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Presidenciais (29)

por Pedro Correia, em 23.01.11

  

 

Três vencedores

  

CAVACO SILVA

Vitória clara - em todos os distritos, incluindo Beja, onde fora segundo em 2006 - numa campanha em que não houve verdadeiro debate sobre o seu mandato presidencial. Ao contrário do que alguns vaticinavam, não foi penalizado pela forte abstenção registada neste escrutínio. Beneficiando da notória incompetência de alguns adversários, ganhou nova legitimidade para reforçar o protagonismo no quadro político português. Disse com clareza ao que vinha: esperem dele, a partir de agora, uma "magistratura activa".

 

FERNANDO NOBRE

Coube-lhe nesta eleição o papel desempenhado por Manuel Alegre no escrutínio de 2006, reclamando-se dos valores da cidadania. Sem apoios partidários, sem aparato de propaganda, ignorado pela maioria dos comentadores, escandalosamente marginalizado por um certo "jornalismo de referência", congregou sectores importantes do eleitorado cansados de guerrilhas partidárias e dos jogos políticos de sempre. Uma lição para muitas vozes arrogantes, sobretudo à esquerda. 

 

JOSÉ MANUEL COELHO

O candidato anti-sistema que veio da Madeira para fazer política a nível nacional, sem nunca se levar demasiado a sério. Um papel em que ganhou a simpatia declarada de milhares de portugueses, que têm razões de sobra para se rever em boa parte do que disse este herdeiro da nossa melhor sátira vicentina, apontando o dedo a várias feridas. Caiu em graça por ser genuinamente engraçado, ao contrário do que sucedeu com Defensor Moura.


18 comentários

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De Francisco Castelo Branco a 23.01.2011 às 20:59

pela natureza, considero a vitoria de Nobre o maior destaque.

Sim, é possivel bater os candidatos que vêem dos partidos.

Abre uma porta para o futuro.

quanto ao Coelho, em Outubro terá mais oportunidades

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De Pedro Correia a 23.01.2011 às 21:39

Acabo de escutar a declaração de Nobre - a melhor que até agora escutei na noite eleitoral. Com uma elevação infelizmente rara hoje na politica portuguesa. Ele tem toda a razão naquilo que disse ao criticar as empresas de sondagens e a suposta elite dos "analistas políticos" que sistematicamente o ignorou durante a campanha.
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De Francisco Castelo Branco a 23.01.2011 às 21:47

espero que seja uma luvada de ar fresco que o nosso pais está a precisar.

a atençao : o numero de candidaturas deste genero está a aumentar em Portugal
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De Pedro Correia a 23.01.2011 às 23:04

Certo. Estão a aumentar e vieram para ficar. Nas próximas presidenciais haverá segunda volta.
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De A. Pinto de Sá a 23.01.2011 às 21:14

Está visto, Pedro Correia, que o País não prestou atenção às suas inesquecíveis "10 razões para não votar Cavaco".
Uma cambada de fachos, é o que é...
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De Pedro Correia a 23.01.2011 às 21:37

«Fachos» é expressão sua, não é minha. Nunca recorro ao insulto nem deprecio quem não pensa como eu. E nada tenho a retirar ao que escrevi.
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De A. Pinto de Sá a 23.01.2011 às 21:41

Expressão, não. Termo.
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De Pedro Correia a 23.01.2011 às 21:48

«Cambada de fachos» é expressão sua.
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De Teresa Ribeiro a 23.01.2011 às 21:44

Concordo com a tua análise. E fiquei satisfeita com os resultados alcançados por Nobre e Coelho. Se somarmos o seu eleitorado são cerca de 18% de portugueses que votaram contra o sistema, um sinal de vitalidade importante, que revela já alguma massa crítica.
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De Pedro Correia a 23.01.2011 às 21:51

