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Os jagunços do ditador líbio

por Pedro Correia, em 20.02.11

 

Financiou o terrorismo internacional. Sob o seu mandato, pelo menos 250 presos políticos "desapareceram" misteriosamente. Os partidos são rigorosamente proibidos no país. A tristemente célebre Lei 71 pune a "dissidência", em casos extremos, com a pena de morte. Agora o ditador há mais tempo em funções no planeta não hesita em virar as armas contra o seu próprio povo para se perpetuar no poder: a tentativa de esmagamento do movimento pró-democracia na Líbia já ali provocou 233 mortos, segundo o Observatório de Direitos Humanos. Muammar Kadhafi, que procura censurar toda a informação, tem no entanto direito a assento oficial na Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas. Não é preciso mais nada para se avaliar como é urgente a reforma das instituições internacionais e para se perceber a que ponto chegou o descrédito da ONU, que alguns sonham ver como sede de um futuro governo mundial.

Portugal, que em Dezembro de 2007 o recebeu com honras de estadista na lamentável cimeira dos ditadores realizada em Lisboa, mantém um envergonhado e vergonhoso silêncio sobre o massacre de cidadãos líbios às mãos dos jagunços de Kadhafi, como já muito bem o Rui Rocha sublinhou aqui. Um silêncio que não pode prolongar-se. Ser membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas não pode servir só para os habituais rodriguinhos de propaganda interna.

 

Adenda das 00.38: actualizei o número de mortos - de 173 para 233. A fonte é a mesma.


18 comentários

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De Rui Rocha a 20.02.2011 às 21:13

Tens toda a razão, Pedro. A ONU não pode tornar-se uma filial da Internacional Autoritária.
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De Pedro Correia a 21.02.2011 às 00:18

Como é possível um país como a Líbia estar na Comissão de Direitos Humanos na ONU? E porque não estarão lá também a Birmânia e a Coreia do Norte?
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De Ana Vidal a 20.02.2011 às 21:17

Parece-me que está chegar um tempo em que se torna impossível não tomar posição nestas questões. As hipocrisias da velha Europa têm os dias contados, perante o extremar de posições pelo mundo fora.
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De Pedro Correia a 21.02.2011 às 00:19

Escutei esta noite o blablá do ministro dos Negócios Estrangeiros português, que falou para não dizer nada. Como podemos sentir-nos representados por um governo que se comporta assim numa situação destas?
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De Gonçalo Correia a 20.02.2011 às 22:04

"A fala é a civilização em si. A palavra, mesmo a mais contraditória palavra, preserva o contacto - é o silêncio que isola." (Thomas Mann)

O silêncio, neste contexto, pode ser considerado um acto cobarde. Logo, inadmissível.
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De Pedro Correia a 21.02.2011 às 00:21

O termo exacto é esse mesmo, Gonçalo: inadmissível.
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De Carlos Alberto a 20.02.2011 às 22:51

Estão a falar do amigo Kadafi? Vocês vejam lá... que o homem é um bom amigo do nosso primeiro.

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De Pedro Correia a 21.02.2011 às 00:22

Tão amigo que o deixaram montar aqui a tenda na fortaleza de São Julião da Barra e fazer por lá sacrifícios de cordeiros. Quando saíram deixaram tudo num nojo. Nem se deram ao trabalho de limpar.
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De João Carvalho a 20.02.2011 às 22:59

Pior que o silêncio de Portugal, que é membro do Conselho de Segurança da ONU, só mesmo Kadhafi, com o peso dos seus 42 anos de ditadura, ter assento oficial na Comissão de Direitos Humanos da ONU. O que diz muito do que é hoje a ONU.
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De Pedro Correia a 21.02.2011 às 00:24

Vou agora ver como é que uma certa esquerda blogosférica comenta a repressão na Líbia «socialista», compadre. E como é que uma certa direita blogosférica reage a isto depois de ter chorado a queda das ditaduras na Tunísia e no Egipto (que por sinal também se reclamavam do «socialismo» e até estavam inscritas nessa fantástica e abrangentíssima organização que dá pelo nome de Internacional Socialista).
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De João Lisboa a 20.02.2011 às 23:56

Não pode prolongar-se? Tudo aponta para o contrário...

http://lishbuna.blogspot.com/2011/02/recordar-e-viver-xxviii-mais-de-200.html
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De Pedro Correia a 21.02.2011 às 00:32

Excelente achega, João. Já dei seguimento.
Abraço.
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De Teresa Ribeiro a 20.02.2011 às 23:56

A informação, que ele tenta desesperadamente controlar, mas não consegue, vai derrotá-lo. Ele sabe que não há arma mais letal, por isso deve andar em pânico. Ver ditadores serem derrotados por esta via dá-me um especial prazer.
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De Pedro Correia a 21.02.2011 às 00:36

Juventude revoltada e novas tecnologias estão a produzir um 'cocktail' explosivo no mundo árabe, Teresa. Já ninguém suporta ditaduras: a do Kadhafi (que conta com um grande clube de fãs em Portugal) tem o triste recorde de ser a mais longa do mundo actual. Ele subiu ao poder 11 meses depois de Marcelo Caetano ter substituído Salazar em Portugal!
Entretanto, até no Irão os aiatolás estão a pôr as barbas de molho: nem ao ritmo de cem enforcamentos por mês conseguem travar a rebelião cívica.
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De Carlos Faria a 21.02.2011 às 00:11

Infelizmente o ocidente democrático tem muitas culpas por ter pactuado com este e outros regimes semelhantes...
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De Pedro Correia a 21.02.2011 às 00:36

Infelizmente você está cheio de razão, Carlos.
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De Guilherme Pereira a 21.02.2011 às 03:33

Subscrevo integralmente este texto.
O rei vai nu mas parece que a diplomacia dos interesses ainda prevalecerá sobre a dos valores.
Uma vergonha.
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De Pedro Correia a 21.02.2011 às 10:44

Vai nu, mas cheio de botox. Parece a duquesa de Alba.

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