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Antes de mais, devo dizer, eu que sou Rocha, que acho alguma piada a que um tipo chamado Capoulas e que tem ambos os apelidos no plural ache calunioso seja lá o que for. Isto dito, sou obrigado a dar-lhe alguma razão no que diz respeito às afirmações proferidas por Eduardo Catroga (quanto a apelidos estamos conversados). Não que Catroga erre o alvo quanto ao fartar vilanagem e à responsabilidade de Sócrates em tal enfartamento. Nesses pontos, acerta na mosca. Que, como sabemos, tem sido a mesma nos últimos 6 anos, estando a diferença, apenas, no acumular de matéria em decomposição. O ponto é que não vejo qualquer razão para deixar o julgamento de Sócrates (confirma-se, a história é cíclica e repete-se como farsa) para as gerações mais jovens. Creio que se trata de um afloramento dessa tendência tão presente nas sociedades actuais de valorizar excessivamente a juventude. Vejamos, os jovens já têm muitas coisas estimulantes a que podem dedicar a atenção. Lembro-me, assim de repente, e parafraseando o nosso Primeiro-Ministro, «da lei mais justa na interrupção voluntária da gravidez», «da lei da paridade, para que mais mulheres tenham acesso à vida política», da «iniciativa legislativa no campo do divórcio litigioso» ou «da lei que permite em Portugal o casamento entre pessoas do mesmo sexo». Aliás, com tanto para fazer, ainda bem que lhes sobra tempo, não é? Ora, voltando à vaca fria, acho que esta coisa de participar na responsabilização judicial de Sócrates, a avançar, não deveria ter natureza fracturante. Pelo contrário, deveria ser aberta a toda a sociedade. É um acto cívico, que diabo. Exige-se participação e inclusão. E não vejo qualquer razão para excluir o Manoel de Oliveira. Existe, todavia, outro aspecto da proposta de Catroga que me preocupa. As responsabilidades de Sócrates têm a dimensão da sua incompetência, arrogância, teimosia e imprevidência. Não há, por isso, palavras que as contenham (com o duplo sentido de incluir e deter). Mas, temo que sujeitar Sócrates à justiça portuguesa constitua uma punição demasiado pesada. Para nós, cidadãos. Passar a próxima década em adiamentos, julgamentos anulados, repetições de diligências e outras moléstias para chegar ao fim com uma prescrição qualquer, por incúria do Ministério Público, não me parece grande cenário. Mal por mal, é melhor resolver a coisa por via de julgamento eleitoral. É certo que os menores de 18 anos não poderão participar (podem aproveitar o dia para lerem a lei da paridade, sei lá...). Mas, este é um caso em que não devemos deixar para os jovens de amanhã aquilo que podemos fazer em 5 de Junho.