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Delito de Opinião

Cinco breves notas de viagem (3)

Sérgio de Almeida Correia, 09.05.11

Quando se fala de salsa, da planta herbácea, não da dança, muitos dizem que aquela tem propriedades afrodisíacas, ou seja, que excita a afrodisia. Nem todos saberão que algures num tempo passado existiu uma cidade dedicada à deusa do amor e da sensualidade. A 170 km de Kusadasi, no sopé do monte Baba Dagi, nas proximidades de um rio chamado Meandros, erguia-se Aphrodisias. Da cidade culta e refinada de outrora, onde se venerava Afrodite, restam o Teatro, construído sobre a Acrópole pelos gregos no século I a.C. e depois restaurado por Marco Aurélio, as ruínas das Termas de Adriano, o “Bouleuterion”, local de reunião do conselho da cidade, as colunas jónicas do antigo Templo de Afrodite e, em especial, o fabuloso estádio, onde podiam sentar-se 30.000 espectadores e em que todos e cada um dos lugares garantia visibilidade absoluta. Os baixos relevos, os túmulos, as estátuas greco-romanas, a cabeça de Apolo, o seu estado de conservação quase perfeito, levaram a que um arqueólogo lhe chamasse a Florença greco-romana. E o caso não é para menos numa cidade cujas origens remontam à idade do bronze, isto é, a 3000 a.C. Por ali passaram gregos, romanos durante cerca de 300 anos, seljúcidas e otomanos, até ser saqueada em 1403 por Tamerlão.