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O coro dos Calimeros

por Pedro Correia, em 14.03.11

José Sócrates e Teixeira dos Santos anunciaram a intenção de cortar pensões acima de 1500 euros (reparem que este é, na óptica do primeiro-ministro, o patamar da 'riqueza' em Portugal para quem passou uma vida inteira de trabalho a descontar para o fisco) e congelar as restantes, aceitando um diktakt do Banco Central Europeu, à revelia do programa sufragado pelos eleitores portugueses em Setembro de 2009. Embora saibam melhor que ninguém que não dispõem de maioria parlamentar para o efeito, procederam com a habitual inconsciência característica dos "animais ferozes", apostando tudo na política do facto consumado. Para esse efeito, julgaram desnecessário informar previamente o Presidente da República, os parceiros sociais e o Parlamento, apesar de na véspera Sócrates ter comparecido na sala das sessões da Assembleia da República para o longo debate suscitado pela moção de censura do Bloco de Esquerda. Diálogo? Que diálogo? A irresponsabilidade é de tal ordem que o chefe do Executivo e o ainda titular da pasta das Finanças não consideraram sequer a hipótese de levarem este "pacote de austeridade" (o quarto em menos de um ano) ao Conselho de Ministros, o que diz tudo sobre um estilo de governar.

Este mesmo duo vem agora lamentar-se de ser incompreendido, acusando o PSD de abrir uma "crise politica". Acabo de ouvir outro Calimero de circunstância - o ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão - afirmar que "há sinais que não são encorajadores", também ele de dedo apontado à oposição. Se há frases que se habilitam a receber um prémio destinado ao mais descarado eufemismo, esta é uma delas.

O Governo imita certos futebolistas que adoram simular faltas na grande área adversária, esperando ser recompensados com um imerecido penálti. Azar: neste caso, o País inteiro percebeu quem se atirou para o chão sem empurrão algum. E ninguém parece disposto a beneficiar o infractor. Vem aí cartão vermelho.


10 comentários

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De Alexandre Carvalho da Silveira a 14.03.2011 às 15:27

Socrates nunca foi de fiar, basta olhar para o seu percurso de vida, mas desta vez refinou-se. É claro para quem não anda distraido ( Marcelo Rebelo de Sousa, parece que anda), que ele está a esticar a corda, e resolveu fazer este "numero", agora secundado pelos peões de brega. Que eu saiba, entre ontem e hoje já falaram o Santos Silva, o Vieira da Silva, o Capoulas Santos, o Teixeira dos Santos, o Vitalino Canas, o Jorge Lacão, o Assis, até o Galamba agora bem aconchegado com mais uma prebenda, já postou no Jugular a atirar as culpas para a direita, que vejam lá, se recusa a comer o que lhe põem à frente, tudo em nome do interesse nacional.
Este orçamento rectificativo, porque é disso que se trata, vem mais uma vez por a nu a incapacidade do Socrates e Cª resolverem os problemas que nos arranjaram.
O desprezo demonstrado para com os outros orgãos de soberania, PR e Parlamento, não é mais do que uma tentativa, para correrem com ele. Que para mal dos nossos pecados, Cavaco não fará.
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De Pedro Correia a 14.03.2011 às 23:31

Sócrates, sem apoio maioritário no Parlamento, persiste em governar como se ainda gozasse da maioria absoluta que perdeu em Setembro de 2009. Com uma arrogância desmedida que nada tem a ver com a realidade.
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De tric a 14.03.2011 às 15:43

socrates, Bazza!! Pedro Passos Coelho, Bazzaaa! Um governo de Emergência Nacional, please!!! eleições agora é de uma inteligência impar...é Portugal estar nas mãos de crianças...
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De Pedro Correia a 14.03.2011 às 23:29

Você teima em meter Sócrates e Passos Coelho no mesmo saco. Felizmente para si a cegueira política ainda não paga imposto.
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De Carlos Alberto a 14.03.2011 às 15:48

Afinal o primeiro-ministro estava sózinho (não foi ele que usou esta expressão?) logo nunca podia ser penalti. LOL
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De Pedro Correia a 14.03.2011 às 23:28

Este primeiro-ministro já entrou numa fase em que faz falta contra si próprio.
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De José Moura pereira a 14.03.2011 às 17:01

Com a devida licença do Rui Rocha, permito-me diagnosticar aqui uma:
"Cessação de Vigência"
Ou então um "Estupor interruptos"?
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De Pedro Correia a 14.03.2011 às 23:27

Para já, caro José, estamos perante uma «vigência de estupor».
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De Pedro Coimbra a 15.03.2011 às 07:38

Tutti mi vogliono male perché sono piccolo!
E una injusticia, pero :)))
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De Pedro Correia a 15.03.2011 às 11:26

Io sono piccolo: grosso problema!

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