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A discussão sobre o tema dos Deolinda que se diz ser o hino de uma geração está ao rubro. Trata-se, todavia, de uma análise de conjuntura. O bloqueio actual não é um dado estrutural. Bem pelo contrário. Enquanto arrancamos cabelo, estão a acontecer factos de extrema relevância a nível global: i) os baby boomers começaram a reformar-se em 2011. Ao longo dos próximos anos, milhões de boomers abandonarão o mercado de trabalho; ii) o mundo ocidental enfrenta uma crise de natalidade sem precedentes e não existe qualquer indicação de que a situação se possa inverter; iii) nos países ou regiões em que a taxa de natalidade é pujante, persiste um grave problema de qualificações. Nestes casos, o problema não está na escassez de recursos humanos, mas na incapacidade dos sistemas de ensino de prepararem profissionais com as competências necessárias. É o caso paradigmático do Brasil, mas o facto pode ser constatado para todos os países em vias de desenvolvimento. Ora, tudo isto conflui para uma realidade inexorável: a prazo, e a nível global, a procura de profissionais qualificados será muito superior à oferta. Os primeiros sinais estão aí. Em 5 anos, a pressão será significativa. Daqui a 10 anos, será dramática. O poder negocial passará a estar na mão de quem tiver qualificações. Esta é a principal questão estratégica de gestão de recursos humanos para a próxima década. A análise da situação tem assim duas vertentes: uma profunda consciência das enormes dificuldades actuais e uma esperança inquebrantável no futuro. Neste contexto, é fundamental não desanimar e perceber qual a estratégia correcta para responder no momento adequado: i) formação (sempre, muita, cada vez mais, de qualidade); ii) arrendamento (não vão faltar oportunidades; mas, podem não estar na Lourinhã; ninguém deve estar agarrado a uma casa; a oportunidade pode estar no Brasil); iii) soft skills (o conhecimento técnico é muito importante mas, o que vai ser valorizado pelas empresas são o entusiasmo, a auto-motivação, a capacidade de trabalhar em equipa e de promover um bom ambiente, a autonomia, etc.); iv) flexibilidade (a relação laboral poderá não ser unívoca; mas, quem quer trabalhar para uma empresa, se pode trabalhar para várias, que lutam pelo seu conhecimento?; quem quer ter horários rígidos, se pode organizar o seu tempo, gerindo a disponibilidade para a família, para os amigos, para a vida?). A prazo, toda a esperança é, por isso, permitida. E isto envolve total responsabilidade. Daqui a uns tempos, a falta de oportunidades não vai ser desculpa. O Mundo vai precisar de todo o talento disponível e este não vai ser suficiente. Quem tiver unhas e dentes vai tocar guitarra. E não será para entoar a música dos Deolinda.

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37 comentários

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De bluesmile a 08.02.2011 às 11:16

Excelente! Posso divulgar?
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De Rui Rocha a 08.02.2011 às 11:19

Obrigado, Bluesmile. Claro que sim.
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De fernando antolin a 08.02.2011 às 12:45

Eu não sei se os meus 55 anos me qualificam (ainda,já) como baby boomer, mas pelo andar da traquitana desconfio que ainda vou andar aqui pelo aeroporto de andarilho eléctrico !! Com fitinhas às cores nos punhos do guiador e ponto de encaixe para o sôro e suporte de dentadura. Ah e uma campaínha como a da minha saudosa bicicleta Raleigh !!

