Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Onde pára a esquerda das liberdades?

por Rui Rocha, em 23.02.11

De acordo com a cartilha oficial, existem algumas regras de trânsito político que são inquestionáveis. Entre elas, aquela que afirma que quem quiser encontrar a defesa intransigente da liberdade e da democracia deve circular pela esquerda do espectro partidário. Pois é isso que tenho feito. Para me orientar no meu percurso, parti de outro axioma. O de que o PS é um partido de esquerda. Assim, nessa viagem em busca de posições claras em defesa da liberdade, decidi iniciar a viagem no PCP e fazer do PS a última etapa. E, se parti com entusiasmo, confesso que me desiludi logo no princípio. Ali onde esperava uma ampla apologia das liberdades, eis que deparei com o apoio mais ou menos explícito às ditaduras cubana, chinesa ou coreana. Restava-me seguir viagem, renovando a esperança em cada uma das próximas paragens. Recordo ainda o entusiasmo com que me aproximei do Bloco. E a decepção que este constituiu logo que constatei que o único sítio onde o Bloco apoia a revolta é Portugal. Aos costumes ditatoriais de outras paragens, o Bloco diz nada. Ou pior do que isso. Ao que parece as luzes de Teerão exercem um estranho fascínio sobre certas personalidades próximas do BE. Não podendo tratar-se de desvelo pelo iluminismo iraniano, deve tratar-se de um estranho amor pelas iluminações de rua. Sobrava-me então o PS. E aqui, caro leitor, fiquei estupefacto. Mubarak, Ben Ali e Eduardo dos Santos eram ou ainda são companheiros de José Sócrates na Internacional Socialista. O mesmo José Sócrates que ontem fugiu aos jornalistas quando lhe perguntaram sobre a situação na Líbia. E que foi recentemente o menino de ouro de Khadafi na comemoração do 41º Aniversário da Revolução Líbia. O que encontrei foi então uma esquerda comprometida, prisioneira de interesses e comparsa de ditadores. Só me resta concluir que a defesa desinteressada e altruísta da liberdade não passa por ali.


14 comentários

Imagem de perfil

De João Carvalho a 23.02.2011 às 08:51

A esquerda das liberdades é como o TGV: não pára. Sou incapaz de confirmar que a própria liberdade não passa por ali: pode ser que passe, mas nunca diz a que horas é que passa...
Imagem de perfil

De Rui Rocha a 23.02.2011 às 09:21

Tem horas, portanto.
Sem imagem de perfil

De Joana Lopes a 23.02.2011 às 10:19

Caro Rui Rocha,
Há mais esquerda para além dos partidos...
Sem imagem de perfil

De Carlos Silva a 23.02.2011 às 10:47

Concordo contigo. Não é só nos partidos que podemos encontrar gente de esquerda, não. Posso dizer-te que há gente dessa e gente boa, em grupos tidos conservadores, alguns matriculados em partidos de direita. Isto é verdade, embora, para algumas pessoas, pareça que não. E também não há dúvida de que nos partidos ditos de esquerda está muita gente de de esquerda não tem nada. A raça humana tem destas coisas...
Imagem de perfil

De Rui Rocha a 23.02.2011 às 11:57

E concordo consigo, Carlos.
Sem imagem de perfil

De singularis alentejanus a 23.02.2011 às 11:45

E da mesma forma, há mais direita para além dos partidos. Infelizmente, sobretudo para o País, não estão representadas no parlamento. Teêm classe e saber a um nível mais elevado, logo não compatível com essa espécie de gente que se auto-intitula de deputados.
Imagem de perfil

De Rui Rocha a 23.02.2011 às 11:58

E também concordo consigo, Singularis. Embora não adira ao argumento do nível mais ou menos elevado.
Imagem de perfil

De Rui Rocha a 23.02.2011 às 11:56

Concordo. Situei o debate na dos partidos.
Imagem de perfil

De José Manuel Faria a 23.02.2011 às 11:59

E também há gente de esquerda nos partidos que não concordam com as opções de "política real" das direcções desses partidos. É lamentável o silêncio do BE e do PCP quanto ao "caso" Líbio. Nem uma pequena nota do secretariado ou da comissão política.
Imagem de perfil

De Rui Rocha a 23.02.2011 às 12:09

Antes de escrever o post tive o cuidado de pesquisar o site do BE e do PCP. Nada.
Imagem de perfil

De Eduardo Louro a 23.02.2011 às 14:44

Partidos (caramba, quando é que inventam uma democracia sem partidos?) e respectivos comportamentos - quase sempre pouco recomendáveis - à parte, o que conta são valores. E esses, por muito que custe a muita gente, não são aprisionáveis por nenhum partido nem sequer por nenhuma ideologia. Às vezes uns (valores) encaixam melhor ou mais facilmente numas (ideologias) que noutras. Por mim sigo-me por valores, pelos meus - onde a liberdade está no topo - e estou-me verdadeiramente nas tintas quando nuns casos possa ser "lido" à esquerda e, noutros, à direita.
Imagem de perfil

De Rui Rocha a 23.02.2011 às 16:39

Nem mais, Eduardo.
Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 23.02.2011 às 14:45

Certo, mas a realpolitik não é exclusivo da esquerda...
Imagem de perfil

De Rui Rocha a 23.02.2011 às 16:38

Claro que não, Teresa. O LMJ já nos esclareceu sobre isso lá em cima.

Comentar post



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2021
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2020
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2019
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2018
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2017
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2016
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2015
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2014
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2013
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2012
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2011
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2010
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2009
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D