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A situação dos eleitores com cartão de cidadão que tiveram dificuldades em aceder ao número de recenseamento (ou que não conseguiram mesmo fazê-lo) constitui um marco vergonhoso neste processo eleitoral. Muitos de nós constataram a desistência de outros eleitores. Pelo que vi, tenho a certeza que estaremos a falar de milhares de eleitores em todo o país que, tendo-se deslocado ao local da votação, acabaram por abandoná-lo sem exercerem o direito de voto. Os relatos disponíveis apontam no mesmo sentido. Houve períodos, cuja duração não sei determinar, mas que se prolongaram por horas, em que nenhum dos canais teoricamente disponíveis funcionou (sites, sms, telefone). Eu próprio enviei um sms às 14h43 que ainda não foi respondido. Tentei telefonar várias vezes, sem qualquer sucesso. No site, a mesma situação. No momento em que escrevo, não se sabe ainda se o destino desta eleição vai depender de um pequeno número de votos. Se não for o caso nesta eleição, isso não altera em nada a avaliação de total incompetência da equipa que coordenou o processo. A situação poderia ter acontecido em qualquer outra eleição. E há autarcas e deputados que ganham ou perdem mandatos por diferenças de um voto. A incompetência que aqui sublinho só tem paralelo na tentativa torpe de branqueamento da questão por parte do Ministro irresponsável pelo processo. Neste cenário, só uma consequência é aceitável: a imediata demissão de Rui Pereira. Para abreviar o processo, dispensa-se inclusivamente que peça desculpa aos eleitores.

 

Adenda às 19h03: recebi, às 19h02, o sms com a indicação do meu número.


27 comentários

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De Ricardo Sardo a 23.01.2011 às 18:24

Acabei de escrever sobre este belo exemplo do nosso verdadeiro estado de (sub) desenvolvimento...
Há meses, quando mudei de residência, fui inscrever-me no centro de saúde. Disseram-me que, como o cartão de cidadão não tinha o nº de utente visível e não tinham leitor de chip, teria que lá voltar com o cartão de utente antigo, que, mor mero acaso, não tinha ainda deitado fora. Foi o que me valeu... Pelo que li, o mesmo sucedeu hoje com o nº de eleitor. Medidas à portuguesa, as ideias não são más, mas depois, na prática, são péssimas...
Cumprimentos.
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De Rui Rocha a 23.01.2011 às 18:27

Pois é, Ricardo. O problema é que a mensagem implícita ou explícita subjacente à obtenção do cartão de cidadão é a de que os outros não são necessários. É um desastre o que está a acontecer. Há autarcas que imprimiram listas e que estão nas Assembleias de voto, há eleitores a serem reenviados para as juntas de freguesia, enfim...
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De Gonçalo Correia a 23.01.2011 às 18:43

Rua, cambada de incompetentes! A começar (ou a acabar, não interessa) pelo ministro Rui Pereira.
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De Rui Rocha a 23.01.2011 às 18:46

É o mínimo, Gonçalo.
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De Paulo Sousa a 23.01.2011 às 18:54

Recorri ao serviço de SMS às 13:01 e recebi-o o meu número de eleitor às 16:52.
Assiti a duas pessoas que sempre votaram na mesma Mesa de voto, mas por viverem noutra freguesia (uma delas há mais de 10 anos) tiverem de voltar para trás e dar mais um passeio.
Apesar de tudo este problema, que é grave, irá servir de justificação para a já prevista fraca participação eleitoral.
Viva o Choque Tecnológico e o Simplex.

