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Convidada: INÊS TEOTÓNIO PEREIRA

por Pedro Correia, em 12.05.11

 

Partido de massas

 

Uma das grandes vantagens de Portugal ter quase 900 anos de História é os portugueses considerarem-se invencíveis, indestrutíveis, irredutíveis, como os gauleses da aldeia do Astérix. Por mais dificuldades, crises ou privações que aqui passem, nós sabemos - aliás, temos a certeza absoluta - de que amanhã ainda cá estamos, que Portugal não acaba e que as crises, as privações e as dificuldades são assim como os romanos: passam. Nós, o país e o povo, somos superiores a eles. É não ligar.

É por isso que em Portugal nada é muito urgente, muito grave ou muito dogmático; é tudo relativo, brando e sereno. Sabemos que fazemos pouca diferença em tantos anos de História, de heroísmos, de epopeias, etc. Vivemos bem dentro da lógica do deixa andar que temos andado bem.

Por aqui as revoluções não têm sangue porque ninguém acredita que o país esteja mesmo em causa; as crises não são encaradas com a gravidade devida porque não vimos mal nenhum em “arrendar” a nossa soberania por uns aninhos a troco de biliões - está mais que visto que nossa soberania nunca se ausenta por muito tempo. Os portugueses não se acham suficientemente especiais, não se consideram com competência suficiente para estoirar definitivamente com um país que sempre existiu. Não somos assim tão bons.

O facto de José Sócrates ter mais 0,005% nas sondagens (os votos da família dele, de Silva Pereira e da família de Silva Pereira) só pode ser por causa desta noção de eternidade dos portugueses. Os portugueses não qualificam de dramático o facto de José Sócrates ser primeiro-ministro. Podem achar mal, podem achar menos mal, mas não consideram este fenómeno uma tragédia, apesar de ser um enorme tragédia. Não estão, vá, em pânico.

Portugal está ligado à máquina por causa de seis anos de governação de José Sócrates. Seis anos apenas. Sócrates mostrou, contrariando a natureza dos portugueses, que tem competência para estoirar com um país; por outro lado, Passos Coelho já nos garantiu que não tem competência para desarmar a bomba. Os portugueses ainda não viram bem o filme, ou já teriam aderido em massa ao CDS. 

 

Inês Teotónio Pereira

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5 comentários

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De O Rural a 12.05.2011 às 13:28

Esperemos que a incógnita Passos Coelho, não saia furada como sáiu a incógnita Sócrates.

Enganou mais portugueses este Sócrates do que Benfiquistas enganou Vale e Azevedo.

Mas que coisa exdrúxula este angélico sócrates!
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De Joana Sousa a 12.05.2011 às 13:51

O CDS é o partido dos submarinos, não é?
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De Francisco a 12.05.2011 às 14:09

Não pode ser Inês. Os deputados deixariam de caber dentro de um taxo... perdão, dentro de um taxi!!
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De Pedro Correia a 12.05.2011 às 18:06

Obrigado pela visita, Inês. E parabéns pelo blogue: 1 metro do chão é um dos mais originais espaços da nossa blogosfera.
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De Gi a 12.05.2011 às 20:02

Culturas houve que duraram mil anos e acabaram por morrer. Os etruscos, por exemplo, que até tinham uma profecia a esse respeito.
Infelizmente Portugal corre o risco de ir pelo mesmo caminho.

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