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De Rui Rocha a 08.02.2011 às 13:23

O Fernando é um baby boomer mais tardio do que estes que agora chegam à reforma. De facto, ainda vai ter que pedalar uns anos. Mas, com essa boa disposição, o tempo vai passar depressa
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De PALAVROSSAVRVS REX a 08.02.2011 às 11:31

Rui, lamento, mas essa euforia não faz qualquer sentido. A realidade portuguesa é o que é em parte por um princípio de injustiça na retribuição. Não vai mudar. É tão cultural como na Noruega pagar-se bem e melhor ainda por razões sociais.
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De Rui Rocha a 08.02.2011 às 11:34

Rex, não circunscrevi a análise ao que irá acontecer em Portugal. A perspectiva que coloco é global. E essa afianço que é correcta. Olhando exclusivamente para Portugal, concordo que não temos razões para tanto optimismo. Ainda assim, sublinho que o rectângulo não está fora das tendências demográficas que identifiquei. Algum sinal de esperança nos chegará, apesar de Sócrates. Caso contrário, resta as gerações que chegam ao mercado de trabalho trocar a Lourinhã por Singapura ou Berlim.
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De Rui Rocha a 08.02.2011 às 11:35

* às gerações
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De bluesmile a 08.02.2011 às 11:52


Obrigada.
Já agora, na Noruega paga-se bem melhor mas não é por razões culturais, é por razões petrolíferas...
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De Ana Vidal a 08.02.2011 às 12:05

Rui, espero sinceramente que tenhas razão! E eu que me julgava muito optimista...
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De Rui Rocha a 08.02.2011 às 12:12

São factos, Ana. Os líderes das grandes empresas globais têm já esta questão em cima da mesa. Daqui a 2 ou 3 anos, as questões demográficas estarão no topo das prioridades. Só ficará de fora quem não investir na sua preparação ou quem não estiver disposto a mudar de sítio para encontrar a sua sorte. E esses não se poderão queixar.
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De Ana Vidal a 08.02.2011 às 12:31

Sim, tens razão. O mercado de trabalho passou a ser o mundo inteiro, o que até é bem mais interessante para as novas gerações. Eu, que só não me transformei numa globetrotter porque não tive oportunidade disso na altura certa, até os invejo.
Mas isto não invalida que no nosso país as condições de trabalho dadas aos novos valores tenham de melhorar muito, sob pena de só cá ficarem os mais incapazes. E não é com esses que um país progride...
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De Rui Rocha a 08.02.2011 às 13:06

Sem dúvida, Ana.
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De Ana a 08.02.2011 às 12:58

Parabéns pelo texto Rui. E pela inspiração! É preciso alargar o campo de visão. Portugal pode não ser a nossa próxima paragem quando se procuram realizar sonhos pessoais. Se aqui não for possível, poderá ser noutro lugar. Com motivação e trabalho. Obrigada!
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De Rui Rocha a 08.02.2011 às 13:11

É esse o espírito, Ana. Desisitir é incompatível com ser jovem. E dá fraqueza.
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De João André a 08.02.2011 às 14:57

Bom, antes de mais, uma vez que a canção diz respeito a Portugal, a análise, por certa ou errada que esteja (e acho que está errada em alguns aspectos, mas já lá vou), não deveria ter como título "Os Deolinda estão errados".

Antes de mais, os aspectos que estão algo desajustados:
1. Se milhões de baby-boomers deixarão o mercado de trabalho, mais pessoas ainda estarão disposíveis para lhes tomar o lugar, afinal de contas o mundo aumentou muitíssimo a sua população.
2. Os jovens não tomarão o lugar dos baby-boomers porque, por um lado, estes estão em posições que exigem experiência que os jovens não têm, por outro porque muitas das outras posições vão sendo "descontinuadas" à medida que os baby-boomers se reformam, sendo que os jovens têm outro tipo de funções.
3. A crise de natalidade é um problema menor, uma vez que muitos dos postos de trabalho são deslocalizados para outros países onde essa é pujante. Mesmo que exijam poucas qualificações.
4. a flexibilidade vai ser tão valorizada que implicará uma perda de qualidade de vida. As empresas começam já a colocar uma tal pressão no conceito de flexibilidade que quem não o quiser acaba por se ver fora da luta pelos lugares de trabalho.
5. Apesar da falta de pessoal qualificado em certos países (Alemanha ou Brasil são exemplos) continua a haver um grande proteccionismo laboral para quem seja natural do país. Seja porque se quer retirar os seus habitantes da pobreza (Brasil), quer seja por se tentar proteger os trabalhadores locais da "invasão de estrangeiros" (Alemanha).

