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Uma pergunta muito simples

por Pedro Correia, em 21.04.11

BE e PCP recusaram encontrar-se com a delegação do FMI, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu que se encontra em Lisboa: qual destes dois partidos ganha o campeonato do radicalismo de esquerda?


19 comentários

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De Virgínia a 21.04.2011 às 09:36

O campeonato da burrice, estupidez e etc.etc. é o que eles ganham.
A imagem que tenho é a de pessoas que estão na praia, de braços cruzados, a ver uns poucos de socorristas a fazerem salvamento de milhares de pessoas. No fim, depois de nada ajudarem, vão criticar todos e tudo aquilo que os outros fizeram.

A cobardia é mais que muita pois se não fossem cobardes reuniam-se com o FMI, a CE e o BCE e diziam-lhes, frente a frente, tudo aquilo que pensavam.

Para a próxima semana parece que vamos ficar a saber verdadeiramente como "vai doer".
Até agora o que transpirou cá para fora foi a "contenção do salário mínimo". Ridículo! Num País onde o salário mínimo é miserável!
Porque não ouvimos falar de "contenção/tecto de salário/pensões/reformas máximos"?
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De Pedro Correia a 21.04.2011 às 11:31

Uma excelente pergunta, que eu próprio também farei aqui um dia destes, Virgínia.
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De Gonçalo Correia a 21.04.2011 às 10:44

Para a esquerda radical portuguesa (PCP, fechado num “gulag”; e BE, de “gadgets feitos de caviar”), o dinheiro deve cair do céu, por isso, não se reúne com a “troika”. Todavia, nos próximos anos, por muito que custe a essa esquerda, ou talvez não, o dinheiro para pagar grande parte dos salários, em Portugal, virá do FMI/FEEF. Confuso?! Contraditório?! Só não vê quem não quer.
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De Pedro Correia a 21.04.2011 às 11:29

Chocou-me sobretudo a falta de coragem do BE e do PCP, tão críticos nas ruas e nos telejornais mas incapazes de dizer cara a cara o que pensam aos representantes de Bruxelas, do FMI e do BCE. Se fossem consequentes, teriam feito isso mesmo. E sugerido receitas para sair do atoleiro em que Portugal se encontra. Nós precisamos desesperadamente de um empréstimo internacional, que já devia ter sido pedido em 2010. É uma irresponsabilidade não dizer com clareza aos portugueses que hipóteses alternativas existem para pagar os salários de Junho na administração pública. O que tem vindo a acontecer nas forças armadas, universidades e hospitais - com salários em atraso e encerramento de serviços por falta de verba - é já um índício do que virá depois.
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De Anónimo a 21.04.2011 às 10:49

Os "diálogos" que o FMI quer ter são uma fantochada. Para mim, antes a rejeição do que passar a imagem de que o FMI tenha tido interesse em ouvir o que dois partidos comunistas internacionalistas têm para dizer.
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De Pedro Correia a 21.04.2011 às 11:25

Anónimo, nós também somos FMI, BCE e Comissão Europeia. Portugal é membro do FMI desde 1961, paga uma quota anual elevadíssima nesta organização precisamente para poder ser atendido em situações de emergência, como é o caso. Portugal, membro de pleno direito da UE, está representado na Comissão Europeia, em cuja presidência está hoje um português. Portugal está igualmente representado no BCE, que tem um português na vice-presidência.
Falamos de instituições internacionais credíveis e representativas do mundo globalizado em que vivemos. A menos que a intenção do BE e do PCP seja voltar ao país 'orgulhosamente só' do tempo do Salazar. Mas se for assim ao menos que nos digam como conseguiriam arranjar dinheiro para pagar as facturas de Junho, pois segundo o ministro das Finanças só há dinheiro em caixa até ao fim de Maio.
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De Anónimo a 21.04.2011 às 11:58

A solução não é o "orgulhosamente sós", que contrasta e muito com o que é o internacionalismo socialista. Mas para quem é socialista, o FMI é o alvo a abater porque promove a privatização e a contenção salarial para que a banca - a privada, note-se! - tenha liquidez. Haverá maior contraste com o que eles querem e o que nós - 20% do eleitorado, note bem - queremos? Nós queremos que a totalidade da população tenha uma palavra a dizer no modo como é dirigida a banca, de modo a não obedecer à cegueira do mercado, mas aplicada naquilo que interessa verdadeiramente: um plano democrático, que serve a maioria. Não, não há nada a falar consigo nem com o FMI, nem há por isso necessidade de fazer de conta que somos ouvidos.

Quanto aos salários faltarem no fim de Maio: andamos há 35 anos a ser governados pelo CDS, pelo PSD e pelo PS, se calhar é por isso que falta dinheiro para pagar os salários, onde é que entra o PCP e o BE nesta história? A não ser que os esteja a apresentar como alternativa...

