Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Presidenciais (27)

por Pedro Correia, em 20.01.11

Cavaco Silva – Uma sombra do que foi noutros tempos. Começou de forma titubeante a campanha, que só pareceu ganhar gás com o tema BPN: um Cavaco momentaneamente vigoroso veio à tona nesses dias. O assunto funcionou também como agregador das hostes, que pareciam adormecidas. Mas o homem que desta vez nem contou com um blogue especial de apoiantes foi incapaz de qualquer golpe de asa. Termina a campanha a pedir uma vitória à primeira volta pelo pior dos motivos: para poupar dinheiro. E com um temor indisfarçável da abstenção.

 

Defensor Moura – O deputado socialista que mal ousou sair do perímetro de Viana do Castelo e chegou a ser notícia nas televisões por "dar um passeio improvisado na rua onde mora" esgotou-se nesta campanha a fazer o papel de lebre para dar alento à de Manuel Alegre, seu camarada de partido e seu colega de Parlamento. A estratégia saiu-lhe às avessas: o BPN funcionou como toque a rebate dos desmobilizados eleitores de Cavaco. A partir daí Moura praticamente desapareceu.

 

Fernando Nobre – O médico independente que muitos socialistas irritados com Alegre apoiam teve boas prestações nos debates televisivos e conduziu no terreno uma campanha que foi ganhando projecção, apesar das tentativas de muitos comentadores de o considerarem irrelevante. Tal como Alegre em 2006, o fundador da AMI utilizou o apelo da cidadania como trunfo eleitoral num país cansado de jogos partidários. Pode vir a protagonizar a maior surpresa da noite do escrutínio.

 

Francisco Lopes – Foi sólido, consistente e esforçado na tarefa de mobilizar os eleitores comunistas. Para esse efeito insistiu sobretudo em percorrer o tradicional circuito do partido, centrado no triângulo Lisboa-Setúbal-Alentejo. A candidatura deu projecção a nível nacional ao mais que provável sucessor de Jerónimo de Sousa no cargo de secretário-geral do PCP. Tenha o resultado que tiver no domingo, este desafio já foi vencido. E para ele, no fundo, era isso que contava.

 

José Manuel Coelho – A maior surpresa desta campanha. Trouxe irreverência à corrida presidencial recorrendo apenas aos seus naturais dotes oratórios e à sua vocação para a "sátira de rua", mordendo à esquerda e à direita com a saudável irreverência de uma personagem vicentina. Deixou de estar confinado ao estatuto de estraga-festas no reduto madeirense, ganhando projecção nacional. Foi o único candidato excluído dos debates. Vai receber bastantes votos de simpatia.

 

Manuel Alegre – Encarnou o papel que menos lhe convinha: o de Mário Soares na campanha anterior. Tal como Soares então, radicalizou excessivamente o discurso, procurando transformar a corrida a Belém numa espécie de ajuste de contas com Cavaco Silva. Esqueceu-se da sábia conduta que ele próprio revelou há cinco anos, quando evitou ataques pessoais e sublinhou que uma vitória de Cavaco não poria em risco a democracia. O discurso radical de esquerda, em sintonia com o BE, distanciou-o de muitos socialistas. Termina esta campanha talvez mais só do que estava em 2006.


18 comentários

Sem imagem de perfil

De Francisco Castelo Branco a 20.01.2011 às 15:08

Coelho foi ridiculo e acho que nao se deveriam repetir candidaturas para brincar ou então para bater em Alberto Joao.
Terá a sua oportunidade em Outubro aquando das regionais. Ou se calhar não, mas sem duvida que foi uma vergonha a sua actuação

Defensor Moura . não saiu de Viana, devia ir ao Alentejo para ser confrontado com aqueles que gostam de touradas, mas nem isso teve coragem

Lopes e Nobre - fizeram uma boa campanha e saem reforçados desta eleição pois conquistaram atenções.

Alegre e Cavaco - o primeiro devia ter ficado pela eleição de 2006 e o primeiro ganha naturalmente porque é o melhor
Sem imagem de perfil

De Mónica a 20.01.2011 às 16:21

Ridículo, Francisco? Desde quando a sátira é ridícula? Ridículas são as bandeiras, os jantares de borla e as excursões para encher salas, pagas por todos nós.

Ridículos têm sido os discursos boloro-salazarentos de Cavaco, a vacuidade de Alegre, o auto-elogio de Nobre, a p'tanto-cassete de Lopes e a prioridade aos animais de Defensor...

Faço voto (literalmente!) para que José Manuel Coelho tenha uma votação expressiva. E que você, Francisco, fique "envergonhado" com isso.

Vá lá votar no Cavaco, vá...
Sem imagem de perfil

De Francisco Castelo Branco a 21.01.2011 às 15:47

Cara Monica

O que o candidato coelho fez não foi Sátira, mas sim acusações e brincadeiras estapafurdias.
De facto, não pode ser levado a sério e as pessoas querem ser governadas por pessoas que tenham propostas e ideias.

Quantos aos jantares, bandeiras e comicios...

é isso que faz a riqueza das campanhas.
E está muito mal, porque antes os comicios eram ao ar livre e o marketing era muito maior.
Pena é que esses candidatos nem um autocolante têm para amostra.....

