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Convidado: NUNO POMBO

por Pedro Correia, em 22.02.11

 

Lipoaspiração parlamentar

 

Custa-me admitir mas concordo com o ministro Lacão. Temos de reduzir o número de deputados. Mas essa redução, ainda que recomendada por razões orçamentais, impõe-se sobretudo pela necessidade de cultivarmos a higiene parlamentar e a boa forma da nossa intervenção política. É que a nossa democracia é uma obesa balzaquiana. Não há dietas que resistam. É preciso também esforço físico. Ginásio. E, ainda assim, há sempre umas teimosas gordurinhas que teimam em barricar-se onde menos falta fazem. Percebo, por isso, que o entusiasmo do PS pela ideia seja nenhum. Porque estas adiposidades estão justamente alojadas no centrão. Não estão nem na cabeça (CDS) nem nos pés (BE). Estão na zona abdominal (PSD) e no rabo (PS). Por isso, para atalhar, o melhor é mesmo fazer uso do bisturi. E a reforma da lei eleitoral poderia justamente promover essa muito recomendável lipoaspiração parlamentar. Enquanto isso não sucede, lá temos de ler no jornal oficial que os deputados da Assembleia da República, no dia 21 de Janeiro, se entretiveram a recomendar ao governo que regulasse o exercício da profissão de podologista. Ao menos esses podologistas nos dessem uns pés de jeito. Estes, infelizmente, não servem para nada!

 

Nuno Pombo


7 comentários

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De João Carvalho a 22.02.2011 às 13:53

Precisamente. Impõe-se a reforma da lei eleitoral, que até pode dissolver a "aqui d'el Rei" de que se queixam os pequenos medrosos pela perda de representatividade. Que o PSD seja o abdómen, aceito. Que o PS seja o rabo, também aceito (ocorrem-me logo as preocupações socialistas em matéria legislativa em torno das inclinações sexuais). Mas fica-me uma dúvida: é pelo PS que deve entrar o bisturi? Gostei, meu caro Nuno.
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De João Távora a 22.02.2011 às 15:40

Brilhante a descrição anatómica da politica doméstica, que exala tanta vacuidade quanto o mau cheiro.
Abraço!
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De José Moura pereira a 22.02.2011 às 16:17

Peço desculpa, sem falsa ingenuidade, a palavra acima era mesmo para ser "medrosos"? Não há troca alguma de letrinha? Ou cada um leia como lhe aprouver?
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De João Carvalho a 22.02.2011 às 17:27

Era mesmo o que lá está, mas parece-me justo deixar o caso à sua imaginação...
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De José Moura pereira a 22.02.2011 às 16:12

Pena é que o ministro Lacão queira muito mais meter areia na engrenagem, e nos nossos olhinhos, do que qualquer outra coisa. Então um homem que nunca "quis nada" aparece agora com um querer?
Ninguem no PS vai sair de cara lavada depois de mais estas duas governações, nem aqueles que a propósito da nada venham querer uma coisa qualquer.
Caro Nuno, acredito que esteja de acordo com a redução do n.º de deputados, eu também estou, mas deixe lá o ministro Lacão.
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De Pedro Correia a 22.02.2011 às 16:58

Obrigado pela visita, Nuno. Também defendo a necessidade de limpar gorduras parlamentares. O parlamento português já teve 250 deputados, hoje tem 230. A democracia não caiu por causa disso. Bem pode vir a ter 210 ou mesmo só 200, sem perda de proporcionalidade, nos termos definidos pela Constituição (que aliás admite uma redução até 180 parlamentares). Ganhava eficácia e operacionalidade. E sempre se poupava alguma coisa com isso.
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De Nuno Pombo a 23.02.2011 às 09:30

Obrigado pelo convite!

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