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Todas as previsões estão a falhar

por Pedro Correia, em 02.05.11

 

A velocidade vertiginosa a que os acontecimentos se processam, nestes tempos caracterizados por uma contínua aceleração da história, tornou todas as previsões falíveis na política internacional. E nem as publicações mais prestigiadas do planeta escapam a tal risco. Regresso, por estes dias, à edição de fim de ano da Economist, dedicada ao mundo em 2011. Como antevia esta revista o ano em curso no Egipto? Da seguinte forma que, volvidos poucos meses, já nos parece estranhamente desajustada: “A eleição presidencial programada para finais de 2011 é uma competição entre a continuidade (o Presidente Hosni Mubarak, no poder há muito tempo, já envelhecido), a dinastia (o seu filho, Gamal, que pode candidatar-se no seu lugar) e a improbabilidade (vitória de um candidato da oposição, nomeadamente o ex-director da Agência da Energia Atómica, Mohamed El-Baradei).”
Estas linhas foram escritas em Dezembro. Já em Fevereiro, não podiam estar mais desactualizadas: Mubarak foi derrubado, do seu filho e presuntivo herdeiro nunca mais ninguém ouviu falar e El-Baradei é precisamente um dos candidatos com mais hipóteses de vencer a próxima eleição presidencial.
E repare-se no que escreveu a Economist sobre a Líbia: “Muammar Kadhafi detém o poder há 40 anos e completará certamente os 41. Suprimindo opositores e minando rivais, removeu todas as ameaças significativas ao seu poder; o único sucessor digno de crédito é o seu filho, Saif al-Islam, mas a sucessão não se dará em 2011."
Tantas certezas prontamente desmentidas pelos factos: a “sucessão” de Kadhafi está já a ser uma das grandes histórias deste ano, como hoje bem sabemos, embora o ditador líbio tenha “certamente” completado 41 anos no poder – em Setembro de 2010, ao contrário do que garante a Economist, trocando as datas. Não são só os portugueses que erram ao fazer contas nem a imprensa portuguesa tem o exclusivo da desatenção a certos pormenores.
No capítulo das previsões erradas, esta edição da Economist arrisca-se a sair vencedora. Vale a pena guardá-la também por isto.

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4 comentários

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De Pedro Coimbra a 03.05.2011 às 05:14

E chamavam burro ao João Pinto (antigo capitão do Porto)!
Prognósticos?
Só no fim do jogo.
Um sábio, era o que ele era!!
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De Pedro Correia a 03.05.2011 às 13:42

Com a aceleração da história, qualquer dia prognósticos só mesmo no fim, Pedro. O João Pinto é que sabia.
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De João André a 03.05.2011 às 09:41

Quanto a Mubarak saíram erradas, mas quanto a Khadaffi "the jury is still out". Esperemos que estejam erradas (no sentido de terminar o ano ainda no poder). Seja como for, quem imaginaria que tudo isto sucederia? Melhor, muita gente imaginava, mas há já muitos anos que se esperavam estes acontecimentos.

Uma das melhores características dessa edição da Economist é, no entanto, a capacidade de apontar os próprios erros. A cada edição adicionam sempre uma secção sobre as coisas que falharam nas previsões do ano anterior. Tomara muitas publicações portuguesas fazer o mesmo.
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De Pedro Correia a 03.05.2011 às 13:45

Sem dúvida, João. Mas trouxe aqui este exemplo para se perceber bem como até os maiores especialistas da matéria a nível mundial são incapazes de acompanhar a dinâmica da História. Repete-se este ano o que sucedeu em 1989: ninguém foi capaz de vaticinar nada do que aconteceu, incluindo a queda do Muro, que todos os cultores da 'realpolitik' imaginavam perpetuado por várias gerações. O melhor analista é aquele que percebe aquilo que está já morto sob a aparência de estar vivo.

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