Por outro lado é verdade: para quem queira arriscar, as oportunidades não faltam. É o meu caso: saí de Portugal há 9 anos (com uma pausa de 8 meses de volta) e duvido que regresse. Não porque não queira mas porque não tenho grandes possibilidades. E é aí que está o problema: isto serve muito bem para quem não se importe de sair. Mas, e quem queira ficar no país onde nasceu, cresceu e recebeu a educação paga por todos? Não tem essa hipótese? Não pode?

É por isso que acho que os Deolinda estão certos agora, no curto e no médio prazo (não faço previsões no longo prazo) mesmo sendo eles próprios um exemplo de sucesso dessa geração. É que há muito quem queira ficar na Lourinhã (ou Arrabaldes de Baixo ou Ferreira do Alentejo) e prefira não se meter no avião a caminho de Coritiba ou Xangai. E a possibilidade de escolher nunca lhes deveria ser negada.
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De Rui Rocha a 08.02.2011 às 15:27

Excelente testemunho, João. Os que não querem fazerm uma escolha. Quem escolhe...
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De Sara a 08.02.2011 às 16:01

Que de escolha tem muito pouco. Sempre olhei para os africanos como uma espécie de refugiados. Estas pessoas se querem comer e ter filhos e essas coisas básicas e normais, têm de sair do seu país, deixar a sua família para trás... Isto de escolha tem muito pouco.
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De Rui Rocha a 08.02.2011 às 16:06

Percebo o que diz, Sara. O bloqueio que refiro e a que a Deolinda se refere (se é que é o caso) diz respeito a pessoas preparadas que não conseguem furar uma resistência do mercado de trabalho. O que digo é que é verdade, mas conjuntural. E que vai haver oportunidades. Li os seus comentários a outros posts sobre este tema. No fundo, acho que a Sara acredita que vale a pena resistir. Eu também acho. Outra situação é a que refere. E, aí, concordo que é difícil falar em escolhas.
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De Sara a 09.02.2011 às 11:44

Espero que o que diz no seu post se venha a concretizar. Sobre a resistência ou a emigração, uns dias acredita-se numa, outro dia acredita-se na outra... Mas a esmagadora maioria (pelo menos a da geração retratada na música) gostaria que a situação se alterasse. De preferência em menos de uma década, porque muitos destes precários, por essa altura, já terão 40 anos. Aos 40 anos é complicado... E eu gostava que o director do FMI não tivesse razão quando nos chama de geração perdida e condenada.
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De Anónima da Silva a 08.02.2011 às 15:05

Caro Rui,
Ou se enganou quando escreveu sobre a geração nem-nem ou se engana agora com o fenómeno " Deolinda.
Acho este seu post de um grande lirismo...dado que as competências educacionais/pedagógicas/profissionais por grandes e boas que sejam hão-de defrontar-se com várias barreiras dificilmente transponíveis que o Rui nem menciona tais como a língua (norueguês?, mandarim?, cantonês?, finlandês?). E como chegamos (até) lá - a esse paraíso da globalização que refere e em que as oportunidades não estão na Lousã mas em Berlim (outra língua que todos falamos. Ah!, não vai ser preciso falar!; trabalhar-se-á como robots e pela internet)?
Voltando aos Deolinda, ainda bem que fizeram a tal canção que serviu para despertar muitas consciências dos tais membros da geração nem-nem que ficaram agora a saber, pelos Deolinda e pelos textos que se escreveram, escrevem e escreverão sobre este "Parva que sou", que, afinal, não estão sozinhos e há muitos mais na mesma situação.
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De Rui Rocha a 08.02.2011 às 15:26

