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Presidenciais (23)

por Pedro Correia, em 14.01.11

  

 

Lembro-me bem da emoção e do sentido de responsabilidade que senti ao votar pela primeira vez, aos 18 anos. O cuidado que tive ao analisar programas eleitorais e propostas dos candidatos - a "politizar-me", como então se dizia. Lembro-me bem da sensação de que, do ponto de vista da participação cívica, acabara de transpor uma etapa fundamental, atingindo a idade adulta.

Falo hoje com jovens de 18 anos e não encontro nada disso. Não sabem nada de política, não querem saber, não tencionam votar nem conhecem nenhum amigo que pense fazê-lo. Chegámos a isto, em pouco mais de três décadas de regime democrático.

Gostava de ver debatido nesta campanha o tema - cada vez mais preocupante, cada vez mais urgente - do progressivo divórcio entre os jovens e a democracia participativa. Nenhuma instituição sobrevive sem rituais - e nenhum deles é tão relevante como o voto. Acontece que os jovens portugueses - à semelhança do que vem sucedendo na generalidade dos países europeus - não votam, em larga percentagem, sem que isso pareça causar a mínima preocupação aos candidatos nem aos comentadores enredados no politiquês dos serões televisivos. Os políticos falam para serem escutados pelos comentadores e estes falam para serem escutados pelos políticos, num circuito fechado que apenas contribui para pôr os eleitores ainda mais à distância.

Pressinto que estas serão umas presidenciais marcadas pela maior taxa de abstenção de sempre, com destaque para a abstenção dos eleitores com menos de 30 anos.

Há seis candidatos, com uma média de idades de 63,6 anos (o mais velho tem 74 anos, o mais novo tem 55). Até agora, não ouvi uma palavra de qualquer deles sobre a deserção dos jovens. Apesar de poucos temas terem a gravidade que este tem.

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10 comentários

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De a.marques a 14.01.2011 às 19:21

A educação cívica e exercício da cidadania (conceito lato) na escola não entram. Disciplina de 1 hora por semana, e pôr o pessoal a votar ainda que por puro ensaio ou mesmo a valer para os mais crescidos. A juventude nem deserta, é mal armada.
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De Pedro Correia a 15.01.2011 às 01:21

Mal armada, mal amada. Os políticos, com o seu discurso permanente dos 'direitos adquiridos', esquecem por sistema aqueles que à partida não têm direitos de espécie alguma, os mais jovens. Cada vez mais condenados pelas circunstâncias de novo à emigração, como acontecia na geração dos avós e bisavós.
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De abilio_gadelha a 14.01.2011 às 20:33

a juventude de hoje só pensa em droga,sexo,roubo,etc demau.esquecem-se dos interesses do país,em especial na construção do seu voto,é triste vermos a nossa juventude muito crua,cheia de ilusões maléficas
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De Pedro Correia a 15.01.2011 às 01:22

Triste é vermos este fosso geracional. Dos seis candidatos presidenciais, o mais «jovem» tem... 55 anos. Não espanta que os jovens se alheiem das eleições.
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De JMG a 15.01.2011 às 01:13

Acredito que a taxa de abstenção seja recorde. Mas desta vez duvido que seja o descaso da juventude a agravar a abstenção: Votar em quem? Um comunista, um ex-comunista simpático e confuso, um santo homem cheio de boas intenções convencido que o País não é muito diferente de um campo de refugiados, um poeta revolucionário recesso crente que o País precisa de estrofes e proclamações, um guarda-livros calculista, estatista e limitado ... Votar em quem? Nã, eu vou é curtir com a malta.
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De Pedro Correia a 15.01.2011 às 01:23

Mais me ajuda. Este país não é para jovens. Nem sequer para pessoas de meia-idade.
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De João Carvalho a 15.01.2011 às 05:12

Estás carregadíssimo de razão, compadre.
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De Pedro Correia a 15.01.2011 às 11:12

Ainda bem que há mais quem pense como eu. Vejo os 'comentadores' tão descansados a este respeito que às vezes me questiono se só eu andarei preocupado com estas deserções em massa das urnas, que poderão desembocar bem sabemos onde.
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De Fernando Sousa a 15.01.2011 às 15:25

Também penso como tu, com uma única e pequena diferença - a abstenção, para mim, que tenho mais de 18 anos, é menos o resultado de uma desilusão do que uma forma de descumplicidade; não é elegante falar do fracasso de um regime económico e a seguir dar aval ao político que o aguenta
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De Cristina Torrão a 15.01.2011 às 18:01

Sim, eu também me pergunto porque é que os políticos europeus nada fazem para acabar com este "divórcio" entre os jovens e a política. Sei que é difícil incutir-lhes motivação (aos jovens), mas certamente não impossível!

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