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Ao fim de vários dias de ensurdecedor silêncio, o Ministro dos Negócios Estrangeiros veio hoje, ao final da tarde, pronunciar-se finalmente sobre o banho de sangue que Kadhafi está a infligir ao seu próprio povo. Os números apontam, até ao momento, para centenas de mortos e milhares de feridos. Os métodos utilizados incluem o recurso a mercenários, o assassinato e o bombardeamento de manifestantes. Perante este massacre, Luís Amado tem a dizer o seguinte:

"Esperamos que as autoridades líbias tenham a consciência da gravidade dos actos que estão neste momento a ocorrer e possam conter a dinâmica de violência que se tem vindo a instalar, pondo em causa os interesses do país, designadamente no âmbito das suas relações com os países vizinhos árabes e europeus"

Ou seja, o Ministro não condena o regime ou a violência. Não exige a suspensão imediata da repressão. Não perde um momento a apelar a uma transição para a liberdade. Simplesmente, espera.  E espera consciência. De quem tem as mãos manchadas de sangue derramado por inocentes ao longo de 42 anos. Ao crime chama Luís Amado dinâmica de violência. E isso demonstra bem que a posição do governo português sobre a questão da Líbia é estática. Na verdade, continua ancorada na hipocrisia e na subserviência aos interesses de um celerado que já não tem o apoio, sequer, dos seus próprios ministros e corpo diplomático.

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12 comentários

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De José Manuel Faria a 22.02.2011 às 22:04

- É o governo português e as direcções partidárias da direita à esquerda. O que os une?

Caro Rui, surripiei o seu post :)
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De Rui Rocha a 22.02.2011 às 22:07

Tem toda a razão. O silêncio é abrangente. E as poucas palavras são muito curtas para a gravidade do que se está a passar.

(sirva-se à vontade, meu caro).
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De Gonçalo Correia a 22.02.2011 às 22:19

Caro Rui, deixo aqui um breve texto que já escrevi sobre este assunto:

"Punishment comes one way or another"

Khadafi, ditador líbio há mais de 40 anos, afirmou: “Eu não sou o Presidente, sou o guia da Revolução” (fonte: jornal Público). Ao ler esta afirmação, lembrei-me da principal mensagem do excelente filme "True Grit", dos irmãos Coen, supra citada. Mais tarde ou mais cedo, esse ditador será derrubado do Poder.

Adenda: alargo a tal citação ao (des)governo português, claro.
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De Rui Rocha a 22.02.2011 às 22:24

Concordo, Gonçalo. Vai cair. A questão é saber quantos inocentes vai arrastar para a morte antes de cair. Quanto ao Governo português, está igual a si próprio. Incompetente e hipócrita.
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De João Carvalho a 22.02.2011 às 22:30

Acresce a esta hipocrisia subserviente a recusa de Sócrates para comentar aos jornalistas a tal «dinâmica de violência». O primeiro-ministro, ao pedido explícito e cordato dos repórteres, não teve uma única palavra a dizer. Virou-lhes as costas, numa "dinâmica de má-criação", também chamada «dinâmica anti-estadista».
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De Rui Rocha a 22.02.2011 às 22:43

Essa escapou-me, João. Nada a acrescentar ao que disseste sobre essa tal dinâmica.
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De Carlos Alberto a 22.02.2011 às 23:06

Ia escrever uma piada acerca disso, que metia Magalhães, financiamentos e outras ordinarices mas, o caso é tão grave que não o vou fazer.
É absolutamente repugnante o que o PM fez e o que o governo português está a fazer perante o maior massacre dos últimos tempos.
Não me lembro (posso estar enganado) de um governo mandar a força aérea bombardear o seu próprio povo. Talvez na Somália e antes só mesmo o Saddam Hussein.
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De João Carvalho a 22.02.2011 às 23:13

Tem razão, Carlos.
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De Pedro Correia a 22.02.2011 às 23:25

Enquanto o ministro da Justiça e o ministro do Interior líbios já abandonaram Kadhafi, o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros (expressão apropriada, "negócios estrangeiros") ainda não abandonou o grande líder de-mãos-manchadas-de-sangue da Líbia "socialista".
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De Rui Rocha a 22.02.2011 às 23:28

Caso de fidelidade canina, Pedro.
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De Pedro Coimbra a 23.02.2011 às 04:49

O Muammar borrou-se todinho depois destas palavras do Luís.
De riso, obviamente.
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De Rui Rocha a 23.02.2011 às 08:16

É, Pedro. E depois da fuga de Sócrates quando os jornalistas lhe perguntaram sobre o assunto o Muammar ficou mesmo em pânico.

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