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Notas sobre a revolução na Tunísia

por Rui Rocha, em 15.01.11

1 - A nós portugueses, não pode deixar de nos comover uma revolução em que podemos encontrar algumas semelhanças com o nosso 25 de Abril. Como bem salienta Ramon Lobo em Aguas Internacionales, imagens de pessoas felizes que se abraçam aos polícias ou de militares que se recusam a disparar sobre os cidadãos fazem parte do nosso imaginário colectivo. É muito bom que outros povos possam vivê-las. 

2 - Os acontecimentos da Tunísia impõem uma revisão do papel do Ocidente, muito em particular da Europa, na relação com os países do Norte de África. Nesse espaço geográfico, a Tunísia não tinha o exclusivo dos regimes ditatoriais, militarizados ou corruptos. A Líbia, a Argélia, o Egipto e Marrocos, entre outros, são países relativamente aos quais o Ocidente tem mostrado grande complacência.

3 - A situação tunisina demonstra a possibilidade de revoluções democráticas no mundo árabe, com origem exclusiva na revolta contra a corrupção e a injustiça social e  em que o fundamentalismo religioso não assume qualquer papel activo.

4 - Aliás, o fanatismo religioso é, em boa parte, uma resposta sociológica a sociedades corruptas e opressivas e não pode constituir uma desculpa para que os povos sejam abandonados à sua sorte sempre que os interesses geopolíticos aconselham um fechar de olhos egoísta.

5 - A revolução tunisina pode constituir um virar de página na situação política do Magrebe, servindo de exemplo à luta cívica de povos vizinhos. As consequências são imprevisíveis.

6 - Não podemos esquecer que o Magrebe é já ali, pelo que uma diplomacia que prescinda de uma dimensão ética e que surja orientada apenas por interesses pragmáticos poderá levar Portugal a descobrir, um dia, que não só se alheou dos seus  valores básicos, como comprometeu de forma duradoura a sua relação com esses povos vizinhos.

7 - Este é o momento de todos os perigos. Os tunisinos ainda nada conseguiram e surgirão por certo, tal como aconteceu em Portugal, movimentos e tensões sociais que procurarão pôr em causa o caminho para a democracia.

8 - Guardo da Tunísia a memória de um aroma intenso a jasmim. Espero que os tunisinos possam agora experimentar também as fragrâncias da liberdade e do desenvolvimento.

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