Não vejo onde esteja o engano, AS. Um e outro são um convite a que se abandone o conformismo e a lamúria. No da geração nem-nem, o incentivo a que as pessoas não fiquem à espera. Aqui também. Num e noutro o sublinhar de que a esperança depende de se fazer o que está ao alcance de cada um. A mensagem de esperança deste não vai abranger os que se encostarem. As oporunidades vão existir para quem tiver talento e esforço. A única distinção poderá estar no âmbito geográfico. O anterior era mais virado para Portugal. Este está virado para o mundo. Por isso, este é mais optimista.
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De Rogerio Pereira a 08.02.2011 às 15:41

Excelente texto, sugere um montão de reflexões e uma cordilheira de opiniões. Graças a uma canção. Apenas alguns apontamentos: para que uma determinada previsão (não falo, delicadamente, em futurologia) seja plausível torna-se necessário que os principais pressupostos seja robustos e não haja omissões graves. Ora acho que há, no seu texto, premissas débeis ou mesmo erradas (nos países ou regiões em que a taxa de natalidade é pujante, persiste um grave problema de qualificações ) e omissões em domínios que alteram profundamente os paradigmas do desenvolvimento (pico petrolífero ) e da distribuição da riqueza mundial (recentes acontecimentos do médio oriente). Diria, encurtando razões, que não é de excluir como cenário possível a importancia da valorização de fortes qualificações em técnicas de produção agrícola capazes de transformar em horta o espaço verde que existe (quando existe) à beira da nossa porta.
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De Rui Rocha a 08.02.2011 às 15:57

Rogério, quando nos colocamos no futuro, as nossas opiniões são sempre discutíveis. Penso que o sentimento de frustração actual é justo e fundamentado. O que espero é que não paralisante. É importante salientar que existem caminhos. E que é importante não parar de caminhar. Aquele que o Rogério aponta é certamente de considerar.
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De Rogerio Pereira a 08.02.2011 às 17:43

Mais do que a admissão do "meu cenário" (de seu a seu dono, pois o cenário é de Jeff Rubin(*) ) gostaria que admitisse os erros do seu. Por outro lado não falei de coisas do futuro. Primeiro: A China em 3 anos construiu a maior rede de TGV do mundo com tecnologia própria, segura e que bate recordes de velocidade. Segundo: O petróleo é um recurso com fim à vista não sendo o período de produção suficiente para que as alternativas possíveis estejam disponíveis (e não se fale apenas em energia); Terceiro: As economias débeis tendem a rebelar-se contra a injusta repartição das riquezas e a não aceitar serem paises de instalação de industrias poluentes, servidas por mão-de-obra barata.
No meio disto, defender que o futuro da juventude é a formação não técnica/tecnológica mas sim em soft skills é retirar às gerações futuras qualquer capacidade para participar nos desafios que se avisinham e que se situarão fora do actual paradigma que justifica a procura Alemã de qualificações portuguesas...

(*) http://conversavinagrada.blogspot.com/2010/05/plataforma-petrolifera-as-varias.html
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De Rui Rocha a 08.02.2011 às 18:01

Rogério, eu disse (...) o conhecimento técnico é muito importante mas, (...). Se não fui claro, esclareço: a adversativa não tira valor ao que foi dito antes. Penso que a questão fica clara no que respondi sobre esse assunto à Sandra Lopes aqui mais abaixo. O perfil ideal é o de síntese entre competência técnicas e comportamentais. Umas ou outras não têm o mesmo valor quando se apresentam isoladas.
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De jojoratazana a 08.02.2011 às 15:47

