Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




O ministro que ainda não se demitiu

por Pedro Correia, em 31.01.11

 

Por uma absurda – e imperdoável – falha do sistema informático, muitos portugueses não puderam votar na eleição presidencial. O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, veio pedir desculpa. Mas se houvesse um verdadeiro escrutínio público dos governantes em Portugal, o ministro não pedia desculpa: pedia a demissão. Já decorreu uma semana e as explicações que deviam ter sido dadas com urgência vão tardando. Vai-se acentuando a convicção de que nunca se saberá ao certo quantos milhares de portugueses se viram impedidos de exercer o direito de voto, que é sagrado em democracia. Nem jamais se saberá, por maioria de razão, até que ponto este facto gravíssimo poderá ter desvirtuado os resultados eleitorais.

Longe vão os tempos em que, num Governo socialista, a culpa não morria solteira. Basta lembrar o gesto digno de Jorge Coelho, então ministro das Obras Públicas, na trágica noite em que caiu a ponte de Entre-os-Rios. Aconteceu só há uma década mas parece ter ocorrido há uma eternidade.


20 comentários

Imagem de perfil

De Daniel João Santos a 31.01.2011 às 22:00

lapas agarradas ao poder que morreram e ninguém as avisou.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 01.02.2011 às 01:22

Não tarda nada está a ser empurrado para fora do governo. Teria feito bem melhor em sair pelo seu pé, na noite de 23/1 ou na manhã de 24/1, depois desta trapalhada monumental que poderia levar à impugnação dos resultados eleitorais - bastaria que os dois candidatos mais votados tivessem votações aproximadas ou que uns alguns milhares de boletins bastassem para pôr em dúvida a realização de uma segunda volta.
Somou-se assim a abstenção forçada à abstenção voluntária. Uma trapalhada política que teve como consequência a demissão do... director-geral. Já lá vai o tempo em que os ministros assumiam responsabilidades políticas, para o bem ou para o mal.
Imagem de perfil

De Paulo Sousa a 01.02.2011 às 08:35

Pensando no assunto já estive convencido (sem porquê) de que o assunto terá sido abordado mas o PM, que até à véspera da sua própria demissão será dono e senhor do seu calendário, não o permitiu. Considerando o cenário da previsível revisão ministerial, a saída de Rui Pereira iria baralhar as contas.
Claro que considerando o que se poderia considerar uma conduta digna de um governante o ministro não teria alternativa, mas dignidade é coisa que por lá não se gasta.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 01.02.2011 às 14:29

Somos, de facto, forçados a concluir isso. Concordo consigo, Daniel: a Sócrates não interessaria uma demissão agora para não atrapalhar a remodelação que vai seguir-se. Nada disto impede - pelo contrário - Rui Pereira de ficar muito mal na foto.
Imagem de perfil

De João Carvalho a 31.01.2011 às 22:08

Inteiramente de acordo.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 01.02.2011 às 01:24

Qualquer português no uso do seu legítimo direito à indignação tem direito a questionar por que motivo este ministro ainda se encontra em funções. E já nem falo dos blindados que foram comprados para a cimeira da Nato e afinal nessa altura ainda andavam em bolandas... no Canadá.
Nenhum governo coleccionou tantas trapalhadas como este.
Sem imagem de perfil

De A.Ribeiro a 31.01.2011 às 23:54

"Por uma absurda – e imperdoável – falha" "de uns largos milhares de cidadão trogloditas que se estão a borrifar para esta `merda´ toda e foram votar sem saber o que é fundamental,o nº de Eleitor."

Este seria o poste que o Pedro Correia teria escrito se o Ministro fosse o Sr. Dr. Dias Loureiro.
Ao melhor estilo clubista como se isto da política fosse entre o Porto/Benfica.
Tenha calma e não ponha o burro á frente da carroça.

Não percebo é a pressa...ou???
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 01.02.2011 às 01:27

Diz-me que vassalos tens, dir-te-ei quem és. Acabo de ficar um pouco mais esclarecido sobre o ministro Rui Pereira.
Imagem de perfil

De João Carvalho a 01.02.2011 às 01:44

Ó A., a carroça à frente do burro é coisa de burro.
Imagem de perfil

De José António Abreu a 01.02.2011 às 11:53

O desgaste do governo também se vê na crescente diminuição da qualidade dos seus defensores...
Imagem de perfil

De João Carvalho a 01.02.2011 às 12:13

«Crescente diminuição»? Isso é quase tão bom quanto o «crescimento negativo» de Vítor Constâncio! Eheh...
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 01.02.2011 às 12:19

Quanto menor é a dimensão ética e a credibilidade política, maior é a vozearia desesperada. O José António tem toda a razão.
Imagem de perfil

De José António Abreu a 01.02.2011 às 20:30

Ok, ok, fica um pouco estranho (mas, caramba, não era preciso usar um insulto tão forte!). Digamos que a qualidade dos defensores do governo diminui a um ritmo progressivamente mais elevado (isto é, tem uma aceleração negativa). Porém, deve reconhecer-se que (cá vou eu novamente) os coitados têm cada vez mais de trabalhar com argumentos menos sólidos.
Imagem de perfil

De João Carvalho a 01.02.2011 às 21:47

Estava perfeitamente entendido, meu caro. Concordo que a comparação com Constâncio (agora reparo melhor) pode ter sido deselegante (!), mas foi ingénua. Longe de mim o insulto (de que eu nem seria capaz) quando só queria a ironia.
Um abraço.
Sem imagem de perfil

De Pedro Coimbra a 01.02.2011 às 07:56

Mas este não tem vergonha na cara Pedro.
Se tivesse, depois do episódio microfones direccionais/Sarkozy/Carla Bruni, tinha apresentado a demissão.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 01.02.2011 às 12:21

O espírito 'porreiro pá' alastra como uma nódoa neste governo, Pedro.
Sem imagem de perfil

De João Teago Figueiredo a 01.02.2011 às 14:52

apesar de tudo o resto - e o resto aqui é importante - não posso deixar de assinalar que em portugal a expressão «assumir a responsabilidade» é sinónimo estrito de «demissão». não existe, pelos vistos nenhuma forma de assumir a responsabilidade que não seja pedir a demissão. ainda mais curioso - e sem qualquer visão partidária, antes com uma abrangência periférica - é ver, a posteriori, as mesmas pessoas andaram, felizes e saltitantes, com o «ele fugiu» a transbordar-lhes da boca.

um abraço,
João
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 01.02.2011 às 14:58

Nem sempre, João. Assumir a responsabilidade, nos casos dos ex-primeiros-ministros António Guterres (em Dezembro de 2001) e Durão Barroso (em Junho de 2004) implicaria o inverso: que ambos permanecessem nos cargos. O que, como bem sabemos, não aconteceu.
Um abraço.
Sem imagem de perfil

De João Teago Figueiredo a 01.02.2011 às 16:19

concordo consigo, Pedro. acho também que não foi a demissão que fez com que assumissem a responsabilidade. da mesma forma, aqui acho que pedir a demissão também não o será. mas, confesso, o meu comentário veio a propósito de uma observação que faço da vida política, não tanto de casos em concreto.
um abraço e é sempre um prazer ler o delito,
João

P.S.: no meu último comentário, onde se lê «andaram», deve ler-se «andarem»
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 02.02.2011 às 00:20

Obrigado pelas suas palavras, meu caro.
Abraço.

Comentar post



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D