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Sócrates: sim ou não?

por Pedro Correia, em 26.04.11

 

A eleição legislativa de 5 de Junho vai ser uma espécie de referendo à figura de José Sócrates, à sua capacidade governativa e ao legado dos seis anos em que esteve à frente do Executivo, quatro anos dos quais dispondo de uma confortável maioria absoluta. Haverá, obviamente, outros factores a motivar o voto, mas nenhum tão importante como a resposta a estas perguntas muito claras, muito simples e muito directas: Estamos hoje melhor ou pior do que estávamos em 2005? Quem é o principal responsável pela situação actual? Confia em José Sócrates para comandar os destinos do País?

São perguntas que transformam esta eleição num plebiscito ao ciclo político iniciado em Fevereiro de 2005. Quase como se estivessem impressas no boletim de voto.


23 comentários

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De João André a 26.04.2011 às 16:23

Caro Pedro, apesar de persistir nessa pergunta, a verdade é que os portugueses, se fizermos fé nas sondagens, parecem estar a querer responder a outra pergunta: de quem desconfiamos menos para estar à frente deste barco?

Poderemos fazer muitas análises à lucidez dos eleitores portugueses, mas parece ser cada vez mais provável que não haja muita confiança em Passos Coelho para suceder a Sócrates. Se no dia após as eleições acordarmos com um parlamento ainda dominado pelo PS e/ou onde a diferença de deputados entre o PS e o PSD seja curta, que conclusões tiraremos? Que Sócrates enganou os portugueses novamente (linha Pacheco-Pereirista)? Que Passos Coelho fez uma péssima campanha? Que os portugueses decidiram que Sócrates não terá feito um trabalho assim tão mau? Que perante um governo condicionado externamente os portugueses acabaram por preferir um mal conhecido a um possível mal desconhecido?

Não gosto desta análise porque pergunta o que irão "os portugueses" votar. Gosto de pensar que no dia da eleição, na solidão da cabine, cada português decide por si, com maior ou menor influência de outros factores (campanha, principais actores, políuticas defendidas, pressão da sua comunidade, sondagens, etc), mas cuja decisão de colocar a cruz será sua e apenas sua, não o resultado de uma acção de manada. É isso que diferencia uma votação deste tipo de uma votação em assembleia, onde a pressão dos pares é muito mais fácil de ser exercida.

Pessoalmente não consigo votar em nenhum dos partidos que estão neste momento no Parlamento. Tenho o meu posicionamento ideológico mais próximo daquilo que o PS nominalmente defenderia, mas não tenho a menor confiança na possibilidade de Sócrates ser de esquerda nem na sua palavra (embora o ache competente para aquilo que quer ser). No PSD não me vejo a votar, sendo que Passos Coelho ser para mim um clone de Sócrates (que tenta distanciar-se dele) só ajuda a essa decisão. O BE tem alas que me agradam, mas sendo actualmente o partido de Louça, não leva o meu voto (embora num círculo que não fosse o da Europa talvez ficasse tentado a tentar eleger um ou outro deputado). No PCP e no CDS não voto, por questões de princípio (embora eu tenha estado informalmente ligado ao PCP no passado e ainda tenha muito respeito pelo partido e as suas pessoas).

Se votasse hoje seria em branco. Em Junho talvez também. Em qualquer dos casos eu não vou votar em quem nos vai governar. Nem eu nem ninguém. Bom, talvez Vítor Constâncio...
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De Pedro Correia a 27.04.2011 às 09:48

Meu caro: não tenho a menor dúvida de que o resultado desta eleição, seja ele qual for, será interpretado como uma espécie de plebiscito à figura e à actuação de Sócrates. Ou seja, implicitamente, será uma resposta à seguinte questão: o eleitorado português quer que o ciclo socrático se prolongue mais quatro anos ou que chegue ao fim já a 5 de Junho?
Na noite eleitoral, os comentadores políticos falarão muito disso, haja o resultado que houver. Quanto às suas dúvidas enquanto eleitor, sinta-se acompanhado: muitos portugueses, talvez mesmo a maioria, partilham das suas dúvidas e do seu desencanto. E têm fortíssimas razões para isso.
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De Desconhecido Alfacinha a 26.04.2011 às 16:46

Caríssimo,

Recém regressado ainda fui a banhos hoje de manhã. Quanto à Meteo está como vê... As manhãs são o melhor!

Cada vez encontro mais exemplos de Cidadãos que, escudados na sua Ignorância, cortam a direito com a argumentação de "Ladrões, eles são todos iguais" e, creio, se preparam para ignorar tudo a 5 Junho na ilusão de que tudo se poderá manter como está.

