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Delito de Opinião

Política e simpatia

Teresa Ribeiro, 03.05.11

Diz que os estatutos da Federação Portuguesa de Futebol  têm de ser revistos e não há meio. A situação arrasta-se há anos. Todos os que passaram no Governo pela pasta do desporto chutaram para canto quando o assunto lhes foi apresentado. E agora a FIFA, que já perdeu a paciência, está aos gritos, o ministério público vocifera, enfim, é todo um programa.

Comparado com os problemas que atrofiam este país o assunto não vale um chavo. É fácil de resolver. E por ser fácil de resolver e no entanto estar há anos pendente, torna-se importante como matéria de reflexão. Porque nos leva a perceber com clareza por que é que as reformas essenciais nunca se fazem.

Os estatutos da Federação Portuguesa de Futebol não mudam, dizem-me, porque lesam os interesses das Associações Distritais de Futebol. O que tem bloqueado o processo é, portanto, uma questão de poder. E como se sabe, nos poderes instalados não se toca nem com uma flor. É um estilo. Talvez inibidos pela excessiva consciência do carácter transitório do seu poder, os políticos por norma não afrontam os poderes estáveis, com raízes, enfim com História.

O respeitinho é muito bonito. Uns almoços, uns jantares, umas piadas e quem sabe umas caixinhas de charutos fazem o resto. Tem sido esta a natureza das nossas relações de poder. Afinal temos Sol e um clima ameno, para quê stressar se o tempo voa e as eleições são de quatro em quatro anos? A beleza da democracia vista de cima deve estar também nesta paisagem. Cada eleição é a promessa de um recomeço, seja lá o que isso for.  A possibilidade sempre renovada de começar do zero alivia a pressão. O exercício da política, desde que despretensioso, pode ser muito agradável. Não fossem as pressões das instâncias internacionais, que nos têm obrigado a fazer algumas reformas importantes, cada legislatura poderia até ser um autêntico passeio pela brisa da tarde.

Agora, diz-se, o paradigma vai ter de mudar. Será? A avaliar pelo que vejo, não creio. Não me parece que eles estejam, finalmente, a levar isto mais a sério. 

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