O que dirão os observadores internacioais? Ah não! Não estamos em Africa!
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De Rui Rocha a 23.01.2011 às 18:59

Sim, é seguro que não estamos em África. Na fila em que estive mais de uma hora estavam 5º celsius. À sombra.
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De Luís Lavoura a 24.01.2011 às 16:11

Essas duas pessoas a que você assistiu não têm nada de que se queixar: sabem perfeitamente que deviam estar recenseadas na freguesia onde moravam. A partir do momento em que tiram o Cartão de Cidadão ficam automaticamente recenseadas na morada que declaram como sua, como sempre deveria ter sido.
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De Maria João a 23.01.2011 às 19:22

Só não percebo porque raio a nossa identidade tem de estar ligada à residência... Isso era o que eu gostava que o Sr. ou Dr. Rui Pereira me explicasse...
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De Rui Rocha a 23.01.2011 às 19:33

Maria João, sou um simples eleitor a quem a vontade extrema de votar exigiu que se mantivesse uma hora na fila. Explicações, só mesmo o Sr. Ministro. Mas, imagino que seja tudo culpa do sistema.
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De Reflexos a 23.01.2011 às 23:59

'se todos tentarmos entrar ao memso tempo num sítio, não conseguimos!'... palavras de um senhor (não fixei o nome, sorry), que representava o ministério da administração interna.
Vamos lá ser compreensivos! As pessoas até (não) sabiam que tinham outro número e outro local de voto com o cartão de cidadão. Era Domingo, não havia nada para fazer, e tinham das 8 às 19 para votar... what's the rush?


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De Rui Rocha a 24.01.2011 às 00:01

É que tem toda a razão. Já diz o ditado: onde vai um português, vão logo dois ou três. Cambada de apressadinhos, é o que nós somos...
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De Luís Lavoura a 24.01.2011 às 10:28

Segundo entendo (ainda não tirei Cartão de Cidadão), logo depois de se ter tirado o CC recebe-se uma carta em casa em que nos dizem qual o novo número de eleitor ou, pelo menos, como vir a sabê-lo. Se assim é, então não há razões de queixa.

Nenhum sistema telefónico, de SMS, internet, etc, pode ser construído para suportar um número muito grande de chamadas simultâneas. Trata-se, aliás, de uma forma vulgar de bloquear um qualquer sítio informático: enviar-lhe simultâneamente uns milhares de pedidos de acesso. O Ministério da Administração Interna não pode ser culpabilizado por todos os portugueses gostarem de ir votar depois do almoço e por só nessa altura decidirem informar-se de qual o seu número de eleitor. Qualquer sistema teria colapsado nestas circunstâncias.
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De M. Deus a 24.01.2011 às 15:33

É verdade. Recebe-se uma carta com todos os dados do cidadão, complementada com a informação de como aceder ao site para confirmação do n.º de eleitor. Também suponho que se não fosse uma das características principais dos portugueses deixarem tudo para a ultima, na hora de votar não teriam qualquer problema. Há ainda aquele pedido que nos é feito, sempre que há eleições, de consultarmos os cadernos eleitorais, disponíveis nas juntas de freguesia, para verificarmos se lá constamos.
Não é objectivo desculpar seja quem for, é apenas a constatação de uma realidade que se observada e cumprida por todos, evitaria as confusões havidas e que já puseram a cabeça do ministro a prémio, se bem que ache que o prémio não deveria ser lá grande coisa! Nada a fazer, somos assim...
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De Rui Rocha a 24.01.2011 às 15:49

1 - A razão de queixa consiste no facto de toda a propaganda associada ao cartão de cidadão ir no sentido de dizer que este substitui os outros. Substituir não quer dizer complementar!
2 - Melhor seria ter-se investido o orçamento de comunicação das PR 2011 na prestação de informação útil sobre este assunto. Muito melhor que pôr nos autocarros a frase "Vote", muito esclarecedora e entusiasmante.
3 - Que a questão não era clara resulta à evidência do facto de se ter sentido a necessidade de criar 3 caminhos, teoricamente disponíveis, para esclarer (site, telefone, sms).
4 - Um bom indicador de que talvez estejamos enganados no caminho é o facto de centenas de milhares de pessoas virem em contra-mão. A lei dos grandes números costuma funcionar. Ninguém se põe a mandar sms por puro gozo em dia de eleições. Se o fízeram, é sinal de que a informação não passou. Centenas de milhares de pessoas erradas é uma tese difícil de sustentar.
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De Luís Lavoura a 24.01.2011 às 16:09

"Um bom indicador de que talvez estejamos enganados no caminho é o facto de centenas de milhares de pessoas virem em contra-mão."