De novo a cobardia de nem sequer querer tomar conhecimento (e consegui-lo, infelizmente) dos problemas e suas origens. Quanto mais resolve-los ou participar/contribuir na sua resolução!

Falo/Escrevo de barriga cheia claro está. Que este conjuntura não me traz - nem se prevê - problemas à séria. Mas nem os Portugueses que se antevê virem a te-los de tal querem saber...

Forte abraço, desta vez a Norte e - do pouco que entre-vejo/conheço - boas leituras. Eu despachei 2 PaperBacks, bendita Amazon!
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De Pedro Correia a 27.04.2011 às 09:00

Caríssimo,
Destaco esta sua frase, bem sábia: «De novo a cobardia de nem sequer querer tomar conhecimento (e consegui-lo, infelizmente) dos problemas e suas origens. Quanto mais resolvê-los ou participar/contribuir na sua resolução!»
De momento, não me queixo da meteo. Trouxe para sul um excelente Le Carré, sobre a mentira e a duplicidade - tema que se aplica aos serviços secretos mas também à política. Sempre instrutivo, este autor - faça chuva ou faça sol.
Bom descanso a norte, é o que lhe desejo. Forte abraço.
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De Anónimo a 27.04.2011 às 11:14

Meu caro,

Aproveite. Curiosamente ontem comecei o "Our kind of traitor" e tenho quase tudo do Le Carré. Quanto a descanso lamentamos mas regressei a Avenida Laboral.

Um abraço e boa praia,
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De Pedro Correia a 27.04.2011 às 22:34

Obrigado, meu caro. Farei por isso.
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De Miguel a 26.04.2011 às 21:38

Caro Pedro,

Fico sempre surpreendido quando leio que as eleições se resumem a avaliar o que já aconteceu. Como se o objectivo fosse encontrar uma equipa governar para o nosso passado.
Uma especie de curadores de um museu...imagino eu.

Longe de mim pretender que os eleitores não vão, ou não devem avaliar o Governo cessante e, especificamente, José Sócrates. Podem, devem e...certamente que o farão.

Assim, como de certeza que levarão em consideração que conhecem de PPC e do PSD. Nem podia ser de outra forma.

O que é surpreendente é que evite ostensivamente colocar a pergunta a que os Portugueses estão de facto a responder. "A que partido dá o seu voto para que forme o Próximo Governo?".
Quem prefere, das escolhas disponiveis? em quem confia mais, de quem desconfia menos? Quem governará melhor? Quem tem a melhor visão para o pais?

As perguntas são todas para o futuro.

E o seu texto, deixa aquela impressãozinha que teme que os portugueses comparem Sócrates com Passos Coelho e concluam que entre os dois....se calhar o Sócrates ainda lhes parece preferivel.

O risco é real e PPC a si e á sua equipa o deve. Mas o Pedro Correia não devia ter receio de colocar a pergunta correcta...

miguel
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De Fernanda Valente a 26.04.2011 às 22:17

Óptimo comentário, caro Miguel.
Subscrevo-o inteiramente...
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De Pedro Correia a 27.04.2011 às 09:43

Não digo que todas as eleições são assim. Digo que esta será assim - um plebiscito à figura de Sócrates. Acontece aos políticos que dividem as águas, como é o caso. Quem pode governar melhor? É naturalmente, quem souber estabelecer mais e melhores consensos após 5 de Junho. Será o actual primeiro-ministro, que termina este mandato incompatibilizado com o seu próprio ministro de Estado e das Finanças e com o seu próprio ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros?
A resposta virá daqui a 38 dias.
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De helena maria marques a 27.04.2011 às 01:21

Boa noite, Pedro, há muito que não o comentava, tenho andado pelas incursões monárquicas e cada vez me convenço que D. Duarte é das pessoas mais lúcidas e que mais tem para dar a este país, mas enfim...

