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Este já não prende mais ninguém

por Pedro Correia, em 15.01.11

 

Menos um tirano no activo: a revolta popular que estalou há duas semanas na Tunísia acaba de derrubar o general Ben Ali, que ocupava o palácio presidencial em Tunes desde 1987 e se especializou em organizar eleições fraudulentas em que obtinha sistematicamente 99% dos votos. O seu consulado despótico pertence já ao passado: agora rumo ao exílio, o general não encontra país disposto a dar-lhe guarida - a começar pela dúplice França, que tanto o auxiliou a prolongar-se no poder.

Ben Ali, convém recordar, foi um dos ditadores a quem o Governo português estendeu a passadeira vermelha em Dezembro de 2007, por ocasião da  lamentável cimeira UE-África. Como na altura escrevi, «segundo a Amnistia Internacional, existem centenas de presos de consciência na Tunísia, a pretexto do combate ao terrorismo internacional. As condições de detenção são "cruéis, inumanas e degradantes". Muitos prisioneiros são condenados em "julgamentos injustos", inclusivamente em tribunais militares». Isso não evitou que Cavaco Silva e José Sócrates o tivessem recebido com todas as honras protocolares em Lisboa: as vénias que lhe fizeram constituiram um insulto irreparável aos resistentes tunisinos.

Agora ao menos, para serem coerentes, poderiam ambos oferecer asilo ao ditador em fuga. Na Aldeia da Coelha ou em Vilar de Maçada.

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10 comentários

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De Paulo Sousa a 15.01.2011 às 08:25

E assim a Tunisia entra num PREC com tudo de bom e mau que isso significa e pode implicar. Muito do futuro dos países vizinhos, e também da Europa especialmente do sul, virá a depender da experiência tunisina.
Os tunisinos saem assim de um ponto de equilíbrio político e todos ficamos a torcer para que o próximo ponto de equilíbrio seja moderado, democrático e ocidental. Tudo pode acontecer e os próximo dias serão decisivos.
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De Pedro Correia a 15.01.2011 às 19:20

Esperemos que tudo corra pelo melhor. Para já, estão prometidas genuínas eleições - algo que a Tunísia nunca teve até hoje. O que é um progresso considerável.
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De João Carvalho a 15.01.2011 às 10:12

Um grande herói: decretou o estado-de-sítio e fugiu do país.
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De Pedro Correia a 15.01.2011 às 19:19

Foi Ali e já não volta.
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De DaSilva a 15.01.2011 às 12:56

Na verdade, estimado Pedro Correia, o povo português é assim mesmo. Falamos muito e fazemos pouco. Dizemos que matamos e esfolamos e quando estamos perante o “artista” até lhe dizemos que somos grandes amigos e tudo. Depois ouvimos, dos nossos governantes, que temos que ser moderados perante situações delicadas. É certo! Quem somos nós para impor uma posição? Para demarcar território (falo em território politico mundial)?
Na realidade somos demasiado pequenos e não temos auto-estima, poder, afirmação suficiente acabando por nos reduzir a uma certa hipocrisia (ah! Também não temos dinheiro).
Eu tenho um pensamento que pode estar bastante perto da realidade. Nós recebemos, quase todos (senão todos) os que nos visitam, de tapete vermelho. Estamos muito desesperados e acho que se um dia o diabo nos visitar também vai ter o dito tapete. Queremos mostrar ao mundo que somos um povo do “melhorío”, por isso, “ajudem-nos a sair do buraco”!!!
O Pedro diz que o Cavaco e o Sócrates podiam oferecer asilo ao ditador em fuga… Não escreva isso muitas vezes… se eles vêm este Blog ainda vão pensar que até pode ser uma boa ideia (para mostrar mais uma vez que somos malta porreira).
:)
Carpe Diem
Paulo Silva
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De Pedro Correia a 15.01.2011 às 19:18

É bem capaz de ter razão, Paulo. Prometo não repetir tal sugestão.
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De Teresa Ribeiro a 15.01.2011 às 14:56

Esperemos que os tunisinos, aqui tão perto, saibam evoluir longe de fundamentalismos islâmicos, inspirados no modelo da democracia ocidental.
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De Pedro Correia a 15.01.2011 às 19:17

Com a Argélia de um lado e a Líbia do outro, seria quase um milagre, Teresa. Mas por algum lado se há-de começar.
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De lucklucky a 15.01.2011 às 17:21

Ena tantos elogios. Se atentados como no Iraque começarem a ocorrer ouviremos loas a Ben Ali daqui a uns meses? Ou é só porque foram os Americanos.
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De Pedro Correia a 15.01.2011 às 19:16

Loas a Ben Ali já ouvimos de sobra. Ainda há dez meses, quando lá esteve a delegação portuguesa liderada por José Sócrates.

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