É evidente também que vivemos uma crise mundial, que é intrínseca a uma economia de mercado que não pode crescer indefinidamente e por isso, a culpa é de "ninguém". Resta então deitar a estrutura abaixo com uma revolução social, ao mesmo tempo que o FMI está a puxar-nos no sentido contrário. Que se metam na gaveta os pós-modernismos de pseudo-entendimentos entre partes antagónicas, sobretudo nos momentos em que a luta de classes se cristaliza como hoje.
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De Pedro Correia a 21.04.2011 às 12:44

Não, não há nada a falar - nem com o FMI nem comigo nem com ninguém. Revolução social mundial e zás, espécie de varinha de condão, todos os problemas mundiais estão resolvidos.
Alguns, como você, acreditam e propagam esta história da carochinha que funciona como poderoso anestésico: enquanto se parla sobre a revolução que nunca se fará, permanecemos de braços cruzados, evitando as reformas indispensáveis. Este é um dos motivos mais profundos do nosso atraso atávico.
Nada disso explica, no entanto, a falta de coragem do BE e do PCP, que deviam ter dito na cara dos membros da delegação internacional que se encontra em Lisboa aquilo que pensam. Se pensam que o FMI é uma merda, deviam-no ter dito olhos nos olhos. Isso sim, seria uma atitude de carácter.
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De l.rodrigues a 21.04.2011 às 16:46

Enquanto leitor de já (em termos blogosféricos) longa data do Pedro Correia, ainda não sei o que quer dizer exactamente quando fala em "reformas indispensáveis".

É que as "reformas" têm costas largas. E se todos concordamos que há ineficiência, corrupção e vistas curtas, e seriam bem vindas reformas que ajudassem a resolver esses problemas, quase sempre reformas significam menos apoios sociais, menos responsabilidade e poder para o estado (e por extensão para aquilo que é democraticamente determinado, mal ou bem), mais precariedade no trabalho e na vida das pessoas...

Que reformas preconiza?
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De Pedro Correia a 21.04.2011 às 18:21

Meu caro: preconizo reformas na justiça, reformas no sistema tributário, reformas na administração pública, a reforma da divisão administrativa do país, a mudança da actual lei do arrendamento urbano, o fim do sigilo fiscal, o combate à fuga de capitais para 'off shores'. Enfim, reformas que nos impeçam de voltar a cair num buraco destes.
A 'revolução total', do género "vamos para a rua escaqueirar tudo", faz-me lembrar sempre a frase imortal do Príncipe de Salina: "E preciso mudar tudo para tudo ficar na mesma."
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De Anónimo a 21.04.2011 às 18:24

Fantástico, as teorias de ciclo económico (que o Pedro nem deve desconfiar o que são) ficam resolvidas com essas reformas! Assim, tipo varinha de condão.
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De Pedro Correia a 21.04.2011 às 19:09

Fantástico. O colapso financeiro do país resolve-se com a vossa solução: «Não pagamos!»
Extraordinário.
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De Anónimo a 21.04.2011 às 20:22

A nossa solução não se fica pelo não pagarmos, mas por orientarmos a europa para uma política socialista.
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De Pedro Correia a 21.04.2011 às 21:01

Sim, mas esse é um objectivo (vosso) de longo prazo. Como é que se resolve entretanto a urgente rotura de fundos nos cofres públicos que ameaça o pagamento de salários e de serviços essenciais?
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De Anónimo a 21.04.2011 às 23:12

Mas foi precisamente uma política que rejeitamos que nos trouxe a este ponto. Entenda isto, estamos a sedar a Europa, onde daqui a dois anos haverá outra crise de liquidez que obrigará o FMI (coitadinhos, sempre obrigados a aplicar políticas de choque!)a fazer mais uma tournée a baixar salários, obrigar a privatizações e etc.. Se estamos entre a espada e entre a parede? Sim, não há margem para uma política de esquerda dentro de um país apenas, precisamente porque os Estados perdem poder (se vêem no fundo obrigados!) ao transferir o pouco que lhes resta para os privados. A curto prazo a nossa opinião coincide com a dos keynesianos: criação de mecanismos de emissão de dívida europeia, bem como investimento massivo em obras públicas nas periferias. A longo prazo, tomar controle de toda a riqueza acumulada nos grandes grupos privados que detêm a maioria da economia, de modo a permitir a elaboração da planificação económica onde cada cabeça conte um voto.
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De Sérgio de Almeida Correia a 21.04.2011 às 12:22

Pedro,

Não sei se leste, mas é interessante a demarcação que é feita desta atitude do BE por parte do Rui Tavares (vê o Público de ontem).
Qualquer pessoa minimamente inteligente teria percebido o erro. Nem para eles são bons.
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De Pedro Correia a 21.04.2011 às 12:46

Não me espanta, Sérgio. Um artigo desta semana do Daniel Oliveira no Expresso on-line apontava na mesma direcção. Os sectores mais lúcidos do Bloco já perceberam que é um suicídio político o partido deixar-se envolver na estratégia do PCP, que os vai apertando como uma tenaz. Se continuam assim, os bloquistas transformam-se a prazo nos novos 'verdes' da Soeiro Pereira Gomes.
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De Anónimo a 21.04.2011 às 18:55

Sectores mais lúcidos, no seu ponto de vista, claro. Felizmente, dentro da ala que ainda detém o poder (PSR-UDP) ainda há algum radicalismo, ao contrário do sector "anarquista" tavares e aproximado ao PS "oliveira".
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De Pedro Correia a 21.04.2011 às 19:10

Do meu ponto de vista, claro. Se não se importa, e enquanto não vier aí a sua "revolução hiper-radical", importada de Sirius, continuarei a pensar pela minha cabeça.

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