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Atão porquê?

por João Carvalho, em 28.02.11

«Teixeira dos Santos assegurou hoje que, se necessário, serão implementadas medidas de austeridade adicionais para baixar o défice.»

Lembrei-me daquela gasta anedota da alentejana que começara a usar "baton" e a quem o marido perguntava porque é que ela andava a pintar os beços.

— P'ra ficar mais bonita — respondia ela.

Atão porque é que ficas? — insistia ele.

Quanto mais se baixar o défice, melhor. Quanto mais se baixar o défice sem recurso a receitas e sim a menos despesa (mais austeridade), melhor. Há mais medidas adicionais que podem ser implementadas (palavra odiosa)?

Atão porque é que se implementam?

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8 comentários

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De zeparafuso a 28.02.2011 às 16:24

Cortar nas despesas do governo? É mais fácil criar um imposto, que a " malta " paga e não refila. ( ia dizer paga e não bufa, mas isto cheirava a regime anterior ). Além disso, o que são mais uns milhares a passar fome ou a assaltarem supermercados e pessoas ( pena que o assaltado não seja o ministro - esse já nos assalta e não é preso )
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De João Carvalho a 28.02.2011 às 16:26

Cortar? Não fui eu que disse. Foi o ainda ministro das Finanças.
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De António P. Castro a 28.02.2011 às 16:50

Não me parece que, na nossa já longa história, haja um período tão triste como este.
Nunca, nem mesmo na bagunça da I República, se juntou tanta incompetência simultânea nos dois postos-chaves da governação: a presidência do Ministério e as Finanças.
Logo nos calhou ser contemporâneos do Sócrates e do Teixeira dos Santos... Querem maior azar?
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De João Carvalho a 28.02.2011 às 18:04

Andou a gente a percorrer tantos séculos para chegar aqui.
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De Gonçalo Correia a 28.02.2011 às 18:34

O povo paga, ponto final

Era uma vez a dívida, que usa várias roupagens vistosas. Em qualquer inauguração faustosa, lá está ela com as suas vestes coloridas. De facto, a dívida é muito vaidosa. Tem tanto de vaidosa como de desastrosa, tal tem sido o seu espírito esbanjador. Essa dívida caminha, a passos largos e convictos, para um abismo financeiro. Aliás, ela tem como grande companheiro de caminhada o Gigante (Estado), claro.

Através dos dados conhecidos, de ano para ano, o caminho tem ficado mais inclinado. Novos recordes são atingidos. Imaginem, a dívida é mais veloz que Usain Bolt! Como é possível?! Sim, é possível. Os números não enganam, nem são para brincadeiras. Desculpem, como gostamos de brinquedos caros (tipo: submarinos e outros “gadgets”), andamos a brincar aos meninos mimados e materialistas que querem tudo e mais alguma coisa, desde que seja novo. Pior, por exemplo, se o vizinho tem um TGV, então, nós também temos de ter. Reparem, até temos um aeroporto sem aviões! É de ficar estarrecido só de pensar nos milhões enterrados naquela coisa inerte e em decomposição, em plena planície alentejana. Os alentejanos merecem mais respeito!

As coisas não ficam por aqui no que à dívida diz respeito. O Gigante, ávido de tantas modernices, cria formas de esconder a dívida nomeadamente através de uma coisa que dá pelo nome de PPP (Parcerias Público-Privadas; com hífen e tudo, sempre é mais fino). Dito de outra maneira, podemos considerar essas coisas de: Projectos Plutocráticos Portugueses. A saber:
- Projectos, porque envolvem grandes obras públicas com as inevitáveis derrapagens orçamentais;
- Plutocráticos, porque são construídos por grandes empresas de construção civil e, após a sua conclusão, ficam nas mãos de grande grupos económicos/financeiros;
- Portugueses, obviamente, porque são “Made in Portugal”.

Assim é mais fácil de perceber, certo? Também acho.

Porém, de uma coisa não há qualquer dúvida: seja dívida pública, seja dívida externa, elas existem e contribuem para alimentar a gula do Gigante. Este último era um “Zé Ninguém” sem elas. A dependência é total. E quem paga essa dependência? Perguntam alguns preocupados. Outros respondem logo, com ou sem palavras verbalizadas, algo do género: não interessa quando ou como pagamos, o que importa é termos essas modernices, nem que seja para inglês ver. Quem vier atrás que pague a factura! Ou, em alternativa, agrava-se um pouco mais nos impostos directos e/ou indirectos. Tanto faz! O povo paga, ponto final.
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De João Carvalho a 28.02.2011 às 18:52

Credo! «O povo paga, ponto final»? O seu "ponto final" é força de expressão, claro, porque depois é que se vê que a procissão ainda vai no adro. Ou seja: o seu final é apenas o começo.
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De Pedro Coimbra a 01.03.2011 às 04:37

Já não há "beços"?
Perdão, medidas, queria eu dizer.

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