Sem imagem de perfil

De Javali a 20.01.2011 às 16:47

Nobre e Alegre fizeram uma boa campanha?? Um que pouco ou nada disse de substancial senão barbaridades, inclusivamente desdizendo no dia a seguir o que tinha dito no dia anterior; outro que declama chavões sobre pobres a correr atrás de galinhas e que vai ganhar se não lhe derem um tiro na cabeça... Mas isto é gente séria? Gente que se queira como Presidente? Boa campanha? Onde?!
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 20.01.2011 às 15:31

"o único a viajar de comboio"

Penso que o Pedro se enganou, quem andou de combóio foi o Defensor Moura. Pelo menos, foi isso que ouvi na televisão.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 20.01.2011 às 15:56

Tem razão, Luís Lavoura. Não foi o único: de facto, Defensor também andou de comboio. Agradeço-lhe o reparo, vou alterar o texto.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 20.01.2011 às 16:19

Já agora, faço-lhe reparar outra coisa em que você se enganou, tal como eu na devida altura previ: no mau tempo (frio, neve) que, segundo você temia, acompanharia a campanha eleitoral. Repare, pelo contrário, no bom tempo e temperaturas amenas que agora se fazem sentir, muito melhores do que em Dezembro.

Cada vez mais, no nosso país, o frio e o mau tempo sérios são em Dezembro, não em Janeiro nem (muito menos) em Fevereiro.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 20.01.2011 às 16:53

O facto, Luís, é que uma campanha intercalada com os festejos do Natal e Ano Novo não faz o menor sentido. O aperto do calendário foi tão grande que levou um dos candidatos a ficar excluído dos debates televisivos. Pior que esta época do ano só Julho e Agosto.
Sem imagem de perfil

De Eduardo Saraiva a 20.01.2011 às 16:32

Pedro
Se não fossem duas diferenças, não tinha qualquer problema em subscrever o post.
1 - Julgo que a prestação de Cavaco não foi tão boa como "noutros tempos" porque foi surpreendido pelas questões colocadas na pré-campanha (debates). Penso que nenhum estratega ou analista, imaginava que a campanha - 11 levaria este rumo. A pior campanha da democracia.
2 - Defensor de Moura não foi capaz de desempenhar o papel de "lebre" que se utiliza nas provas de atletismo. Defensor de Moura, nesta campanha foi uma "lebre coxa". Por isso é que Alegre não arrancou. Foi ficando para trás. Não é por acaso que o colocas no fim da análise.
Aquele abraço e, depois do sábado "oficial" para a "reflexão", vamos votar.

Nota - Será que o "partido abstenção" terá um bom resultado?
E os jovens, estão a voltar as costas à política?
No pós-eleições éimportante que se faça uma reflexão sobre estes possíveis resultados.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 20.01.2011 às 17:36

Um abraço, Eduardo. Oxalá me engane, mas creio que estas são as presidenciais com maior taxa de abstenção desde 1974. Uma abstenção ainda maior entre os eleitores com menos de 30 anos (espero sinceramente estar enganado).
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 20.01.2011 às 17:11

O tiro na cabeça de Fernando Nobre não lembra ao Diabo!
É certo que nesta campanha tivemos gaivotas azuis, muitas coelhadas e andou nas bocas do mundo um par de Purdeys (que afinal se tinham, era pólvora seca. não atingiram ninguém!)
Só o desespero em que FN se encontra - ele que julgava que enganava tudo e todos com o seu ar de quase mártir, oriundo da ajuda humanitária - o faria soltar tamanha boutade...
Mas haverá alguém neste País que se sinta incomodado/ameaçado com/por FNobre????????? Só se for alguém da família dele, mas isso são questões da vida privada.
FN sentiu necessidade de interromper a irrelevância e o silêncio que tão justamente e bem o deixavam terminar a sua campanha com alguma dignidade.
Não havia necessidade...
Sem imagem de perfil

De Carlos Faria a 20.01.2011 às 23:32

Reconheço que não sendo republicano convicto esta campanha me tornou ainda menos convicto.
Dois candidatos me desiludiram, Alegre pelo que disse, Cavaco pelo que deixou de dizer e Nobre não me aqueceu.
Mas como cada vez olho com mais desconfiança a esquerda lusa... voto no que me assusta menos.
Sem imagem de perfil

De Anónima da Silva a 21.01.2011 às 11:03

Caro Carlos,

A sua frase final "voto no que me assusta menos" é sintomática e resumo tudo: querem instalar o medo entre os Portugueses e, claro, habituados a tantos anos de ditadura, vão a correr fazer a vontadinha a quem medo lhes meteu.
Dos fracos não reza a história....
Sem imagem de perfil

De Carlos Faria a 21.01.2011 às 11:56

Cara Anónima Silva
Quem tem coragem mostra o nome quando fala, o anonimato em democracia em um sinal de fraqueza e receio. Aqui o "assustar menos" é sinónimo de proximidade ideológica e em Portugal é preciso ainda alguma coragem para assumir ser-se de direita ou de centro direita.
Sem imagem de perfil

De Anónima da Silva a 21.01.2011 às 12:17

Caro Carlos,
Só para lhe dizer que pode afirmar - no tom e com os décibeis que quiser -, que se chama Carlos Faria, que isso, em termos de identidade, neste e em qualquer blog, equivale a Anónima da Silva. Há quem afirme chamar-se Carlos e seja uma Maria.
Contactos telefónicos a desconhecidos, não dou. Ensinaram-me no berço, juntamente com a coragem de ser democrata e responder pela pessoa que sou.
De esquerda ou de direita, é indiferente.
Medo, não tenho. Por enquanto.
E não quero um Presidente da República que o semeie entre nós.
Sem imagem de perfil

De Carlos Faria a 21.01.2011 às 13:29

Nalguns caso pode ser, no meu caso o nome está linkado e permite ir até pormenores suficientes para a minha identificação individual.
Imagem de perfil

De João Severino a 21.01.2011 às 15:28

Uma análise excelente.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 22.01.2011 às 15:43

Obrigado, caro João.

Comentar post



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D