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Delito de Opinião

O circo já chegou à cidade

Teresa Ribeiro, 07.04.11

Confiantes no seu poder de sedução, os todo-o-terreno foram os primeiros a avançar para a pista, com umas anedotas novas e a descontracção habitual. A seguir vieram as meninas arrivistas, vestidas de majorettes, com novo sotaque e novo par. Os jovens promissores, ainda sem passado, limitaram-se a desfilar sob as luzes intensas.

Ofegantes, os sobreviventes chegaram pouco depois, aos cardumes, agarrados às boias das pessoas certas, enquanto os directores cessantes tocavam violino na esperança de espantar os peixinhos que já lhes mordiam as canelas. Os barões, como estão sempre assinalados, só tiveram de ocupar os seus lugares de sempre e ficar a ver o cortejo que fechava com uma conhecida trupe de contorcionistas, constituída por empresários, consultores e especialistas, mas também composta por gente anónima. Era ver os proscritos a sair da casca, os saídos da casca a meter o rabo entre as pernas, os ressentidos a salivar, os ostracizados a por-se em bicos de pés e os que antes tinham caído em graça a tentar agora a sua sorte como comediantes de stand up comedy.

No camarote sorriam, divertidos, e acenavam à plateia. "Um grande espectáculo", alguém disse no final. "Yes, yes", apressaram-se os outros a responder. O camarote estava à cunha. Estavam lá para cima de vinte men.

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