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Delito de Opinião

Noite de equívocos

Rui Rocha, 04.05.11

Ouvi, na rádio, apenas uma parte da declaração ao país de José Sócrates e a totalidade da intervenção de Eduardo Catroga. Ouvi um ou dois comentários, também na rádio, logo a seguir às intervenções. Não acompanhei qualquer debate ou comentário na televisão. Acabo de dar uma volta pelos blogues do "costume". Posso ter perdido alguma informação relevante e não fui influenciado pelas centenas de opiniões que, admito, já terão sido emitidas nos meios de comunicação social. A impressão com que fico é que José Sócrates esteve muito mal esta noite. Na actual situação, uma intervenção em que não se diz aos portugueses praticamente nada sobre o que vai acontecer, é uma tremenda falta de respeito. Sócrates optou claramente pela politiquice e pelo eleitoralismo. Deixar os portugueses suspensos por mais umas horas, na tentativa de marcar pontos eleitorais, é uma maldade sem nome, própria de quem não vê para lá do seu umbigo. Por isso mesmo, a resposta do PSD falhou completamente o alvo. Catroga exprimiu-se mal. E não disse o que devia. Tentar colher louros e imputar uma derrota a Sócrates quando ainda não se conhecem as medidas equivale a tentar caminhar sobre a água. Na falta de dados para uma avaliação técnica, o único comentário pertinente era político. E este só podia ser no sentido de salientar a falta de respeito de Sócrates que já referi. Neste momento, enquanto não se abre a caixa de pandora, a conclusão provisória só pode ser uma de duas: ou estamos perante mais uma farsa protagonizada por Sócrates (se as medidas ou condições da ajuda não tiverem a suavidade que este pretendeu atribuir-lhes), ou é completamente incompreensível que Sócrates tenha adiado por tanto tempo o pedido de auxílio externo. Em todo o caso, a intervenção do Primeiro-Ministro tem o efeito de eliminar qualquer imputação de responsabilidade ao PSD pela não aprovação do PEC IV. Se o pacote de ajuda é assim tão favorável, com juros razoáveis, o PSD fez muito bem. Se não é, a encenação de Sócrates é de tal maneira condenável que anula qualquer outro juízo de valor negativo. Uma coisa é certa. Os pavões de S. Bento fazem muito mais barulho do que Teixeira dos Santos.

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