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O inominável

por Pedro Correia, em 06.04.11

 

Deixa um país mais endividado, mais insolvente, mais instável, mais depauperado, mais desigual, mais desagregado, mais desprotegido, mais pobre, mais distante da média europeia, mais dependente do estrangeiro, com menos esperança.

Deixa uma sociedade mais intolerante, mais crispada, muito menos confiante nas instituições, muito mais dissociada da democracia, mais à mercê do primeiro demagogo que irrompa no horizonte.

Deixa um partido mais frágil, mais fechado, mais desacreditado, menos influente, menos mobilizador, mais desprestigiado, mais distante do pulsar da sociedade.

O inominável deixa uma pesada herança - no País e no partido. Não admira, por isso, que muita gente já nem consiga citar-lhe o nome. Aludem a ele dizendo "o que está no governo". Por vezes, para o designar, recorrem à expressão "esse indivíduo" ou a outras, várias das quais irreproduzíveis.

Para o País, vítima da sua inultrapassável arrogância e da sua manifesta incompetência, a possibilidade de vê-lo enfim a léguas do poder constitui um bálsamo digno de registo.

Para o partido, é um trágico equívoco apresentar-se a eleições com "esse indivíduo" como cabeça de cartaz: ele funciona como uma garantia antecipada de um desaire histórico. Porque os eleitores conhecem-no hoje bem de mais. Ao ponto de muitos já nem conseguirem pronunciar o nome deste vendedor de ilusões, o último que parece ainda capaz de acreditar nos ecos voláteis da sua própria propaganda.


22 comentários

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De Paulo Sousa a 06.04.2011 às 23:43

Já está. A realidade vergou o tipo. O triste alívio que senti ao ver Primeiro Ministro do meu país a assumir a incapacidade da República em cumprir com as suas obrigações financeiras, só tem explicação pela clivagem e pelo clima de persiguição que Sócrates insituiu na sua relação com todos os que se lhe opõem. Desse modo levou-nos à falência, dividiu o país e enfranqueceu a democracia.
Na conferência de impensa após o jogo, um dos derrotados da noite (os outros foram os 10 milhões de portugueses) não hesitou em tentar manter as mentiras e apontou o chumbo do PEC IV como a causadora da sua/nossa derrota. Mas como disse o Bruno Nogueira no Tubo de Ensaio, os PEC's de Sócrates fazem lembrar aquelas gordas que enfardam três brigadeiros, duas fatias de bolo de bolacha, uma de cheesecake e no fim pedem adoçante para o café. Depois da imensa estúrdia de quinze anos de socialismo alimentado por dinheiro dos outros, passo a redundância, a culpa da obesidade mórbida da República, é do Canderel. Sócrates igual a si mesmo.

http://valedoanzel.blogs.sapo.pt/88469.html
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De Pedro Correia a 07.04.2011 às 11:31

Depois do que sucedeu ontem, caro Paulo, proponho-lhe (e aos leitores) este exercício: ouvir novamente a entrevista que o Brian Cowen português concedeu esta segunda-feira à RTP. Ficamos com uma imagem exacta do seu valor como político e da credibilidade do seu discurso.
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De Carlos Faria a 06.04.2011 às 23:51

O que disse do inominável concordo, sobre a garantia de desaire, repito o que escrevi no meu último artigo da minha coluna habitual no jornal Incentivo:
"A democracia tem perigos e um deles é de permitir que pessoas incapazes e demagogas possam ser eleitas. Pior ainda, depois de tanto mentirem, esses eleitos podem continuar a enganar, recandidatar-se e a serem reeleitos com base nas confusões que gerarem para esconder a verdade. A democracia portuguesa está em risco de beber este veneno destilado por Sócrates."
Cada vez estou mais convencido do que escrevi.
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De Pedro Correia a 07.04.2011 às 11:28

Não foi isso que sucedeu na Irlanda, Carlos. O Fianna Fáil, partido do inominável lá do sítio, recolheu apenas 15% dos votos nas últimas legislativas - o pior resultado eleitoral de sempre.
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De Gonçalo Correia a 06.04.2011 às 23:59

A herança destes anos socráticos é qualquer coisa inominável. Ele incluído, claro.
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De Pedro Correia a 07.04.2011 às 11:27

Este "líder" que jura não pedir um empréstimo de emergência na segunda-feira, recebe um ultimato dos banqueiros na terça-feira e pede o referido empréstimo na quarta-feira - como ele próprio diz, "o mundo muda muito em dois dias" - tem um lugar garantido na História, como referiu aqui o nosso António Manuel Venda. Pelos piores motivos.
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De André Miguel a 07.04.2011 às 00:12

Caro Pedro,
O inominável ganhou duas eleições.
É um perito em ilusionismo. Tal como ele deu provas da sua profunda incompetência económica, o povo português não lhe fica atrás nesse capítulo. Além disso é mestre em fazer-se de vitima e é conhecida a simpatia do nosso povo por coitadinhos.
Mas tenho esperança que muitos, como eu, festejem o dia que a dita personagem saia definitivamente de cena.
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De Pedro Correia a 07.04.2011 às 11:24

Depois de enterrar o País, pode enterrar também o partido. Devia fazer como o vizinho do lado, 'su gran amigo', que anunciou a saída de cena, embora a contragosto. É uma condição necessária para que o partido não naufrague.
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De Anónimo a 07.04.2011 às 06:42