Não necessariamente. Quem vota às dez da manhã, como eu, não tem problemas nenhuns. O SMS funciona, a junta de freguesia e a secção de voto não têm bichas. Quem está enganado no caminho são as centenas de milhares de portugueses que decidem ir todos votar ao princípio da tarde, sujeitando-se então a bichas, SMSs entupidos, etc.

Repare que tudo esteve sempre a funcionar mais ou menos perfeitamente exceto entre as duas e as cinco da tarde, porque foi a altura em que centenas de milhares de pessoas decidiram ir todas, simultâneamente, votar. Quem votou às dez da manhã, como eu, ou às seis da tarde, como a minha mulher, não teria tido problema nenhum.
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De Rui Rocha a 24.01.2011 às 17:36

Novo contributo para a ciência política de Luís Lavoura: os eleitores de acordo com a hora em que votam. Penso até que podemos propor o encerramento à hora do almoço.
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De M.Deus a 24.01.2011 às 16:16

Então dou a mão à palmatória! Sou diferente das centenas de milhares que andam em contramão . Pura parvoíce minha, recebi a tal cartinha e fui confirmar se estava tudo em ordem. Mas numa coisa tem razão, pediram-me o cartão de eleitor!!!Ora essa, estão a gozar comigo, não? pergunta que irritou suficientemente os Srs. da mesa, que, penso, por pura ignorância não sabiam que eu não tinha a obrigação de ter os cartões substituídos pelo cartão de cidadão. Bom, lá me deixaram votar sem apresentar o dito, mas foi muito a contragosto, se bem que me preparava para fazer ali uma grande peixeirada , pois mesmo tendo uma postura bastante pacifica, nestas coisas gosto sempre de ter a ultima palavra!
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De Rui Rocha a 24.01.2011 às 15:48

1 - A razão de queixa consiste no facto de toda a propaganda associada ao cartão de cidadão ir no sentido de dizer que este substitui os outros. Substituir não quer dizer complementar!
2 - Melhor seria ter-se investido o orçamento de comunicação das PR 2011 na prestação de informação útil sobre este assunto. Muito melhor que pôr nos autocarros a frase "Vote", muito esclarecedora e entusiasmante.
3 - Que a questão não era clara resulta à evidência do facto de se ter sentido a necessidade de criar 3 caminhos, teoricamente disponíveis, para esclarer (site, telefone, sms).
4 - Um bom indicador de que talvez estejamos enganados no caminho é o facto de centenas de milhares de pessoas virem em contra-mão. A lei dos grandes números costuma funcionar. Ninguém se põe a mandar sms por puro gozo em dia de eleições. Se o fízeram, é sinal de que a informação não passou. Centenas de milhares de pessoas erradas é uma tese difícil de sustentar.
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De Anónima da Silva a 24.01.2011 às 17:13

Caro Rui,

Há muitas explicações a dar, de facto.
Já em 2011, obtive pale 1.ª vez o Cartão de Cidadão. Recolheram-me informação relativa à minha identificação pessoal (anteigo BI), contribuinte fiscal, Número de beneficiário do SNS e número de beneficário da Segurança Social.
Quanto ao recenseamento eleitoral, fui informada de que esse tipo de informação/identificação não era tratada pelo "sistema".
Em escassos 10 dias, recebi o meu CC, com todos os dados incorporados.
Ora, se não é recolhida informação pelo sistema, como é possível o sistema responder a essa suposta informação?
Como todos os anos em que há eleições, na última semana de camapnha, confirmei na internet os meus dados e o local de votação. Tudo estava correcto e no domingo, de manhã, votei sem qualquer problema, fila ou demora, estreando o meu CC e exibindo o (velhindo) cartão de eleitor(a).
Claro que se foi recolhida informação no CC e ela não constava das listas das mesas de voto, então o caso é outro e devem-nos detalhadas explicações.
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De Rui Rocha a 24.01.2011 às 17:38

