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Educação perversa

por Laura Ramos, em 25.02.11

 

No Jornal i, verdades velhas.

Bem conhecidas de qualquer mãe de filhos-homens, que tenham vivido a fase pré-escolar e o ensino básico aí pelos anos 90 e pelos primeiros anos deste século.
Só agora é que lá chegaram?
Quando eu me embrenhava na vida escolar da descendência, até aos mínimos pormenores, já então não podia evitar o  distanciamento crítico e aperceber-me dessa evidência que era a feroz feminização do ensino, na tenra idade em que se molda a personalidade dos homens e das mulheres, no seu diário de sucessos e insucessos.
E eu, que cresci num tempo em que persistiam, bem potentes e injustas, as  résteas sexistas  do sagrado direito à concorrência desleal masculina, vi-me mãe-investida-em-advogada-do-diabo, a  insurgir-me contra um sistema de aprendizagem e de avaliação totalmente dominado pelo modelo de comportamento feminino, onde os rapazes não encontravam espaço cognitivo nem  re-cognitivo.
Há dez anos atrás, numa daquelas penosas reuniões de escola, gostava de ter tido à mão este artigozinho para acenar à maioria dos pais estupefactos perante mim, quando tentava insinuar assertivamente esta realidade.
A ideia era influir no processo em curso nas aulas e sensibilizar os responsáveis para esta pequena grande perversão involuntária.

Mas é claro que o quorum foi escasso e ficou tudo na mesma.

 

(Nota: escrevi isto há um ano, a propósito disto, e assim o assunto vai andando a ritmo de caracol... Agradeço o link do i.)

 

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4 comentários

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De Adão de Oliveira a 27.02.2011 às 10:12

Os meus parabéns pela replexão sobre este assunto.

Tenho três filhos estudantes (2 rapazes e uma rapariga), dos quais sou o encarregado de educação, tenho estado envolvido em associações de pais, e nunca tinha pensado nisto.

Parece-me ser pertinente, pelo menos, analisar esta problemática e consciencializar pais/encarregados de educação e professores para a mesma.

Cumprimentos.
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De Laura Ramos a 27.02.2011 às 11:16

Por mim, não tenho grandes dúvidas de que o sistema gerou um desequiíbrio enorme, que leva a uma uniformização claramente penalizadora para os rapazes, mesmo quando eles são bons alunos. Porque não são só os resultados da avaliação que estão em causa, é todo o modelo formativo. Mas isto só fará sentido, se calhar, para quem observa muito de perto "o ambiente" educativo, e capta os seus pequenos-grandes paradigmas nos tiques e nas 'deixas' de todos os actores envolvidos...
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De Adão de Oliveira a 27.02.2011 às 19:51

Deduzo, pois, que a Laura seja professora, e atenta, para além de encarregada de educação, também atenta.

Mais uma vez, os meus parabéns. Tenho contactado com inúmeros professores e inúmeros pais / encarregados de educação e, mesmo nos casos daqueles que têm as duas qualidades / funções, não tenho descortinado assim tanto interesse e envolvimento nestes problemas.

Obrigado pelo seu contributo.
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De Laura Ramos a 27.02.2011 às 23:53

Adão de Oliveira, não sou professora. Sou mãe. E como é normal, preocupada com um fenómeno que me entrou (entra) pela vida dentro e convoca a minha tentativa de compreensão. E digo-lhe mais: nunca fui fanática das reuniões de escola, fui sempre por obrigação e com o cepticismo de quem não acredita muito nas virtudes dos "filhos super protegidos por pais super atentos". A certa altura, confesso-lhe, desisti de ir (aliás, reduzi as coisas aos mínimos decentes). Perdi totalmente as ilusões acerca da utilidade da minha presença e da maioria dos pais, porque me cansei de encontrar professores (educadores) muito estimáveis mas completamente impermeáveis a qualquer pequeno contributo crítico: eram mentes quadradas, autênticos papagaios falantes, sem chama (que não a resultante da cassette aprendida). Desde então, o meu cepticismo metamorfoseou. Passou a ser quase cinismo...

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