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Llellillismo

por Rui Rocha, em 26.04.11

 

O Lello tem um gosto requintado. O Lello nunca anda despenteado. O Lello ama o bello. O teatro, a pintura e a esculltura, tudo isso o Lello aprecia. O Lello já comprou uma serigrafia. O Lello é um artista mas, por modesto, recusa ser sullista. O Lello ouve música erudita. O Lello faz parte da cllientella restrita. Nas inaugurações é o Lello que corta a fita. Na lliteratura, o Lello seria um cllássico. O Lello tem de Pessoa o tripllo do perímetro torácico. O Lello compra livros que nunca saíram do prello. Se fosse um instrumento, o Lello seria um violloncello. E o arco um martello. Quando pragueja, o Lello verseja. A palavra é folleira? O Lello adorna. A situação está feia? O Lello contorna.  E um trambolhão transforma-se em anomallia. O Lello converte acidentes em tecnollogia. Uma só frase do Lello é um tratado de fillosofia. A casa do Lello devia ser um castello. O Lello não respira, opõe-se à apneia. O Lello não come, saboreia. O Lello não grita, canta. O Lello não escorropicha, decanta. O Lello não emborca, desfruta. Se fosse uma fruta, o Lello seria um marmello. Muito amarello, o Lello. Dita por Lello, uma acusação fica mais fina e chama-se llibello. O Lello vê para llá do que a vista allcança. Quando era Secretário de Estado das Comunidades o Lello até foi a França. O Lello nunca descansa, repousa. O Lello apoia o Engenheiro Pinto de Sousa. O pé do Lello nunca sai do chinello. O Llello come pão com gelleia. Ao allmoço, ao jantar e à ceia. O Lello não desafina, trauteia. O Lello não duvida, titubeia. Quando anuncia, o Lello proclama. O Lello veste robe de chambre quando anda em pijama. O  Lello descansa numa chaise llongue quando se llevanta da cama. É assim o Lello e, como se vê, não tem parallello.


38 comentários

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De Anónimo a 27.04.2011 às 00:25

O José Lello é um "foleiro". Ops, desculpe sr. dr. José Lello, mas estava a usar o seu português "redondo".

O Lello sempre foi "foleiro", mas agora parece que está mais foleiro que nunca.

O Lello é o exemplo das más companhias com que anda o sr. primeiro ministro, bom, mas também parece que estas conversas foleiras são frequentes entre os amigos do sr. primeiro ministro, ainda se lembram quando gravaram a conversinha dele com o amigo Vara e falavam da "Velha"... é melhor terminar este comentário que está a ficar foleiro!
Carlos Pedro
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De Rui Rocha a 27.04.2011 às 00:31

Nada disso, Carlos Pedro. O comentário foi muito certeiro.
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De helena maria marques a 27.04.2011 às 01:07

Digno de Um Almada Negreiros.
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De Rui Rocha a 27.04.2011 às 08:23

A influência está lá, claro, Helena. Infelizmente, é só isso. O Dantas teve muito mais sorte pois foi vergastado por um mestre.
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De fatima a 27.04.2011 às 11:11

A Helena Maria Marques tem razão. Foi exactamente do Dantas que me lembrei. Brilhante!!! Este texto vai ficar para a história.;)
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De Rui Rocha a 27.04.2011 às 11:47

Demasiada bondade sua, Fátima. Obrigado.
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De Ana Vidal a 27.04.2011 às 01:40

Fabulloso texto, mas estás a ser tão arrelliador como a tecnollogia que tramou o Lello...
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De Pedro Coimbra a 27.04.2011 às 08:31

Encore, encore!!!
Grande posta caro Rui!!!
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De Rui Rocha a 27.04.2011 às 09:14

Obrigado, Pedro. Um abraço.
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De Ana Cláudia Vicente a 27.04.2011 às 11:01

Como dizia um outro Vicente, ridendo castigat mores , dellirante posta, Rui!
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De Rui Rocha a 27.04.2011 às 11:43

Obrigada, Ana.
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De Bic Laranja a 27.04.2011 às 11:33

Uma coisa é certa. O Lellito mereceria prosa assim se não um reles lelo.
Aim!
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De Rui Rocha a 27.04.2011 às 11:45

Foi um texto one shot. Não dava para acertar em dois tipos de Lello. Optei pelo alvo maior.
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De Luís Reis Figueira a 27.04.2011 às 11:55

Brilhante, este seu "Manifesto Anti-Lello", Rui. O Dantas ao pé do Lello, é um autêntico 'menino-do-coro'. Se ele já existisse ao tempo de Almada, teria ofuscado por completo o Dantas. Aliás, "Danttas"...
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De Rui Rocha a 27.04.2011 às 12:05

Em abono da verdade, Luís, o manifesto Anti-Dantas é uma peça literária brilhante mas, algo injusta, por excesso, para o seu destinatário. Injustiça que eu só poderei encontrar por defeito naquilo que escrevi.
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De João Carvalho a 27.04.2011 às 23:00

Bello naco de prosa, Rui. E bella foto, que deve ser delle.
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De Rui Rocha a 28.04.2011 às 19:06

É mesmo elle, João. Em pelle, carne e osso.

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