A expressão do descontentamento é cada vez mais notória, Teresa. A elevada taxa de abstenção - a maior de sempre numas presidenciais. O voto de protesto em Coelho. E o voto no candidato independente Fernando Nobre. Os partidos são cada vez mais incapazes de arrebanhar votos dos eleitores. Se assim não fosse, Alegre teria pelo menos o dobro da votação que teve.
É bom que todos os políticos estejam atentos a estes sinais. Incluindo Cavaco. Ou antes: começando por Cavaco.
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De João Campos a 23.01.2011 às 22:14

Para Cavaco, creio ser mais ou menos irrelevante. Depois deste mandato, vem a reforma definitiva.
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De Fernando Sousa a 23.01.2011 às 22:01

Votaram dentro do sistema, Teresa. Só que não ganharam.
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De Pedro Correia a 23.01.2011 às 23:08

Houve ainda 4,5% de votos em branco. 190 mil pessoas votaram assim. É o mais inócuo dos protestos, não chega sequer a ser considerado para as contas finais. Mesmo assim é um gesto que não deixa de ter significado.
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De Eduardo Louro a 23.01.2011 às 22:25

O resultado de Cavaco nem é a vitória esmagadora que alguns esperavam – nunca o poderia ser, mesmo que fosse bastante mais expressiva, face aos números da abstenção que não surpreendem ninguém – nem exactamente um flop que lhe belisque qualquer legitimidade!
O resultado de Manuel Alegre também não é surpreendente: o seu passado mais recente, os mixed feelings da anacrónica coligação partidária de suporte da candidatura e o seu desempenho em campanha não legitimavam aspirações mais ambiciosas.
Surpreendentes e encorajadores são os resultados mais identificáveis com o voto de protesto – as candidaturas de José Manuel Coelho e de Fernando Nobre!
O atípico candidato madeirense, com um resultado nacional acima dos 4%, mas com mais de 37% na Madeira (ai se isto fosse transponível para as eleições regionais…), representa não o anedotário com que facilmente se poderia rotular, mas o puro protesto. Parece-me que nas próximas legislativas poderá até chegar ao parlamento. O que, a suceder e ao contrário do que se possa esperar, não é lisonjeiro para o sistema!
O resultado de Fernando Nobre abre uma janela de esperança: se com uma campanha já de si fraca e ainda escandalosamente "esquecida" pelos media, e com um candidato que, ao contrário do que muitos esperavam, não soube (ou não pôde) fazer o melhor para potenciar as raízes de uma candidatura civil desta natureza, se chegou até aqui, onde é que não chegaria noutras condições?
Pois é! Este resultado de Fernando Nobre pode levar-nos a admitir que é possível recuperar muita dessa gente que já desistiu de acreditar e, com eles, começar mudar a face deste país. Começando logo por demonstrar que não há fatalidades. Que não é fatal que tenhamos de nos resignar àquilo que, sem alternativa, nos impingem!

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De Carole a 24.01.2011 às 02:29

Bem dito!
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De Rui Rocha a 23.01.2011 às 22:46

Algumas notas:
1 - Discurso duríssimo de Cavaco. O terreno está marcado e quem patrocinou a campanha de carácter já sabe o que pode esperar.
2 - Bem Passos Coelho. A demarcar-se do isco do aproveitamento oportunista da vitória de Cavaco. E a assumir uma posição responsável que lhe pode valer pontos.
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De Fernanda Valente a 24.01.2011 às 01:00

Um discurso muito criticado pelos analistas, que não surpreende. Cavaco Silva foi igual a ele próprio, o paradigma do "low profile".
Passos Coelho e o(s) seu(s) discurso(s) a contabilizar pontos muito positivos que vêm denotando maturidade política e sentido de responsabilidade.
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De Pedro Correia a 24.01.2011 às 01:19

Só agora li os vossos comentários. Coincide com o que tambem refiro em 'post' que acabo de publicar, nomeadamente no que se refere a PPC. Esteve muito bem, com a prudência necessária. Até porque o terreno está mais armadilhado que nunca.

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