Sinceramente, seria importante que todos em Portugal tivessem conhecimento destas palavras e gráfico: http://desmitos.blogspot.com/2011/03/casa-dos-horrores.html . De 1985 a 2005, entre altos e baixos, a dívida esteve sempre por volta dos 60% do PIB. É em apenas 6 anos que se chega ao descalabro absoluto. Os partidos de oposição, de direita e esquerda, tem de deixar isso claro ao povo. O PS merece ser erradicado, como o Fianna Fáil na Irlanda.
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De Pedro Correia a 07.04.2011 às 11:23

O PS merece ter outra liderança já. Mas para isso os socialistas têm de agir. Mário Soares deu o mote, há duas semanas, num artigo no DN. Medeiros Ferreira, Ana Gomes e Manuel Maria Carrilho - muito bem - têm feito duras críticas ao "líder". Mas são ainda vozes isoladas. Espero que o instinto de sobrevivência do partido desperte enfim.
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De a.marques a 07.04.2011 às 08:05

A negação sinistra de uma impossibilidade trágica.
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De Pedro Correia a 07.04.2011 às 11:20

Um balanço sinistro e trágico: a mais alta carga fiscal de sempre, a maior dívida, o mais elevado défice externo, a maior taxa de desemprego, o mais rude golpe aplicado ao estado social - incluindo cortes nos salários, nos subsídios complementares e nas prestações sociais.
Um dia recordaremos estes anos como anos de pesadelo.
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De Virgínia a 07.04.2011 às 08:08

Realmente o rating do 'homem' é 'lixo', bem tóxico.
A única coisa que ele conseguiu foi verificarmos o quanto o povo é solidário, quanto mais pobre mais contribui para matar a fome a todos os que pedem ajuda, seja através do Banco Alimentar ou de outras instituições.

Uma vitória do PSD, com maioria absoluta, também não me convence. Durão Barroso, quando foi para Bruxelas, deixou um governo com maioria e um substituto, Santana Lopes. E o que fizeram os 'iluminados' do partido? Com tanta coscuvilhice, inveja, facadas de bastidores, demissões atrás de demissões, trapalhadas atrás de trapalhadas... ninguém apoiou PSLopes, preferiram levar o PR a dissolver a assembleia.
O que que tenho constatado é que o pessoal do PS é mais unido... juntos na vida e na morte.

Para que conste e não haja mal entendidos, não voto nestes partidos.
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De Pedro Correia a 07.04.2011 às 11:17

A nossa credibilidade externa neste momento vale zero, Virgínia. Internamente, é o que se sabe: o 'líder' que na segunda-feira jurou aos portugueses, pela enésima vez, que não solicitaria ajuda externa de emergência, claudicou 24 horas depois perante um ultimato em uníssono dos banqueiros. Não me recordo de um rumo mais errático na política portuguesa dos últimos 35 anos.
No fundo, estamos perante a transposição para a política da doutrina Pimenta Machado: o que hoje é verdade amanhã é mentira.
Pior que a bancarrota financeira, só a bancarrota moral. Infelizmente, temos uma e outra.
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De Desconhecido Alfacinha a 07.04.2011 às 09:12

Meu caro,

Vamos a ver se a mentira e a opção fácil de preferirem serem enganados não se sobrepõem á necessária coragem aos Portugueses para que tomem conhecimento real dos nossos problemas, já nem digo resolve-los.

Por isso não se admire que ele ganhe o congresso. E as eleição em Junho.

Forte abraço,
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De Pedro Correia a 07.04.2011 às 11:13

Meu caro: quanto mais tempo o PS mantiver o actual "líder", mais anos permanecerá na oposição. Quanto às legislativas, há um precedente muito recente que tavez nos sirva de indicador: o Fianna Fáil, partido do governo na Irlanda, teve apenas 15% dos votos - o seu pior resultado de sempre.
Quando os países entram em colapso, geralmente a culpa é do (des)governo e não das oposições.
Um forte abraço.
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De Desconhecido Alfacinha a 07.04.2011 às 12:06

Meu Caro,

O Henrique Raposo explicou-se melhor do que eu, o que é perfeitamente natural diga-se:

http://aeiou.expresso.pt/um-modo-de-vida-que-morre=f642289

Forte abraço,
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De fatima a 07.04.2011 às 11:21

Que Deus nos ajude, Pedro, que eu até tenho medo do que li no comentário do Carlos Faria. Acredite que tenho.

Mas vamos respirar fundo e fazer uma pausa para continuar o nosso trabalho. Bem merecemos. Obrigada.
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De Ana Vidal a 07.04.2011 às 12:19

O inominável, como lhe chamas e bem - ele não merece o nobre nome que usa - diz o que o povo assustado quer ouvir, sem nenhuma consideração por esse povo ou pelo seu país. Não é um palhaço, é um ilusionista, embora já não tenha nenhum coelho na cartola. E é também um escapista exímio. Neste país isso é extremamente perigoso, ainda mais quando quem é sério só tem más notícias para anunciar e muitíssimos sacrifícios a pedir. O PS sabe bem disso, Pedro. Se vai manter o líder a decisão é estratégica, não é ingénua. Não tenho assim tanta certeza desse desaire eleitoral em que confias, e isso apavora-me.

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