Sr. Rui em primeiro lugar quero pedir desculpa por me atrever a comentar um seu post , pois tinha decidido não comentar qualquer post seu.
Mas este seu post não permite que lhe fique indiferente.
Em primeiro lugar o seu optimismo não tem razão de ser.
Em segundo esse modelo de desenvolvimento futuro que antevê não é realista.
Em terceiro lugar no caso de vir a ser implementado será mais um retrocesso civilizacional do mundo, arrastando mais uns milhões de pessoas para a exclusão, de poder dar o seu contributo para a produção de riqueza a nível mundial, pois quanto menos rendimentos auferirem nos seus postos de trabalho menos consumo irão efectuar, tornando-se cada vez mais pobres e revoltados.
Em vez de progresso teremos mais pobreza e miséria por mais voltas que se ponham a dar pelo mundo.
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De Rui Rocha a 08.02.2011 às 15:53

Sr. Jojoratazana, o comentário é livre e sempre bem recebido. Desde que se situe dentro dos limites do debate de ideias e do respeito pelas opiniões. Quando tal não acontece, publico o comentrário, mas respondo em conformidade. Quanto ao mais, temos visões do mundo diferentes. São as nossas e creio que, num caso e noutro, não vão mudar. Eu, em todo o caso, prefiro a minha esperança ao seu modelo de produção.
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De Carlos Faria a 08.02.2011 às 16:10

O texto fala de uma realidade possível, mas negativa para Portugal, claro que as oportunidades podem surgir lá fora, tal será uma exportação de cérebros enquanto o País fica com os menos qualificados. É quase uma visão ao contrário da de MFL sobre obras públicas e desemprego, e Portugal fica sempre mais pobre.
Espero que a geração dos parvos também comece a lutar por um Portugal melhor e não apenas a entoar hinos e esperar que a coisa mude e a dizer que a culpa é dos políticos, como se não vivêssemos numa democracia.
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De Rui Rocha a 08.02.2011 às 16:15

É muito pertinente a sua observação, Carlos. Creio que muitos hoje se interrogam se vale a pena ficar. Se todos não formos capazes de contrariar o retrato da Deolinda, Portugal ficará seguramente mais pobre. Sou, a propósito deste aspecto, muito menos optimista.
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De Sandra Lopes a 08.02.2011 às 17:03

Adoro a sua atitude optimista! Se nós portugueses fossemos mais optimistas o país estaria bem melhor.
Mas alguns dos seus pontos de vista fazem-me estremecer.
Um deles é: “não vão faltar oportunidades; mas, podem não estar na Lourinhã; ninguém deve estar agarrado a uma casa; a oportunidade pode estar no Brasil”.
Mas não estaremos nós a regredir? Então com isso o povo Português não voltar a ser o povo imigrante de há uns anos?
E porque temos nós que ter a vontade e audácia de quer ir para fora e para grande cidades? Não podemos quer ser “patriotas” e gostar da nossa terra e quer morar nela em vez de ir viver para grandes metrópoles? E depois há mais, com isso não se perdem valores como a família, amizade, etc.
Eu quando terminei o meu curso tomei a decisão de não ir trabalhar para a capital e ficar na minha querida terra (que não é assim tão pequena) perto daqueles que amo. Apesar de até agora ter vivido aquilo que os Deolinda referem (fiz três estágios, fui mãe mais tarde do que o desejável e estar ainda numa situação de emprego pouco estável), não me arrependo porque graças a isso tenho o amor e a ajuda da minha família e isso vale muito.
Em relação às soft skills, a questão que se coloca é que existe quem tenha essas capacidades e não consiga transparecer isso e o oposto. Será que esses vão conseguir agarrar as oportunidades certas?
E por último na minha opinião, em Portugal a flexibilidade não vai ser aproveitada pelas empresas para lutam pelo seu conhecimento, mas sim para se pagar mal e exigir muito e bom (e já se vê muito isso, eu já tive essa experiencia, voltar a ser free lancer não obrigada). E será que as pessoas estão preparadas para esse género de trabalho? Terão os portugueses sido educados para conseguir gerir e organizar o seu tempo. E será assim tão bom? Ter manhãs ou tarde “livres” para dar uns passeios ou ir às compras sabe bem, mas em compensação ter de chegar a casa de madrugada e não partilhar jantares seguidos ou festas de aniversário com a família custa muito.
Mas como já referi gosto deste futuro optimista e espero que muitos se dêem bem nele.
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De Rui Rocha a 08.02.2011 às 17:56

