Os políticos não-não
O inenarrável secretário de Estado Valter Lemos disse ainda há pouco tempo uma não-verdade ao garantir que o desemprego tinha estabilizado. Acabámos de saber que o emprego registou um não-crescimento e uma não-estabilidade. A ministra do Trabalho já garantiu que vai não-baixar os braços e Valter Lemos enrugou ainda mais do que o costume a testa baixa para explicar que é impossível encarar uma não-continuação das medidas muito intensivas em curso — que têm demonstrado uma não-eficácia.
Quer isto dizer que, se os números recentes fossem exactamente ao contrário e que, portanto, tivesse havido uma pequena recuperação do não-desemprego, seria possível um não-levantamento dos braços e mandar as tais medidas para um certo não-sítio?
Por estas e por outras é que temos entre nós uma geração de jovens nem-nem. Jovens que tiveram o azar de esbarrar com uma geração de políticos não-não, que nunca chamam pelos nomes os nomes que as coisas têm. Como nós também esbarrámos, essa é que é a não-inverdade.

