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Delito de Opinião

A cassete do pirata

Rui Rocha, 29.03.11

 

O primeiro-ministro convocou hoje os jornalistas para entoar o canto do cisne. Sócrates sabe que a situação actual é insustentável. Acredito que chegou a convencer-se, ao longo destes anos, que a sua governação reluzia. E que ele próprio era de ouro. Perdido o brilho ilusório, sobra-lhe a lata. Hoje, mais uma vez, ensaiou o seu número favorito. Vitimizou-se e atribuiu a responsabilidade da situação actual à oposição. Por isso, é preciso recordar-lhe que em  Novembro de 2004, Jorge Sampaio deu início a um processo de dissolução da Assembleia da República. Foram convocadas eleições antecipadas. Nessa ocasião, os juros não dispararam para níveis socratosféricos e as notações das agências de rating não se precipitaram para o abismo. A diferença de efeito das crises políticas tem seis anos de governação de Sócrates pelo meio, com a evolução de rating que aqui se recorda. Governação essa em que nunca um erro foi admitido. A mesma que levou a uma situação tão desafogada (viu-se!)que permitiu aprovar medidas eleitoralistas em 2009. Assim, Sócrates é o último a poder arvorar-se em cobrador de responsabilidades à oposição. Antes de mais, é o próprio Sócrates que deve prestar contas aos portugueses pela bancarrota a que conduziu o país. E é também aos portugueses que cabe exigir à oposição que apresente alternativas. Tivesse Sócrates um pingo de dignidade e este seria um julgamento democrático a que assistiria em contrito silêncio. Até porque, como Mário Soares oportunamente salientou, a própria crise política foi desencadeada pelo seu comportamento inqualificável. Igual a si próprio, porém, Sócrates optará até ao fim por utilizar os portugueses como alvo da sua arma preferida. A mistificação apresentada em suporte de cassete. Aliás, não fosse o caso de o país estar na situação desesperada a que Sócrates o conduziu e a melhor resposta à sua exigência de alternativas seria a apresentação de duas singelas promessas na campanha eleitoral: o aumento dos funcionários públicos e a descida do IVA.

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