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Num país da Península Ibérica de cujo nome não me quero lembrar, embora me recorde que não se chama Espanha, governou até estes tempos um executivo liderado por um cavalheiro com pretensões de fidalgo que perdeu a razão por ter lido demasiados livros de engenharia. Esta se entendendo não só como a que diz respeito à construção de moradias, mas também de estradas, aeroportos e ferrovias. E, antes de tudo, daquela de que se diz ser financeira. Embrenhado em tais epopeias, que outros afirmarão ser cavalarias, tomou-se o pobre homem de febres e sezões, perdendo-se do fio da realidade. De tal maneira que a história dos fracassos, pois que noutra não terá lugar, o há-de referir como Cavalheiro da Triste Figura ou, em edições menos tomadas pelo distanciamento que o decurso do tempo sempre encerra, Cavalheiro Farsante. Ao longo da sua gesta, reconheça-se que assaz indigesta para quantos tiverem que pagar os seus desmandos com suor e estopinhas, esteve sempre a seu lado um fiel escudeiro. Santos Pança, de sua graça e, diga-se em abono da verdade, da nossa desgraça. Ali onde o Cavalheiro Farsante vivia alucinação, Santos Pança lobrigava, não sem dificuldade, realidade. E, de tal forma a alucinação do Cavalheiro da Triste Figura se apartou da realidade que, certo dia, o próprio Santos Pança se viu impedido de prosseguir a farsa. O drama, caro e paciente leitor, é que o mal estava por essa altura consumado e, o mesmo é dizer, o país completamente consumido. Santos Pança, até esse último dia, trilhou com o seu amo o caminho dos moinhos imaginários. Diz o povo que mais culpado é o fraco do que o louco, e é bem provável que tenha razão pois que o louco é, por sua própria circunstância, irresponsável. Certo é, leitor, que nesta história nenhum deles merece a nossa compaixão.


16 comentários

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De Beirão a 22.04.2011 às 18:09

Na mouche , meu caro Rocha. Pena que nenhum destes dois trastes - o Aldrabão e o escudeiro Santos - depois de levarem o país à falência não tenham um átomo de vergonha na puta da cara...
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De Rui Rocha a 22.04.2011 às 18:14

Passo em claro o prosaismo porque, no essencial, tem toda a razão Beirão.
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De Paula S. a 22.04.2011 às 18:36

Eis os culpados. Excelente texto.
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De Rui Rocha a 22.04.2011 às 18:38

Tão culpado o que lidera como o que apoia ou consente, Paula.
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De Carlos Alberto a 22.04.2011 às 18:50

"(...)um cavalheiro com pretensões de fidalgo que perdeu a razão por ter lido demasiados livros de engenharia."
Ó gaita... assim de repente, não estou a ver quem é! Esta é difícil, ora... leu muitos livros de engenharia? hummmmm.
Desisto, é ficção tal como o nome Santos Pança, não Rui?
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De Rui Rocha a 22.04.2011 às 18:56

Exacto, Carlos Alberto. Qualquer ficção é pura coincidência.
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De Teodoro a 22.04.2011 às 19:19

Acontece, porém, que o Don Quijote era um tipo decente.
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De Rui Rocha a 22.04.2011 às 19:22

Pois claro que era, Teodoro. Sinceramente, não sei onde foi buscar a ideia de que esta história imoral que aqui contei tivesse relação com a do valoroso fidalgo manchego.
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De Francisco Castelo Branco a 22.04.2011 às 19:55

Apesar de Teixeira dos Santos ter sido incompetente, tentou tudo o que pode.
Se calhar, até ele quis avisar a tempo que a crise vinha ai, só que José não deixou.

José também abandonou teixeira quando do debate do PEC IV , lembram.se? e enquanto isso, José estava a preparar a sua vitimização para o PR e para o país.

Bem faz Teixeira ir-se embora, porque se o PS ganhar, não é ele que ficará queimado.

para que precisamos de um Ministro das Finanças se está cá o FMI?

O PS de socrates é esta máquina venenosa
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De Rui Rocha a 22.04.2011 às 20:27

Ninho de víboras, Francisco. Incluindo o Ministro da Economia, Víbora da Silva.
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De Francisco Castelo Branco a 22.04.2011 às 21:26

esse é o tipico lambe Primeiro Ministros...
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De Rui Rocha a 22.04.2011 às 21:56

Que lhe faça bom proveito...
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De macarvalho a 23.04.2011 às 10:01

Um texto brilhante, Rui.
Muito bem caracterizado.
Continuamos na aldeia teimosamente irredutível, mas onde não conseguimos viver autonomamente.
Dou-lhe total razão: mais culpado é o fraco do que o louco.
Pena é que continuemos todos cegos!
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De Rui Rocha a 23.04.2011 às 11:32

Ainda vamos a tempo de salvar, pelo menos, alguns dedos, MACarvalho.
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De Bruno Afonso a 24.04.2011 às 13:35

Excelente!
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De Rui Rocha a 24.04.2011 às 14:21

Obrigado, Bruno.

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