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Delito de Opinião

Convidado: EDUARDO SARAIVA

Pedro Correia, 04.05.11

 

Planeta Terra - a nossa casa

 

Na minha vida, por “culpa” do meu primo Félix Correia [pai do Pedro Correia], abracei a profissão associada ao desporto e a causa da Natureza. O Félix, que foi um grande desportista, desde cedo me incutiu o gosto pelo desporto e, simultaneamente, com os passeios pela Serra da Gardunha, sensibilizou-me para a defesa da Natureza.

Acedendo ao convite do Pedro, escolhi o tema Planeta Terra - A Nossa Casa, deixando algumas considerações e um convite.

“O mundo está a aproximar-se velozmente do fim”, assim disse o arcebispo de Wulfstan, num sermão proferido em York, no ano de 1014. Passados 997 anos, estas palavras parecem estar actuais. Este mundo em que vivemos, no princípio do século XXI, será realmente diferente do que foi em outras épocas?

Estou convencido que sim e tenho fortes razões para pensar que estamos a viver um período histórico de transição muito importante.

A poluição, o meio ambiente, a ecologia são temas que há pouco tempo prenderam a atenção dos cientistas. Por vezes, os homens, apesar de terem consciência das ameaças que os rodeiam, continuam desconfiados das consequências que daí podem resultar.

Depois de termos assistido ao homem a pisar o solo lunar (passaram 42 anos sobre essa maravilhosa “aventura” cientifica) onde, presentemente, a ida dos foguetões à Lua parece entrar no dia-a-dia das pessoas, é importante que o homem tome consciência do seu meio ambiente.

Jim Lovell, tripulante da Apolo 8, em 1968, ao regressar à Terra, declarou: “Por um instante, a Terra dá a noção de como somos insignificantes, frágeis e felizes por termos um lugar que nos permite aproveitar o céu, as árvores e a água.”

No espaço, a visão mais impressionante é a do grande Planeta Azul, como se ele se desse a conhecer, verdadeiramente, pela primeira vez. Pouco mais de uma dezena de privilegiados, nos últimos anos, tiveram acesso a esse “encontro a sós”. Mas todos são unânimes. . . é o nosso grande único bem.

 

 

Por isso, a realização da reunião internacional que permitiu o acordo para o Protocolo de Quioto teve um papel importante para se alcançar o equilíbrio para esta nossa casa, que é o Planeta Terra. O Protocolo constitui-se de um Tratado de âmbito internacional com compromissos mais rígidos para a redução da emissão dos gases que provocam o efeito estufa, considerados na maioria das investigações cientificas como causa do “aquecimento global e das actuais mudanças climáticas”.

Até hoje, houve países que ratificaram o tratado de Quioto; países que o ratificaram, mas ainda não cumpriram o Protocolo; países que não ratificaram e países que não assumiram nenhuma posição.

Na última reunião do G8 começou a vislumbrar-se uma luz ao fundo do túnel. Esperamos que essa luz possa, em breve, iluminar todo o túnel.

Em minha opinião, acho que é preciso uma grande harmonização mundial. Na Europa há um défice de líderes fortes que façam frente a interesses pessoais e individuais, em defesa dos valores humanistas, pois a União Europeia, hoje um espaço com 27 Estados membros, tem que defender valores que permitam ao Homem não entrar em “guerra” com a Natureza.

Sou Presidente dos Caminheiros da Gardunha – Grupo de Interesse pela Natureza (Fundão) onde um dos objectivos é proteger e preservar o meio ambiente e defender a Gardunha, usufruindo do contacto com a Natureza em saudáveis caminhadas e passeios pedestres.

“A Serra da Gardunha é o pulmão verde da nossa cidade” é o slogan mais utilizado pelos caminheiros.

Creio ser um princípio que espelha muito bem a acção desta colectividade, à qual me orgulho de pertencer. Tentamos estar sempre atentos à preservação do ecossistema da nossa região.

A defesa do Planeta é um combate que vale a pena travar, pois pode ser a garantia de um futuro diferente e melhor, de forma a contrariarmos as palavras do arcebispo Wulfstan e a previsão de Louis Armond: “O futuro avança contra nós.”

Deixem-me lembrar um provérbio índio:

“Nós não herdámos a terra dos nossos antepassados, pedimo-la emprestada aos nossos filhos."

 

 

Por tudo isto, quero estar no futuro, defendendo e assumindo-me como um “militante” na defesa do Planeta Terra – a nossa casa.

Acompanhem-me nesta militância, e deixo-vos o seguinte convite:

No próximo dia 22 de Maio, os Caminheiros da Gardunha organizam o 8º Encontro Nacional de Caminheiros com o tema “Passeio nas Cerejeiras”, período em que, no Fundão, a “cereja é rainha”. A caminhada, de 8 Km, realiza-se nas faldas da Gardunha e permitirá um contacto directo com as cerejas e proporcionará, também, o contacto com uma diversificada flora – castanheiros, pinheiros, carqueja, urze, tojo, mimosas e o contacto agradável com a água corrente.

Não fiquem em casa. Venham confraternizar e “papar léguas” com os Caminheiros da Gardunha.

 

Eduardo Saraiva

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