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Delito de Opinião

Convidada: MARIA TERESA LOUREIRO

Pedro Correia, 08.04.11

 

Aquela sensação de estar em casa que nos acompanha no dia-a-dia…

 

Moro num aldeamento «paradisíaco» com algumas particularidades, ou melhor obrigatoriedades, que o tornam mais agradável à vista do que a maioria dos aglomerados de vivendas que existem um pouco por todo o país: as casas são todas brancas, os batentes verdes ou castanhos, os telhados feitos com telha portuguesa, e as vivendas, independentemente do tamanho, são circundadas por uma área de jardim considerável, isto é, podemos tomar banho na relva sem ter de pedir ao vizinho do lado que nos segure na embalagem de champô.

Mas, infelizmente, quem escreveu os estatutos do aldeamento esqueceu-se de estabelecer algumas «obrigatoriedades» de boas práticas cívicas, sendo assim podemos dar liberdade de acção à nossa criatividade: adoramos ter um, dois, três cães, mas rapidamente chegámos à conclusão que é uma grande chatice ter cocó de cão na nossa relva; e se um de nós ou um convidado o pisa? Uma vergonha! Para além de que, há que admitir, dá um trabalhão a limpar, e cheira mal, ora essa! Por isso, abrimos os portões para os nossos cães irem fazer cocó nos passeios vizinhos. Também já vieram para aqui com essa coisa da oferta de sacos de plástico para cocó de cão, mas os saquinhos tinham o tamanho ideal para guardar coisas no congelador… irresistíveis, e se formos a ver, somos nós contribuintes que pagamos os sacos, por isso temos todo o direito em utilizá-los para o que nos der na real gana.  

Antes de morar neste aldeamento «paradisíaco», onde os cães gostam de ladrar e o donos de os ouvir (o barulho que fazem afugenta os ladrões, parece), morei em Campo de Ourique, numa rua que era conhecida pela rua do cagalhão. Acho que perdi conta das vezes que entrei em casa a cheirar a cocó alheio. Também aí insistiam, e continuam a insistir, em colocar sacos à disposição dos donos dos cães, mas também aí a criatividade que nos caracteriza como povo não tem limites, e os sacos têm um tamanho tão jeitoso... Mas em Campo de Ourique é muito mais fixe do que aqui no meu aldeamento, existe a mota-aspiradora de cocó de cão, que sobe os passeios, tipo todo-o-terreno, e se faz anunciar a dezenas de metros de distância, tal o pivete que exala. Ainda temos esperança que a «nossa» Câmara Municipal se lembre de arranjar um brinquedo daqueles para aspirar os passeios do aldeamento, desde que a uma hora que não nos incomode com o cheirete, claro!

Outra coisa que gostamos de fazer é de atirar lixo pela janela do carro, sobretudo na auto-estrada, depois de terminar o pequeno-almoço que não conseguimos terminar em casa; só faltava ficar com porcaria dentro do carro, que nojo! Além disso, tem montes de graça acompanhar pelo retrovisor a viagem do guardanapo de papel a voar ou da embalagem de cigarros a rolar estrada fora, ou não tem? 

Mas o que me faz mesmo sentir em casa é entrar num autocarro, numa camioneta, num eléctrico, etc., etc., etc., dizer bom dia e ser olhada (com sorte) com um ar de «olha para esta armada em esperta» e não obter qualquer resposta. Nessas alturas, inspiro fundo (com precaução), expiro de alívio, e penso, estou em Portugal, com os diabos!

 

Maria Teresa Loureiro

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