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Delito de Opinião

Histórias do Novo Mundo (8)

José Gomes André, 09.03.09

O Senado federal foi criado para funcionar como uma assembleia de elite, que controlaria simultaneamente a acção do Presidente e a legislação oriunda da “popular” Câmara dos Representantes. Nele serviram figuras notáveis da história americana (como Daniel Webster, Henry Clay, George Norris ou JFK) e hoje o Senado continua a fazer jus ao título de “clube mais exclusivo do mundo”. Todavia, nem sempre foi assim. No final do século XIX, o desenvolvimento das máquinas partidárias, dos lóbbies industriais e das pressões financeiras tornaram os senadores reféns de agendas específicas ou de interesses particulares.

Uma das histórias que melhor ilustra como esta câmara de elite deu lugar a uma assembleia corrupta sucedeu quando um jovem senador pediu a um dos seus mais antigos membros, Cushman Davis, que lhe descrevesse brevemente os seus novos colegas. À medida que estes se encaminhavam para os seus lugares, Davis iniciou então uma extraordinária enumeração: “Eis que chega um chacal; um abutre; um cão que gosta de atacar ovelhas; um gorila; um crocodilo; um busardo; uma velha galinha, que não para de cacarejar; um pombo; um peru”. Por fim, ao ver chegar um senador dos novos Estados do Oeste – gordíssimo, ambicioso, insolente e com um ar duvidoso, entrando no Senado de forma arrastada – Davis apontou o dedo na sua direcção e exclamou de forma exaltada: “Um lobo, senhor! Um lobo maldito, faminto, furtivo e cobarde!”.
Ao ler esta descrição, quase tenho vontade de a incluir na série “Passado Presente”, transferindo-a para uma realidade geográfica mais próxima de nós...