É esse o conteúdo mínimo das explicações, AS.
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De Anónimo a 24.01.2011 às 16:03

Engraçado!
No último dia de reflexão, via-se neste blog o contágio, quase apelo, para que não se fosse votar. e as razões~eram múltiplas, mas a principal a flata de qualidade dos candidatos.
Agora, para quem foi ou tentou votar, acha-se muito esperar um par de horas...
Para comprar bilhetes para os U2 ou para receber mobílias grátis no IKEA, espera-se 24 horas e é uma "curte"!
Rui Pereira demitido?
E onde ia arranjar trabalho para usar o avental?
Não dá, né?
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De Rui Rocha a 24.01.2011 às 16:13

1 - O meu caro amigo devia explicar essa coisa do Ikea e dos U2 ao casal de eleitores com mais de 80 anos e dificuldades de locomoção que saiu de casa para ir votar, mas acabou por desistir. No universo de eleitores não estão apenas os fãs desesperados dos U2 ou ou incondicionais do IKEA. Na sua lógica deveriam até ser reduzidas drasticamente as assembleias de voto, com a inerente redução de custos. Três horas de fila é coisa pouca em nome poupança.
2 - A ser verdadeiro o pressuposto da falta de qualidade dos candidatos, é evidente que as filas consituem um incentivo adicional à desistência. Não percebo onde está a contradição que quer salientar.
3 - O que está em questão não é o limiar de sacrifício que os eleitores estão dispostos a aceitar. O ponto é a gestão desastrada de uma questão e, para isso, a bitola não é o grau de esforço dos eleitores.
4 - Quanto ao Rui Pereira, podemos sempre arranjar-lhe o contacto do Valter Lemos que é um grande especialista em questões de emprego.
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De Ana Sofia a 24.01.2011 às 16:30

Talvez o exemplo do casal de 80 anos seja radicalizar um pouco a situação. Só em caso de divórcio(!!!) ou mudança de residência é que teriam o cartão de cidadão, caso contrário os que têm são vitalicios e como tal não lhes criariam qualquer tipo de dificuldade a nivel de freguesias, mesas de voto ou que quer que seja, (digo eu!!). Em caso de mudança de residência, todos sabemos, independentemente da idade, que o local de voto é alterado.
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De Rui Rocha a 24.01.2011 às 17:37

O caso é real e eu presenciei. O argumento nunca seria radical porque em resposta à radicalização do argumento (U2 e IKEA).
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De Anónimo a 24.01.2011 às 18:00

Oh Rui,
Se fosse uma fila com várias horas de espera para marcação de viagens ao Brasil, como já presenciei, era menos radical?
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De Rui Rocha a 24.01.2011 às 18:26

Continua a insistir no ponto do limite de sacrifício para os eleitores. Se esperam horas para chegar ao Brasil, para comprar bilhetes para os U2, os eleitores também podem esperar para votar. Antes de mais, essa posição revela um certo ressabiamento contra certas pessoas. Devo dizer-lhe que nunca fui a um concerto dos U2, acho que nunca comprei nada no IKEA, nem fui ao Brasil. Mas, não tenho nada contra. Da mesma maneira que nada tenho contra os ingleses que passam férias no Algarve. Ou contra os Polacos que compram no Pingo Doce de Gdansk. Desde que os meios que utilizam para realizar tais actividades sejam legítimos, acho muito bem. De contrário, ainda acabamos todos a ir à Missa só porque a entrada é grátis, ou às sessões de esclarecimento do Bloco onde não se paga nada que não seja a paciência. O ponto, como digo, não é esse. Eu estive na fila uma hora e mais estaria. A questão é a da incompetência na gestão do processo. Da mesma forma, o meu amigo também aceitaria pagar mais 10% de impostos para bem do seu país. Quem não faz mais um esforço por Portugal? Mas, talvez não ficasse contente se soubesse que tal se deve à incompetência de quem gere as contas públicas.
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De Anónimo a 25.01.2011 às 11:56

Mas, afinal e depois do que aqui escreveu, o Rui foi votar........................?

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