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Num país da Península Ibérica de cujo nome não me quero lembrar, embora me recorde que não se chama Espanha, governou até estes tempos um executivo liderado por um cavalheiro com pretensões de fidalgo que perdeu a razão por ter lido demasiados livros de engenharia. Esta se entendendo não só como a que diz respeito à construção de moradias, mas também de estradas, aeroportos e ferrovias. E, antes de tudo, daquela de que se diz ser financeira. Embrenhado em tais epopeias, que outros afirmarão ser cavalarias, tomou-se o pobre homem de febres e sezões, perdendo-se do fio da realidade. De tal maneira que a história dos fracassos, pois que noutra não terá lugar, o há-de referir como Cavalheiro da Triste Figura ou, em edições menos tomadas pelo distanciamento que o decurso do tempo sempre encerra, Cavalheiro Farsante. Ao longo da sua gesta, reconheça-se que assaz indigesta para quantos tiverem que pagar os seus desmandos com suor e estopinhas, esteve sempre a seu lado um fiel escudeiro. Santos Pança, de sua graça e, diga-se em abono da verdade, da nossa desgraça. Ali onde o Cavalheiro Farsante vivia alucinação, Santos Pança lobrigava, não sem dificuldade, realidade. E, de tal forma a alucinação do Cavalheiro da Triste Figura se apartou da realidade que, certo dia, o próprio Santos Pança se viu impedido de prosseguir a farsa. O drama, caro e paciente leitor, é que o mal estava por essa altura consumado e, o mesmo é dizer, o país completamente consumido. Santos Pança, até esse último dia, trilhou com o seu amo o caminho dos moinhos imaginários. Diz o povo que mais culpado é o fraco do que o louco, e é bem provável que tenha razão pois que o louco é, por sua própria circunstância, irresponsável. Certo é, leitor, que nesta história nenhum deles merece a nossa compaixão.


16 comentários

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De Rui Rocha a 22.04.2011 às 19:22

Pois claro que era, Teodoro. Sinceramente, não sei onde foi buscar a ideia de que esta história imoral que aqui contei tivesse relação com a do valoroso fidalgo manchego.

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