Sandra, o seu comentário é muito mais do que isso. Vou tentar responder:
1 - A posição não é só optimista. Apela também ao esforço. De optimistas vazios estamos todos um pouco fartos.
2 - Sim, estou convencido que Portugal continuará a ser um país de emigrantes . Todavia, emigrantes de qualidade diferente. Melhor preparados. A dimensão do movimento emigratório é que não consigo prever. O desejável é que tivessemos internamente muitas oportunidades. Não estou nada seguro que vá ser assim.
3 - Tudo o que refere quanto ao amor e à amizade é verdade. Não há nada que diga que somos mais felizes numa profissão bem remunerada longe dos que nos fazem falta. São opções. E a sua foi de certeza a mais acertada.
4 - Em termos de soft skills, as velocidades das empresas são diferentes. As práticas mais avançadas de recrutamento não prescindem da sua avaliação. O conhecimento técnico é importante, claro. Mas, as empresas não apostam (e menos o farão no futuro) em pessoas que não partilham o conhecimento, que criam mau ambiente de trabalho, etc. Recomendo-lhe a leitura do Daniel Pink sobre este assunto (A Nova Inteligência). Quem conseguir aliar competência técnica e competência comportamental estará muito mais perto do sucesso. Quem não conseguir, terá muito mais dificuldades.
5 - A flexibilidade de que falo funciona ao contrário. É uma flexibilidade imposta às empresas por quem tiver qualidade profissional. As empresas vão fazer tudo para ter quem faça a diferença. E esses vão impor as suas condições de trabalho. A relação de forças vai mudar devido à escassez de que falo no texto. Posta a questão assim, a gestão do tempo de que fala vai depender dos interesses de cada um. Poderão preferir um horário mais rígido ou mais flexível.
6 - Falo sempre numa perspectiva global de escassez de recursos humanos. Localmente, podem existir constrangimentos sérios. Por isso, afirmo que vai haver oportunidades. Onde (em Portugal?), é difícil saber. A revolta com a situação actual é legítima. Todavia, é muito importante estarmos atentos e preparados para quando as oportunidades surgirem. E sobretudo, sabermos muito bem o que queremos. Se preferimos uma vida mais frugal junto dos que nos são próximos, então é isso que temos que assumir para a nossa vida.
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De Rogerio Pereira a 08.02.2011 às 18:37

Sandra, vim ler o seu comentário por sugestão do Rui Rocha e, entretanto, li também a resposta que ele lhe deu. Mantenho o meu pessimismo (para um cenário descrito um pouco mais acima). Não se vislumbra, de facto, outra saída que não seja a opção entre ficar e ter que procurar melhores condições fora do país. O Rui Rocha aceita esse futuro como inevitável e condiciona tudo às exigência das empresas, como se as politicas económicas não fizessem parte do jogo. O grande problema do país, depois da adesão à Europa, foi ter destruído o aparelho produtivo (sectores primário e secundário) e desenvolvido os serviços não produtivos e remetido o galopante consumo interno para as importações à custa do endividamento . Onde estão os empregos? Para que servem as qualificações? Para exportação? Saiam do país como sempre se fez... Acho que há outras saídas, mas elas não possíveis com as reflexões propostas pelo Rui... Apenas uma nota final, sob a forma de pergunta: Que fazer ao seu irmão, ou irmã, primo ou prima, vizinho ou vizinha que não sejam licenciados e não saibam fazer coisa nenhuma pois a formação técnico-profissional acabou com a perspectiva de todos sermos doutores?

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