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Delito de Opinião

Cacofonias

Teresa Ribeiro, 27.04.11

Fala-se da necessidade de reduzir as despesas sociais como se não houvesse amanhã. Não percebo esta crispação. Já se sabe que haverá cortes nesta área, faz parte da receita do FMI, que é sempre igual. Sabe-se também que o despedimento de funcionários do Estado, a descida de salários e o aumento de impostos são, juntamente com os cortes nas despesas sociais, as restrições que permitem reduzir o défice com a rapidez necessária. Podemos, pois, encará-las como um facto consumado. O tom retórico, algo castigador, em que alguns enumeram estas medidas correctivas como se ainda estivessem em discussão é, portanto, dispensável.

Por outro lado admite-se, da esquerda à direita, que este é o recurso mais fácil, aquele que permite obter receitas não só rapidamente, como dispensando políticas de maior fôlego, ambiciosas, que corrijam os nossos problemas estruturais - falo da reorganização da administração pública, da reforma da justiça, do combate à corrupção e até da alteração do actual sistema eleitoral para o sistema uninominal, uma questão que é ciclicamente debatida e que talvez fosse a solução para o tão necessário arejamento da nossa cultura politico-partidária.

Mas enquanto se martela nas subsidiodependências e se fala de desempregados como se fossem um bando de preguiçosos, faz-se o jogo dos políticos que apesar da crise ainda avaliam se poderão, mais uma vez, passar pelos intervalos da chuva sem cumprir o verdadeiro caderno de encargos, o inominável, aquele que alteraria o status quo e faria de Portugal um país de futuro.

A quem se descabela a malhar neste povo relaxado e dependente, os políticos relaxados e dependentes que saíram deste povo - mas que ao contrário dele foram eleitos para fazer a diferença - deviam agradecer. Para eles e só para eles isto é serviço público.

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