Quanto ao sseu post, perfeitamente escrito como sempre, pergunto-me que portugueses, 83% estão contra o governo e contra Sócrates, então quem vai votar nele? A abstenção é enorme, votos nulos, brancos também, a minoria que vota que é?
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De Pedro Correia a 27.04.2011 às 08:55

A abstenção vai ser muito grande, Helena. Tenho a certeza. Há cada vez menos gente a escolher os governantes portugueses. Seria bom que a nossa classe política estivesse atenta a estes sinais, à esquerda e à direita.
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De Pedro Coimbra a 27.04.2011 às 08:36

Se os números daquelas sondagens (??) estão correctos, há muita gente que confia.
Apesar das evidências.
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De Pedro Correia a 27.04.2011 às 08:51

A grande sondagem, sem aspas, será a 5 de Junho, Pedro.
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De Manojas a 27.04.2011 às 08:40

Dada a crise internacional que países estão hoje melhor do que em 2005?
Qualquer primeiro ministro de qualquer país é sempre o principal responsável da situação que vive o país.
Confio, sem dúvida, mais em José Socrates, do que em Passos Coelho, Paulo Portas, Louçâ ou Jerónimo de Sousa. E você Pedro Correia?
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De Pedro Correia a 27.04.2011 às 08:49

Faço minhas as suas palavras: «Qualquer primeiro-ministro de qualquer país é sempre o principal responsável da situação (em) que vive o país.»
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De Manojas a 27.04.2011 às 08:54

E, sim, para ser mais preciso, confio mais no PS de Sócrates, do que no PSD de Coelho, do que no CDS de Portas, do que no BE de Louçã, do que no PCP de Jerónimo. Feliz ou infelizmente, como queira.
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De Pedro Correia a 27.04.2011 às 09:38

Falta especificar se tem mais confiança no Sócrates de Setembro de 2009 ou no Sócrates de Abril de 2011 - ou seja, no Sócrates que transformou Teixeira dos Santos na estrela da lista eleitoral socialista pelo Porto ou no Sócrates que escorraçou Teixeira dos Santos das listas eleitorais. Falta especificar se tem mais confiança no Sócrates da primeira quinzena de Abril de 2011 ou no Sócrates da segunda quinzena de 2011 - ou seja, no Sócrates que jurava que não governaria com o FMI ou no Sócrates que está a governar com o FMI.
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De A. Luís a 27.04.2011 às 10:40

Caro Pedro!

Tenho muito "medo" que em 5 de Junho, Sócrates seja novamente o escolhido...
Ele e o partido dele são suficientemente "perigosos" para o conseguir...
Você não tem? Nem um bocadinho?

Abraço.
A. Luís
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De Pedro Correia a 27.04.2011 às 22:36

Meu caro António Luís: penso naquela frase do general De Gaulle, «as coisas são o que são». As sondagens - todas - indicam que ninguém tem dúvidas sobre o responsável principal desta crise. E não adianta escorraçar Teixeira dos Santos das listas eleitorais: ninguém se ilude.
Um abraço.
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De Manojas a 27.04.2011 às 15:15

Ó Pedro Correia, que fraca argumentação. Afinal o seu ideário poliítico resume-se a uma paranóia anti-socrática. Deixe lá o Teixeira dos Santos defender-se a ele próprio, ele tem arcaboiço para isso. Quanto ao pedido de ajuda, que podia fazer o primeiro ministro, em gestão, contra os bancos, contra o Presidente da República, contra a coligação PSD, CDS, BE, PCP e Verdes, contra a comunicação social, contra os comentadores encartadosl? A apoiá-lo só o PS e mesmo assim com alguns traidores infiltrados, como o abjecto Carrilho. Estou enganado?
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De Pedro Correia a 27.04.2011 às 22:42

Você é um espanto. Criticar Sócrates, para si, é «paranóia anti-socrática». Carrilho, a mais audível voz crítica do PS actual, é "abjecto" e "traidor". Isto é linguagem típica do Partido Comunista Cubano: esperava algo diferente de si.
Quanto ao surpreendente afastamento de Teixeira dos Santos das listas eleitorais, como se fosse um caco velho, você continua a fugir ao debate dizendo "ele que se defenda". E siga a marinha, como se nada se passasse...
Extraordinário, de facto. Isso é que é ter argumentos fortes?
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De Manojas a 28.04.2011 às 08:47

Chamar à liça o PC Cubano, e vá lá não ser o Nortecoreano, é azedar a conversa. Não alinho! Mas não quero deixar de lhe recordar que os que fingem agora lamentar a não escolha de Teixeira dos Santos para deputado, são aqueles quem há bem pouco tempo diziam ou pensavam que ele devia demitir-se ou ser demitido de ministro dada a sua má actuação. Eu nunca tive essa opinião. E o Pedro Correia?
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De Pedro Correia a 29.04.2011 às 12:25

Fica-lhe bem rejeitar a comparação com o PC Cubano. Registo, com agrado.
Quanto ao Teixeira dos Santos, devolvo-lhe a pergunta: os que eliminaram Teixeira dos Santos das listas eleitorais não são aqueles quem há bem pouco tempo diziam ou pensavam que ele era um excelente ministro?

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