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Cuba: 'libertar' é oprimir

por Pedro Correia, em 10.03.09

 

George Orwell, no seu romance 1984, falou da novilíngua, estratagema semântico que leva uma ditadura a referir-se a qualquer facto incómodo fazendo-o equivaler ao seu antónimo, geralmente muito mais aceitável pelo senso comum. Por exemplo: "Verdade é mentira" e "Guerra é paz". Lembrei-me disto ao ler o comunicado oficial do ditador cubano, Raúl Castro, que exonera dos seus cargos o vice-presidente Carlos Lage, também secretário-geral do Conselho de Ministros, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Felipe Pérez Roque. Ambos eram até há pouco estrelas em ascensão no firmamento castrista. Diz Raúl Castro que "liberta" estes "camaradas" das pesadas responsabilidades que vinham exercendo desde os tempos de Fidel, de quem eram delfins - eis a novilíngua no seu melhor.

Patética foi a reacção de Fidel a esta remodelação decretada pelo irmão: tratou logo de considerar "indignos" os dois exonerados, entretanto forçados a publicar no Granma humilhantes pedidos de desculpa à "revolução" cubana. Algo que faz lembrar as "autocríticas" de Kamenev e Zinoviev em 1936, no auge do estalinismo.

Eis um perfeito retrato da Cuba contemporânea: demitir é "libertar". Não admira tanto desconhecimento deste vocábulo por parte de um regime que há meio século prometeu "libertar" o povo cubano. Para o manter oprimido até hoje.

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3 comentários

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De Once a 10.03.2009 às 14:35

"demitir é libertar" dizes bem Pedro .. no sentido quase apocalíptico de desencarceramento, dada a realidade que por lá se vive.
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De manuel gouveia a 10.03.2009 às 14:37

Eu gostava de libertar o Sócrates...
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De Luís Reis Figueira a 11.03.2009 às 01:36

Obrigado, Pedro, por me ter recordado o "1984" que, por coincidência ou não, li nesse preciso ano, portanto, já lá vão 25...
Na verdade, é vergonhoso o que estes dois autênticos fantoches se prestam a fazer, a dizer, e a fazer dizer...
O mundo, o mundo novo que urge construir, precisa na verdade de novas lideranças com mais justiça, mais fraternidade, com uma nova ordem política, social e económica, mas dispensa bem estes Big Brothers de opereta que nada têm para lhe trazer, além da sua cassete mais que roufenha e gasta.

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