não tinham programa. Hoje estou a debater com um líder que tem o mesmo programa de há dois anos".
COMENTÁRIO: Uns deviam ter um programa eleitoral (o PSD), ainda que fosse recesso (com 6 anos); outros (a CDU) tinham de ter um programa eleitoral fresquinho (ou quentinho) - acabadinho de fazer. Não há mesmo solução: é-se morto por ter cão, ou por o não ter.

CONCLUSÃO: o cúmulo da coerência é...
Aprovar o programa eleitoral hoje; celebrar o acordo com a "troika" amanhã; e vir dizer aos eleitores que se irão cumprir ambos.
Com uma lógica imbatível como esta, não há FMI que resista!

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