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A Moção de Sócrates: copy, paste, delete

por Rui Rocha, em 27.02.11

José Sócrates apresentou ontem as linhas gerais da sua Moção ao Congresso do PS. De acordo com a informação disponível, a fórmula que traduz esta proposta política é: José Sócrates = a proposta anterior - regionalização. Trata-se, portanto, de uma sequela. Em geral, as sequelas têm como objectivo explorar uma fórmula comercial de sucesso. Em regra, não conseguem alcançar esse objectivo. O problema com a Moção de Sócrates é mais grave. A sequela proposta pretende reproduzir um insucesso. Trata-se da sequela de uma mazela. A visão de Sócrates para o país não funcionou. Mas, perante esta evidência, o ainda Primeiro-Ministro não propõe nada de novo. Sendo este o texto, importa ainda apreciar o contexto. E esse é dado pela intervenção de Sócrates. Aqui, sublinha o apelo à continuidade e à estabilidade. Ora, a estabilidade e a continuidade são coisas que se desejam para fórmulas de sucesso. O que Sócrates quer oferecer ao país é a estabilidade de um programa que conduziu  à derrapagem das contas públicas, à perda do poder de compra por via de cortes de salários e aumento da inflação, à subida dos juros da dívida para níveis incomportáveis, ou à tendência de crescimento do desemprego? O mínimo que se podia exigir a Sócrates é que apresentasse ao PS e a Portugal um desejo de mudança. Que começasse nele próprio. Um acto de contrição, um balanço crítico e um projecto de renovação. Optar por propor mais do mesmo revela um estado de contentamento consigo próprio que não tem justificação na situação real. A continuidade e a estabilidade propostas por Sócrates não podem entender-se, neste contexto, como um projecto colectivo. Pelo contrário, são um programa unipessoal de permanência no poder contra toda a evidência. Constatada a  falta de comparência ao debate das alternativas que existem dentro do PS, a única forma de lhe pôr termo é a crise política que deverá ser aberta logo que os factos (as contas públicas e a intervenção externa directa ou encapotada) certificarem a inustentabilidade da situação. A teimosia é de Sócrates. Mas, a cabeça que bate na parede é a do país. Ao copy/paste proposto por Sócrates é preciso responder pressionando, convictamente e no momento próprio, a tecla delete.

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