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Programas eleitorais: PSD 3 - PS 0

por Rui Rocha, em 08.05.11

Acabo de ler o programa eleitoral do PSD e de reler o do PS. A natureza excepcional do momento que vivemos impõe que a avaliação dos programas tome como referencial o Memorando de Entendimento que o governo de José Sócrates celebrou com a Troika. Neste contexto, a primeira conclusão é a de que o PS optou por propor ao país uma prequela desse documento. O programa do PS ficou refém da táctica eleitoral escolhida por José Sócrates. O objectivo de colar o plano de assistência financeira ao PEC IV impôs um conteúdo texto que omitiu por completo a intervenção externa e a real situação de Portugal em 2011 (recorde-se o lamentável erro no valor do défice de 2010). O momento histórico em que o programa eleitoral do PS se situou foi o ano de 2009. Confesso que temi, a certa altura, reencontrar o aumento dos funcionários públicos e a redução do IVA nas medidas para 2011. Trata-se, por isso, de um objecto vazio de conteúdo e de valor. O PSD, por seu lado, apresenta uma sequela do Memorando. Isto é, tomando este documento como dado da realidade, apresenta linhas de actuação concretas para o futuro. Algumas delas constituem bandeiras de enorme significado. Destaco o fim dos Governos Civis, a redução em 4 pontos(!) da Taxa Social Única, a redução do número de deputados, o rácio de entradas e saídas na função pública (1/5), a privatização de um canal da RTP ou o ataque ao Estado Paralelo (fundações,...). Mas, o programa não fica por aqui. Existem medidas assumidas em todas as áreas (a revisão do processo executivo, a reavaliação do modelo de recuperação do parque escolar, TGV, ...). O programa do PSD não descura a responsabilidade social e o princípio da solidariedade. Em nenhum momento põe em causa a educação pública ou um sistema nacional de saúde viável, apresentando-se, à primeira vista, como um documento credível e equilibrado. Isto é, enquanto o PS optou por apresentar aos eleitores uma mistificação, o PSD avançou com um documento sério que pode e deve ser objecto de discussão. Poderá gostar-se ou não do seu conteúdo. Mas, o simples facto de existir um conteúdo concreto para analisar faz com que, nesta matéria, o PSD tenha obtido uma vitória sobre o PS plena de significado. E com a dimensão de uma goleada. 


3 comentários

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De Carlos Alberto a 08.05.2011 às 18:34

Meu caro Rui,
Acho que nem os Socialistas leram o programa do PS, é gente que não tem tempo para lerem ficção. Quanto ao programa do PSD detectei um gravíssimo erro que, temo, lhe poderá custar a vitória.
Desde quando é que se apresenta um programa falando do que lá está? Que amadorismo!

Devia o PPC de ter convocado os jornalistas e um espantalho para colocar ao lado enquanto ia dizendo o que lá não se encontrava, tipo: "ao contrário do que se diz por aí, não consta no programa o ataque ao SNS nem o fim da escola publica", aproveitando ainda para garantir que as teorias que os Abrantes "irão inventar sobre crianças cancerígenas (estas já em acção) ou acerca de eutanásia obrigatória para velhinhos não passam de coisas imaginárias tais como os défices apregoados de 2010."

Isto sim, mesmo sem o 'luís' na equipa, mas com um 'raudinei' qualquer podia ainda aspirar a pelo menos discutir a eleição.
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De José Santos a 09.05.2011 às 00:25

Realmente, dizem que não há pior cego que aquele que não quer ver. Mas ao ler o texto do Rui descobri que há uma nova espécie de cegos. Aqueles que só vêm aquilo que os cegos que não querem ver lhes metem pelos olhos dentro, num mix de parvoíce e fanatismo. Então o PSD apresentou um programa digno de se ler??!!! E que se lêno programa elaborado por quem quer acabar com a Segurança Social, o salário mínimo, o serviço nacional de saúde, a educação para todos? Que aqueles que foram responsáveis pelo descalabro da economia, os banqueiros, principalmente o BPN cavaquista e psdista, continuem a poder sacar milhões ao cidadão contribuinte, certamente para fazer mais Centros Culturais de Belém, qual elefante branco que custou quase tanto como 10% da dívida externa e semelhantes. Haja decência e, já agora, passando a publicidade, vão à multiópticas
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De Manuel Henrique a 09.05.2011 às 17:32

Que o Sr. seja Socialista é consigo.
Que se engane nos números também, mas tentar comparar 10 % do PIB (17.000.000.000,00 €) com o preço do Centro Cultural de Belém que custou 200.000.000,00 €...
É uma diferença de zeros, mas este contam...

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